Lampedusa: Papa pede «coração» nos gestos de acolhimento e homenageia Francisco

Leão XIV iniciou visita pastoral à ilha italiana com oração no cemitério e encontro com sobreviventes do Mediterrâneo

Foto: Lusa/EPA

Lampedusa, Itália, 04 jul 2026 (Ecclesia) – O Papa iniciou hoje a sua visita pastoral à ilha italiana de Lampedusa com uma homenagem aos migrantes falecidos e a bênção de uma placa que atribui ao histórico cais de desembarque o nome de Francisco.

“Este é um lugar em que, mais do que as palavras, falam os gestos. Mas os gestos, para serem humanos, precisam de um coração”, referiu Leão XIV, na primeira intervenção da viagem desta manhã.

Após aterrar na ilha italiana pelas 9h00, o pontífice deslocou-se ao cemitério local para depositar uma coroa de flores nas sepulturas de vítimas das travessias no Mediterrâneo, dirigindo-se depois à “Porta d’Europa” para um breve encontro com uma família de migrantes, que o acompanhou até ao monumento de mãos dadas.

Antes, o pequeno Teo, que está em Lampedusa há 10 anos, leu uma mensagem ao Papa, mostrando-se “emocionado”.

“Dizem-me que deixei de chorar só quando me deram uma bola de papel; desde esse dia, a bola ficou no meu coração e nunca mais deixei de brincar. Espero muito que esta bola que te ofereço agora possa chegar a outra criança e fazê-la feliz, tal como eu”, disse, numa nota divulgada pelo Vaticano.

Já no “Molo Favaloro”, principal ponto de chegada das operações de resgate, Leão XIV abençoou a nova toponímia do cais, dedicada ao seu predecessor, e saudou um grupo de sobreviventes acompanhados por equipas da Cruz Vermelha.

A chegada ao campo desportivo “Arena”, na localidade de Salina, marcou o primeiro momento de discursos oficiais, com o Papa a sublinhar que a homenagem a Francisco é o reflexo do vínculo estabelecido com a comunidade desde 2013.

“O Papa [Francisco] esteve perto de vós neste tempo tão exigente para todos. E hoje estou aqui para vos dizer que o Papa continua a acompanhar-vos, a sustentar-vos e a encorajar-vos”, declarou.

Leão XIV desejou que, com a força da mensagem cristã, “o mundo de hoje e de amanhã seja mais humano, para todos”.

O presidente da Câmara de Lampedusa, Filippo Mannino, deu as boas-vindas ao Papa, classificando a sua presença como um “dom”, uma “carícia fraterna” e uma responsabilidade para a comunidade local.

O autarca sublinhou que, apesar da sua reduzida dimensão, a ilha carrega “grandes questões, feridas profundas e esperanças alegres que pertencem ao mundo inteiro”.

Filippo Mannino entregou simbolicamente ao pontífice a “luz do farol”, recorrendo a esta imagem para definir a identidade de Lampedusa perante a crise migratória.

“O farol não faz barulho. Não julga. Não escolhe quem iluminar. Fica aceso na noite, indica um caminho, acompanha quem procura uma margem, recorda que ninguém se deveria sentir perdido na escuridão”, indicou o presidente do município.

O autarca pediu uma bênção papal para as crianças, idosos, trabalhadores do mar, equipas de salvamento e, de forma particular, para “quem chega, quem parte e quem nunca voltou”.

A visita de Leão XIV evoca a primeira viagem apostólica do Papa Francisco, realizada a 8 de julho de 2013.

O programa da deslocação encerra-se com a celebração da Missa.

OC

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