Jerusalém: Patriarca perspetiva «Páscoa discreta» e afasta cenário de tensão em bloqueio policial no Santo Sepulcro

Cardeal Pizzaballa presidiu a oração no Monte das Oliveiras

Jerusalém, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O patriarca latino de Jerusalém presidiu hoje a uma oração no Getsémani, no sopé do Monte das Oliveiras, perspetivando uma Páscoa discreta após a polícia israelita ter bloqueado o seu acesso à Basílica do Santo Sepulcro.

“Bem, os acontecimentos desta manhã são importantes, sim, mas temos de pensar no contexto geral: há pessoas que estão muito pior do que nós, que não podem celebrar por motivos muito diversos; por isso, o que quero dizer é que sim, celebramos mais uma vez uma Páscoa discreta”, assinalou o cardeal Pierbattista Pizzaballa, em declarações à TV 2000, canal de televisão da Conferência Episcopal Italiana

O responsável esclareceu o incidente matinal com as autoridades de segurança, afastando qualquer tipo de conflito.

“Devo dizer que não houve confrontos, tudo foi feito de forma muito educada; não quero forçar a situação, queremos aproveitar esta situação para tentar esclarecer melhor nos próximos dias o que fazer, respeitando a segurança de todos, naturalmente, mas também respeitando o direito à oração”, precisou.

O responsável explicou a existência de uma falha de comunicação face às ordens de segurança focadas na interdição de ajuntamentos em locais sem abrigos de proteção.

“Não pedimos nada de público, apenas uma pequena cerimónia privada para preservar a ideia da celebração do Santo Sepulcro, mas, ao que parece, havia certas questões em mente, não nos compreendemos mutuamente e foi isso que aconteceu”, assinalou.

A tarde de Domingo de Ramos prosseguiu com a oração nos arredores da cidade velha, marcada pela ausência da tradicional procissão.

“É a guerra que interrompeu a nossa jornada festiva, tornando difícil até mesmo a simples alegria de seguir o nosso Rei”, disse o patriarca, na reflexão que proferiu durante a celebração no Getsémani.

A meditação destacou a necessidade de aceitar a contradição inerente a um lugar marcado em simultâneo pela ressurreição e pelo ódio.

“Viver a fé nesta terra significa aceitar a contradição que ela encarna: o lugar da ressurreição é também o lugar do Calvário; o lugar do abraço de Deus ainda está marcado por demasiado ódio”, indicou.

A mensagem sublinhou que a harmonia proposta por Cristo exige um compromisso ativo com a superação da violência.

A paz que Jesus oferece não é um frágil acordo entre inimigos, mas uma paz nascida da cruz – uma paz que vem de um Deus que se entrega completamente e não precisa de força nem de armas.”

O responsável católico encerrou a intervenção apelando à edificação da harmonia através do testemunho e das relações interpessoais.

“Não agitamos ramos de oliveira; antes, escolhemos tornar-nos construtores de reconciliação, através de cada gesto, cada palavra, cada relação”, disse.

No Vaticano, o Papa recordou esta manhã os cristãos que estão impedidos de celebrar a Semana Santa, devido à guerra.

OC

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