Curso de Integração Missionária reuniu 37 formandos de 11 nacionalidades, em Fátima

Fátima, 01 ago 2026 (Ecclesia) – O padre Evaristo Kanyungu chegou a Portugal há nove meses, e a irmã Júlia Capela há seis anos, têm em comum a nacionalidade angolana e o Curso de Integração Missionária 2026 para “conhecer melhor” o país de missão.
“Eu vim para poder conhecer. Conhecer melhor a realidade portuguesa do ponto de vista social, do ponto de vista económico, mas sobretudo do ponto de vista religioso. Estamos numa realidade nova, apesar de sermos uma Igreja Universal, mas os contextos são sempre diferentes, tanto que é preciso conhecer para melhor evangelizar”, disse o sacerdote do Sumbe, que está ao serviço da Diocese da Guarda, esta sexta-feira, à Agência ECCLESIA.
A irmã Júlia Capela não teve oportunidade de frequentar a primeira edição do Curso de Integração Missionária (CIM), em 2024, e, apesar de estar em Portugal há seis anos, primeiro em Lisboa, quis frequentar esta formação para “perceber melhor a realidade da Igreja Portuguesa e da sociedade em geral”.
“Há dois anos que estou no Alentejo, no Concelho de Odemira, é uma realidade, mesmo do ponto de vista religioso, completamente diferente. No Alentejo, os homens não vão à igreja, não entram, mas quando há um funeral eles aparecem, quando vão levar as crianças à catequese não entram na igreja; então eu queria tentar perceber porquê, mas nunca tive uma resposta muito…”, explicou.
Segundo a religiosa das Irmãs Missionárias do Espírito Santo (Espiritana) este curso esclareceu-a, “a evangelização não foi feita assim como devia ser no princípio, e isso vai passar de geração em geração”, por isso, devem começar a “aproveitar” momentos como as procissões, os funerais, para “tentar evangelizar, falar deste Jesus”, da fé, que “deve ser vivida em comunidade”. Não só uma fé, deve ser vivida em comunidade.
O Curso de Integração Missionária, dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) em Portugal, destina-se à formação de missionários estrangeiros ou para quem regressa ao país, esta segunda edição realizou-se de 27 a 31 de julho, começou segunda-feira e terminou hoje, no Centro Missionário Allamano, em Fátima.
O padre Evaristo Kanyungu, de 31 anos de idade, veio da Diocese angolana do Sumbe como missionário e para “formação específica”, e chegou há nove meses a Portugal, assinalados esta sexta-feira, 31 de julho: “têm sido momentos de experiência, de aprender a cultura do povo, aprender a maneira de celebrar, mas, de modo geral, os nove meses têm sido um momento de graça”.
“Na Guarda sou vigário paroquial, não de uma, mas de 14 paróquias, também uma realidade nova para mim. Durante toda a minha vida trabalhei no seminário com seminaristas; de facto assustei, assustei tendo em conta que nós somos frutos também do ambiente em que viemos”, partilhou.
Os entrevistados são dois dos 37 formandos do CIM 2026, de 11 nacionalidades, e, para o padre Evaristo Kanyungu, “apesar de oito meses na missão, a formação foi proveitosa”, porque, de certo modo, “vivia a prática e, muito do que vivia, não encontrava resposta”, e encontrou resposta no Curso de Integração Missionária.
“Estou satisfeito, e saio daqui com muita bateria, saio daqui com muito conteúdo para poder alegremente avançar para a missão”, acrescentou o sacerdote missionário na Guarda.
A irmã Júlia Capela realça que se uma pessoa não conhecer a realidade “é capaz de entrar em desânimo, até mesmo em depressão”, por isso, leva desta formação que deve “viver a missão na serenidade”.
“Devo habitar a missão, não ocupar a missão, mas habitar a missão e torná-la fecunda. Torná-la fecunda à luz do Evangelho”, acrescentou a religiosa Espiritana, antes da Missa de encerramento, presidida pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização da CEP.
O padre Eduardo Ferreira, missionário espiritano e membro da equipa organizadora do CIM, adiantou à Agência ECCLESIA que vão sugerir aos IMAG que o curso “deve continuar”, com a periodicidade de “dois em dois anos”, porque se ajudarem “uma pessoa a fazer uma boa integração em Portugal, na Igreja e na cultura portuguesa, já vale a pena”.
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