Mensagem para o 1.º de Maio afirma que propostas legislativas em discussão podem fragilizar «direitos laborais conquistados, promovendo maior precarização»

Lisboa, 30 abr 2026 (Ecclesia) – A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) em Portugal assumiu “sérias preocupações” perante os problemas que os trabalhadores enfrentam “e enfrentarão”, numa mensagem por ocasião da celebração do 1.º de Maio.
“A realidade atual levanta sérias preocupações. Encontram-se em discussão propostas legislativas que sendo aprovadas fragilizarão direitos laborais conquistados, promovendo maior precarização e uma flexibilização dos horários de trabalho que dificulta a necessária conciliação com a vida familiar, o descanso e a participação cívica”, assinala a LOC/MTC, em nota enviada à Agência ECCLESIA.
A Liga Operária Católica acrescenta que essas tendências representam “um risco que não pode ser ignorado”, com especial relevância os mais fragilizados “como as mulheres, que continua a sofrer de discriminação salarial, e os imigrantes”.
Neste sentido, os Trabalhadores Cristãos em Portugal alertam para “um progressivo empobrecimento” de muitos trabalhadores, e a perda do poder de compra, “face ao aumento do custo de vida”, torna mais difícil assegurar “condições de vida dignas”.
“A evolução tecnológica está também a transformar profundamente o mundo do trabalho. Se, por um lado, abre novas oportunidades, por outro, pode acentuar desigualdades e concentrar ainda mais o poder económico e político num conjunto reduzido de organizações, afastando a pessoa do centro das decisões”, identificam ainda.
A LOC – Movimento de Trabalhadores Cristãos reafirma a importância de celebrar o 1.º de Maio como “compromisso renovado” com a dignidade do trabalho, e “memória das conquistas alcançadas pelos trabalhadores, e explica que neste Dia do Trabalhador 2026 são chamados a “estar atentos, a participar e a assumir a responsabilidade de defender um trabalho digno, humano, e ao serviço da pessoa”.
A mensagem, num plano global, lembra também que continuam os conflitos armados que causam “sofrimento e destruição”, e essas guerras “não servem os povos, nem os trabalhadores” respondem, “muitas vezes, a interesses económicos e estratégicos”.
“Perante este contexto exigente, a Boa Nova de Jesus Cristo continua a ser fonte de inspiração e esperança na construção de um mundo mais digno e mais justo. A LOC/MTC acredita que o seu projeto de justiça, fraternidade e dignidade deve ganhar expressão concreta também no mundo do trabalho”, desenvolvem os trabalhadores cristãos.
O movimento de pastoral operária da Igreja Católica em Portugal afirma que “o trabalho é uma dimensão essencial da vida humana”, é espaço de realização pessoal, de participação na sociedade, “de construção do bem comum”, e não é apenas “fonte de sustento”.
A mensagem cita também o Papa Leão XIV, o discurso aos representantes da Ordem dos Consultores do Trabalho da Itália, a 18 de dezembro de 2025: “Trabalhando, nos tornamos mais pessoa, a nossa humanidade floresce”.
A Igreja Católica celebra a 1 de maio, desde 1955, a festa litúrgica de São José Operário, como forma de associar-se à comemoração mundial do Dia do Trabalhador.
A celebração litúrgica de São José operário foi instituída no dia 1 de maio de 1955, pelo Papa Pio XII, diante de milhares de trabalhadores italianos: “Longe de despertar discórdia, ódios e violência, o 1.º de Maio é e será um recorrente convite à sociedade moderna a realizar aquilo que ainda falta à paz social”.
CB/OC
1.º de maio/Portugal: Juventude Operária Católica alerta para a precariedade laboral
