D. Virgílio Antunes defende políticas que ajudem as famílias, rejeitando aproveitamento político dos protestos
Lisboa, 15 out 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apelou hoje à adoção de medidas legislativas para responder à crise da habitação e à precariedade laboral que afetam a vida das famílias, rejeitando o aproveitamento político dos protestos.
“Nós todos desejamos que esta questão da habitação não seja um tema simplesmente para levantarmos bandeiras, mas que seja uma questão a ser tratada devidamente na Europa”, afirmou D. Virgílio Antunes, em declarações à Agência ECCLESIA e à Renascença, no regresso de uma cimeira internacional no Vaticano.
O responsável católico sublinhou que “a família, na conceção mais habitual, supõe a vida em comum e supõe casa”, considerando “fundamental” a resposta a um problema agravado pelo aumento populacional e pelas migrações.

“Hoje exige-se um tipo de habitação que seja condigna, que tenha as condições adequadas para as pessoas se desenvolverem adequadamente, tanto do ponto de vista humano, como psicológico, como nas suas próprias relações”, declarou o bispo de Coimbra, na sede da CEP.
Questionado sobre os recentes protestos pelo direito à habitação e os confrontos registados no Porto, o presidente do episcopado português evitou comentar a atuação policial, mas afastou a “tentação de estar a colar a Igreja a esta perspetiva, a esta frase ou a este movimento”.
“Estamos descolados de todos e, portanto, não é por aí”, referiu D. Virgílio Antunes, admitindo que “não é possível, de um dia para o outro, resolver questões com um alcance como este”, o que reclama a atenção de todas as instituições com “os meios possíveis”.
O responsável participou no encontro ‘Dez anos após Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje’, que reuniu no Vaticano, de 7 a 14 de outubro, os chefes das Igrejas Orientais e os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo.
A respeito das partilhar apresentadas nestes dias, o bispo de Coimbra apontou que o prolongamento dos estudos, a falta de “um emprego estável”, a mobilidade e a dificuldade no acesso à casa “ajudam a explicar alguma parte deste fenómeno, ou do não casamento, ou do adiar, ou mesmo das não relações estáveis”.
O presidente da CEP contrastou o adiamento do matrimónio civil e católico no mundo ocidental com a realidade vivida em regiões de África, “onde o grande problema é os adolescentes chegarem ao casamento muito cedo”.
“Os Estados e os governos e as pessoas que têm responsabilidade social também podem fazer muito mais, do ponto de vista legislativo, para ajudar as famílias, nestas diferentes circunstâncias, a encontrarem o modo mais adequado para levar por diante um projeto”, sustentou o bispo de Coimbra.
Numa mensagem divulgada no fecho dos trabalhos, esta quarta-feira, Leão XIV prometeu apresentar reflexões sobre este encontro e apelou diretamente ao protagonismo das famílias nas dioceses.
OC
