António José Seguro sublinha «importância do diálogo, da contenção e do respeito mútuo»

Lisboa, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O presidente da República e o Governo português condenaram hoje a ação da polícia israelita que impediu o patriarca latino de Jerusalém de celebrar a Missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro.
“O presidente da República tomou conhecimento, com profunda preocupação, do impedimento imposto pelas autoridades israelitas ao Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, de celebrar a missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro, situação sem precedentes em séculos recentes”, refere uma nota divulgada por António José Seguro.
A nota oficial divulgada pelo chefe de Estado classifica o episódio como um ataque ao “princípio universal” da liberdade religiosa.
“O presidente da República manifesta a sua firme reprovação por este impedimento, que considera injustificado e contrário aos compromissos internacionais de proteção da liberdade religiosa”, pode ler-se na declaração enviada aos jornalistas.
Portugal acompanha com atenção a situação em Jerusalém e apela ao respeito integral pelos direitos das comunidades religiosas, bem como à preservação do acesso livre e seguro aos lugares santos, que pertencem ao património espiritual da humanidade.
António José Seguro sublinha “a importância do diálogo, da contenção e do respeito mútuo, como caminhos indispensáveis para a paz, a estabilidade e a dignidade humana na região”.
A posição da Presidência da República acompanha a declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que apelou à garantia da liberdade de culto na região.
“O impedimento do acesso do cardeal Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, à igreja do Santo Sepulcro para as celebrações do Domingo de Ramos, que seriam apenas retransmitidas, merece a mais firme reprovação”, refere a do Ministério dos Negócios Estrangeiros, liderado por Paulo Rangel, numa nota publicada na rede social X.
O Executivo português apelou ainda a Israel para que garanta e pratique “a liberdade de religião e de culto”.
O cardeal Pierbattista Pizzaballa e o padre Francesco Ielpo foram detidos pela polícia israelita quando se dirigiam a título privado para a Basílica do Santo Sepulcro, tendo sido forçados a retroceder.
O Patriarcado Latino denunciou que, “pela primeira vez em séculos”, os líderes católicos foram impedidos de celebrar a liturgia de Ramos no local.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou a proibição “uma ofensa não só para os crentes, mas para toda a comunidade que reconhece a liberdade religiosa”.
Em Roma, o Governo italiano convocou o embaixador israelita para prestar esclarecimentos, adiantou o portal de notícias do Vaticano.
O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou o seu apoio aos representantes cristãos e denunciou “o preocupante aumento das violações do estatuto dos locais sagrados em Jerusalém”.
Também o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, classificou a ação como um “lamentável abuso de poder”, lembrando que a comitiva do cardeal Pizzaballa era composta por apenas quatro pessoas.
As críticas estenderam-se ao Governo da Jordânia e ao Parlamento alemão, onde o presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros apelidou o caso de “pura perseguição”.
O Governo israelita justificou o bloqueio com os condicionalismos ditados pelo exército, falando em “medida de precaução face a possíveis ataques iranianos”.
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sustentou que a decisão foi ditada pela preocupação com a segurança e prometeu um plano para permitir as celebrações no Santo Sepulcro.
Paralelamente, o presidente de Israel, Isaac Herzog, telefonou ao cardeal Pizzaballa para expressar o seu “profundo pesar”, reiterando o compromisso do Estado com a liberdade religiosa.
OC
Notícia atualizada às 20h50
