LOC/MTC: Trabalhadores Cristãos de Braga defendem a garantia da habitação, trabalho e dignidade para os imigrantes

Semana temática analisou o tema “Migrações, trabalho e dignidade”

Foto LOC/MTC Braga

Braga, 28 abr 2026 (Ecclesia) – A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) da Arquidiocese de Braga denunciou os “discursos de medo, desconfiança e até rejeição” sobre as migrações e afirmou a necessidade de garantir “condições dignas” para quem escolhe Portugal para viver.

“Não podemos ficar indiferentes quando faltam condições dignas de acolhimento — seja na habitação, no trabalho ou na integração”, afirma a LOC/MTC no documento conclusivo sobre da 15ª Semana Temática, que teve por tema “Migrações, trabalho e dignidade”.

Os participantes lembram que “quem chega não o faz por acaso”, mas deixa para trás “situações duras”, nomeadamente “pobreza, guerra, falta de oportunidades” e procura lugares de esperança.

“Ao longo desta semana (13 a 18 de abril), fomos convidados a olhar de frente para uma realidade que nos toca a todos: as migrações, o trabalho e a dignidade humana. Não como temas distantes, mas como experiências concretas que atravessam a vida de tantas pessoas que vivem ao nosso lado”, lê-se no documento conclusivo.

A LOC/MTC lembra que Portugal “precisa do trabalho de tantos homens e mulheres migrantes, que contribuem diariamente para a economia, para a sociedade e para a riqueza cultural que nos enriquece a todos”, apelando a possibilidade trabalhar num ambiente de “dignidade e inclusão”.

“Existem situações de precariedade, exploração e injustiça que ferem profundamente a pessoa humana. E quando olhamos para alguém apenas como ‘mão de obra’ ou como um número, estamos a esquecer aquilo que é essencial: cada pessoa tem um rosto divino, uma história, um valor único”, refere o documento.

Como cristãos, somos desafiados a ir mais longe: a acolher sem julgar, a escutar, a compreender. O Evangelho lembra-nos que no estrangeiro encontramos o próprio rosto de Cristo. Por isso, a nossa atitude não pode ser de indiferença ou medo, mas de proximidade e fraternidade. Hoje acolhemos, amanhã podemos precisar de ser acolhidos”.

A LOC/MTC apela uma “sociedade justa”, capaz de colocar “a pessoa no centro”, onde “o trabalho permite viver com dignidade, onde o salário chega para sustentar a vida, onde ninguém é deixado para trás”.

Reconhecendo que, na atualidade, “as desigualdades aumentam, muitos trabalhadores vivem em situações precárias e os mais frágeis — entre eles muitos migrantes — são os mais atingidos”, a os trabalhadores cristãos sublinham que uma “sociedade justa não pode ser construída apenas com base no lucro ou no crescimento económico”.

Para a LOC/MTC, a sociedade justa “precisa de alma, de valores, de compromisso com o bem comum”.

Ser justo não é apenas exigir justiça — é também praticá-la no dia a dia. Nas nossas atitudes, nas nossas escolhas, na forma como olhamos e tratamos os outros. É reconhecer que todos somos irmãos e que a dignidade não depende da origem, do trabalho ou da condição social”.

Os trabalhadores cristãos da Arquidiocese de Braga lembram os “caminhos concretos de ação” propostos pelo Papa Francisco em torno dos verbos “acolher, proteger, promover e integrar”, a partir de “pequenos gestos”, sem esquecer “realidades graves como o tráfico de pessoas e a exploração laboral”.

Na conclusão da 15ª Semana Temática, sobre o tema “Migrações, trabalho e dignidade”, a LOC/MTC da Arquidiocese de Braga apela a uma “sociedade mais fraterna, onde a riqueza seja partilhada de forma mais justa e onde cada pessoa conte”, tendo por base e inspiração os “valores do Evangelho, onde ninguém seja tratado como descartável”.

O encontro da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos contou com a colaboração do diácono Joaquim Ferreira e da jurista Lígia Ferreira, dos serviços de migração da Arquidiocese de Braga; participou também a coordenadora Nacional da LOC/MTC, Fátima Pinto.

PR

Partilhar:
Scroll to Top