Viseu: Bispo pede oração pelo desarmamento e critica falta de diálogo entre nações

«Vemos com preocupação a vida das pessoas, que diariamente continuam da linha da frente dos combates» – D. António Luciano

Foto: Diocese de Viseu

Viseu, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Viseu presidiu hoje à Missa de Domingo de Ramos, apelando a um compromisso ativo pela paz e denunciando as divisões, a violência e a falta de consenso entre os líderes mundiais.

“Olhando para o cenário global do mundo de hoje, marcado por divisões, violência e sofrimento, guerras sangrentas e falta de diálogo e consenso entre os responsáveis dos povos, vemos com preocupação a vida das pessoas, que diariamente continuam da linha da frente dos combates”, referiu D. António Luciano, em homilia enviada à Agência ECCLESIA.

O responsável diocesano desafiou a Igreja a assumir o seu papel num contexto global fraturado.

“Como Igreja somos chamados a ser instrumentos de paz, de reconciliação, de serviço e de compaixão junto daqueles que sofrem tão horrendos males”, apontou.

O prelado apelou à oração pelo fim da guerra e pelo desarmamento entre os povos, recordando ainda as vítimas colaterais dos conflitos.

Como consequências desta guerra, não podemos esquecer todos aqueles que são vítimas da fome, da miséria, da doença e da falta de bens essenciais para a vida.”

A liturgia de Domingo de Ramos, que evoca a entrada de Jesus em Jerusalém, teve início no Adro da Sé com a bênção dos ramos e prosseguiu em procissão até ao interior da Catedral.

Refletindo sobre o relato da Paixão, o bispo de Viseu sublinhou que a cruz não é apenas um sinal de suplício, mas um chamamento ao serviço e ao cuidado pelo próximo.

“Cada gesto de amor, cada ato de perdão, de acolhimento e de serviço humilde aos irmãos torna presente a Paixão de Cristo no mundo de hoje”, afirmou.

D. António Luciano explicou que as escolhas difíceis do quotidiano integram a vivência da fé cristã.

“Cada vez que escolhemos fazer o bem, mesmo quando nos custa, estamos a percorrer com Ele o caminho da cruz que nos conduz à luz da Ressurreição”, apontou.

A homilia alertou para a efemeridade das aclamações da multidão que, em poucos dias, passou do júbilo à rejeição e condenação de Cristo.

O bispo de Viseu concluiu a celebração convidando os católicos a não ficarem apenas “à porta de Jerusalém, com ramos nas mãos”, mas a acompanharem Jesus até à cruz.

A Igreja Católica inicia, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.

OC

Partilhar:
Scroll to Top