Lisboa: «Missão agora» quer desenvolver processos e formar «discípulos missionários»

Cinco jovens protagonizaram primeira edição do projeto orientado pela oração, vida comunitária e fraterna, formação e missão

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 10 jul 2026 (Ecclesia) – Hugo Falcão Ramos, um dos cinco participantes no projeto «Missão Agora», desenvolvido pelo Patriarcado de Lisboa, explica estar a “colher frutos” da vivência de 50 dias na paróquia de Chelas, da desinstalação e abertura para o serviço e vivência em comunidade.

“Esta missão também foi muito para nós, no sentido em que nós vimos os frutos a acontecer em nós. Não que tenhamos feito nada de especial – nós fomos só cinco jovens com alguma alegria a tentar espalhar o Evangelho – mas parece-me importante, o construir Igreja. Não vivermos a nossa fé de forma individual, mas sim vivermos de forma comunitária. E eu acho que presenciamos isso”, conta o jovem de 27 anos à Agência ECCLESIA.

Durante 50 dias, entre a Semana Santa e o dia de Pentecostes, cinco jovens – Hugo, o Miguel, o Manuel, a Elisa e o Pedro – viveram comunitariamente no bairro em Chelas, inseridos na paróquia de São Maximiliano Kolbe, para concretizar o projeto «Missão Agora», desenvolvido pela Pastoral Juvenil, Pastoral Universitária e Pastoral Vocacional do patriarcado de Lisboa.

Susana Ferreira explica que o projeto nasce da vontade, pós Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, de “formar e enviar discípulos” e a missão “surgia como resposta”.

“Mais do que esta pastoral de eventos e de experiências, nós queríamos uma pastoral de um processo – de algo que se começa, que se vive, que se experiencia e isso leva tempo”, explica.

A partir de quatro pilares – a oração, a vida comunitária e fraterna, a formação e a missão – o projeto «Missão Agora» queria, “a partir dos jovens, dinamizar a Igreja de Lisboa”, reconhecendo o “impulso missionário” próprio dos jovens.

Três jovens juntaram-se à Elisa e ao Pedro – jovens que já residiam na comunidade de Chelas – e construíram comunidade: viveram juntos, partilharam tarefas, rezaram juntos e procuraram adequar a sua vida, alguns de estudantes, ao projeto e aos 50 dias.

Hugo Falcão Ramos, de entrava no projeto entre fases de vida, uma vez que finalizava os estudos e não tinha ainda entrado no mercado de trabalho – sublinha ter sido o tempo ideal para viver esta experiência.

“Estava um bocadinho à procura de alguma coisa que me cativasse e que me fizesse explorar mais a minha fé. Estava numa fase de transição da minha vida de transição e mesmo não sabendo como seria, fiz bem em ir”, resume.

Apoiar instituições para pessoas com deficiência, colaborar na Comunidade Vida e Paz, nos centros sociais e paróquias do bairro, participar em atividades paroquiais de oração e celebrações, auxiliar as Missionárias da Caridade, sediadas no bairro de Chelas, apoiar a loja social na distribuição de alimentos aos residentes, foram tarefas assumidas pelos missionários.

“Isto não é voluntariado, isto é missão. Eles não foram só ajudar a servir refeições, eles foram levar o abraço de Jesus, o amor de Jesus, através das refeições, por exemplo”, assinala Susana Ferreira.

Hugo Ramos explica ainda a coesão comunitária que encontrou e a forma como isso alterou a vida de uma pessoa, “nascida e criada em Lisboa que tinha estereótipos sobre aquele bairro”.

“Nós encontramos uma comunidade extremamente unida, e eu que tive algum contacto com diversas comunidades de Lisboa, nunca tinha presenciado uma comunidade tão unida que se conhecessem todos os outros, que fosse quase como uma família muito grande dentro da cidade”, assinala.

Susana Ferreira dá conta que em breve vão iniciar novo período de inscrições para dar continuidade ao projeto «Missão Agora», sempre a partir da realidade dos jovens, procurando que a formação aconteça durante o tempo de Advento – em dezembro – de forma a constituir uma nova comunidade de missionários que em 2027 realize missão “periferia” do patriarcado de Lisboa.

A conversa com Hugo Ramos e Susana Ferreira pode ser acompanhada no programa ECCLESIA; com emissão na RTP Antena 1, sábado às 06h00.

LS

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