Igreja/Música: «Cantar ou animar pessoas a cantar é sempre bom», diz padre João Caniço, que celebra 60 anos de direção coral

Aniversário vai ser comemorado com um concerto na igreja do Colégio São João de Brito, em Lisboa

Lisboa, 10 jul 2026 (Ecclesia) – O padre João Caniço, de 83 anos, recorda hoje, no programa Ecclesia, o percurso ligado à música, que inclui a direção de coros que iniciou há 60 anos e que assume em Portugal e que exerceu também em Timor-Leste e Angola.

“Para mim, cantar ou animar pessoas a cantar é sempre bom. Felizmente, com a idade que tenho hoje, mantenho uma certa facilidade ainda e, por isso, vou fazendo o que posso”, afirmou o sacerdote jesuíta.

O caminho como maestro começa em 1965, quando em Braga dirige um coro de estudantes da Faculdade de Filosofia, seguindo-se o estágio de magistério em Timor-Leste, onde foi professor de música durante três anos.

“Além disso o seminário em Díli tinha também a missão de cobrir todas as solenidades da catedral, e portanto onde fosse o bispo, alguma solenidade, nós tínhamos de acorrer lá, portanto a atividade musical era bastante grande, bastante grande”, expressa.

Em Lisboa, o padre João Caniço estudou Filosofia e serviu a igreja dos Anjos, onde fundou um coro, tendo também colaborado na Basílica da Estrela, que criou também um grupo musical.

Ao fim destes anos todos, são 37 os discos gravados, com diferentes orquestras, organistas e coros: “Olhando para trás, nem quero acreditar”, assinalou o sacerdote.

O percurso do padre João Caniço passa também pela direção de coros da Rádio Renascença, com o primeiro deles a ser inicialmente formado por mais de 100 pessoas, fixando-se depois na casa dos 80, com atuações pelo país.

Passados dois ou três anos, o sacerdote conta que os elementos do coro manifestaram a intenção de ver os filhos a enveredar pela música.

“Fundou-se um coro infantil que teve duas partes”, explica o maestro, sendo que uma delas era constituída por crianças do 1º ao 4º ano e outra formada por menores do 4º ao 6º anos.

“Eram 40 crianças em cada um [dos coros], davam 80”, lembra.

O padre João Caniço dá conta que esteve a liderar o coro adulto durante 14 anos e o coro infantil durante 12, mas depois da sua ida para África como missionário deixaram de existir, uma vez que as pessoas que os ficaram a dirigir não conseguiram dar-lhes continuidade.

“Em Angola, constituí um coro na universidade, onde eu era assistente eclesiástico, era professor também de lá de uma cadeira”, relatou.

No regresso à capital portuguesa, a ligação à música não desapareceu, bem como a missão de maestro.

“Fundámos no Colégio São João do Brito, com o apoio dos jesuítas e da direção do Colégio, este Coro de Santo Inácio que ainda vive”, testemunhou.

Para assinalar o 60ºaniversário de direção coral do padre João Caniço, está a ser promovido um concerto que se realiza este sábado, pelas 16h.

A igreja do Colégio São João de Brito, em Lisboa, vai receber o espetáculo, em que vai ser apresentada a Oratória (género musical dramático) de Jefté de Giacomo Carissimi, para coro de seis vozes, quatro solistas e órgão.

Olhando para a música litúrgica e coral no tempo atual, o padre João Caniço fala num “tempo bom”, com menos pessoas a cultuá-la, mas de forma “mais profunda” e abrangente.

“A nível da Igreja, lamento que eu e os meus colegas não tenhamos podido aguentar o passo e, portanto, nos seminários, incrivelmente, decaiu. Era a grande escola de música que a Igreja tinha e os seminários abdicaram de uma maneira incrível”, destacou.

“O próprio Papa João Paulo II escreveu ainda um documento muito forte contra, mas a corrente ia noutro sentido e foi, de facto, este documento não foi ouvido”, recordou.

Ainda assim, o padre João Caniço valoriza o trabalho levado a cabo pelo Secretariado Nacional de Liturgia: “Merece todas as palmas”.

Sobre novas criações musicais que surgem iniciadas pelas novas gerações, como o LabOratório dos Jesuítas, o padre João Caniço reconhece o esforço.

“Não é a música, digamos, tradicionalíssima da Igreja, mas também não é a música que eu entendo que vai alimentar a liturgia. Estamos num tempo de uma procura muito grande e portanto todos os valores que vêm são valores que é necessário aproveitar e dar as mãos a todas elas”, sublinhou.

O padre João Caniço nasceu a 27 de outubro de 1942 e foi ordenado sacerdote a 19 de junho de 1973, aos 30 anos, comemorando em 2026 o 53º aniversário de ordenação presbiteral.

PR/LJ/OC

Partilhar:
Scroll to Top