Organização católica, que angariou 2,3 milhões de euros, alerta para atrasos do Estado e seguradoras

Leiria, 30 abr 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Leiria alertou hoje que a lentidão nos apoios públicos e nas peritagens das seguradoras está a condicionar a aplicação do seu Fundo de Emergência Social, criado para ajudar as vítimas da tempestade Kristin.
Num ponto de situação divulgado três meses após a intempérie, a instituição católica revela ter angariado cerca de 2,3 milhões de euros, mas assume que “os apoios financeiros ainda não atingiram a dimensão prevista” devido a “constrangimentos” externos.
O fundo diocesano tem uma função complementar, pelo que a Cáritas se encontra com vários processos suspensos ou em análise enquanto aguarda o pagamento das seguradoras e a validação dos apoios do Estado geridos pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
Apesar das limitações legais, a organização já deliberou a atribuição de mais de 142 mil euros a 16 famílias (abrangendo 38 pessoas), destacando-se a população idosa como o grupo predominante entre os beneficiários.
A reparação e reconstrução de habitações absorveu a maioria desta verba, com cerca de 125 mil euros libertados.
O fundo suportou ainda o pagamento de rendas (4800 euros) para famílias cujas casas foram declaradas inabitáveis, além de reparações de bens móveis e despesas correntes.
Desde a sua criação, o fundo da Cáritas de Leiria-Fãtima instaurou 71 processos de candidatura, tendo recusado 16 por incumprimento dos critérios do regulamento interno.
Paralelamente à ajuda financeira, a organização mobilizou uma resposta de emergência alimentar que chegou a mais de 800 famílias afetadas, distribuindo mais de 360 toneladas de alimentos em articulação com os grupos sociocaritativos da diocese.
No documento, a instituição católica deixa um alerta perante a aproximação do próximo inverno, sublinhando que persistem “habitações com danos significativos ainda por reparar”.
A Cáritas diocesana pede igualmente que as entidades competentes não esqueçam o “impacto psicológico” gerado pela situação prolongada, exigindo respostas para a saúde mental das comunidades.
A tempestade Kristin, que atingiu o país no final de janeiro, provocou particular devastação nos dez municípios da região de Leiria, deixando um balanço de seis mortos, centenas de feridos e prejuízos globais estimados em centenas de milhões de euros.
OC
