Padre Alberto Vieira, missionário comboniano, realça que «a maioria» dos seus colegas moçambicanos «tem menos de 37 anos», já «nasceram depois de estar» neste país lusófono

Lisboa, 15 out 2026 (Ecclesia) – Os jornalistas Henrique Matos e Tiago Azevedo Mendes acompanharam a ‘reconfiguração’ da missão em África, ao longo de quase três semanas, na reportagem realizada em Moçambique com o Missionários Combonianos que estão a comemorar 80 anos neste país lusófono.
“A missão, ao longo das décadas, até de séculos, configurou-se num estilo de presença do europeu que ia numa missão muito centrada no desenvolvimento de infraestruturas, na promoção de dignidade humana, direitos cívicos, e, entretanto, algumas dessas coisas foram conseguidas, isso impactou também nas próprias populações locais, e resultou em vocações”, explicou Henrique Matos, na manhã desta quinta-feira, 15 de outubro, no Programa ECCLESIA, transmitido na RTP2.
O jornalista acrescentou que “o fruto dessas vocações” são sacerdotes, missionários, que estão a assumir “a missão, e que já a dividem em conjunto com os missionários europeus, que são cada vez menos”, e estão a terminar a sua presença por ali.
“A missão já mudou, já não é aquela que eu encontrei há 30 anos. Quando cheguei pela primeira vez a Moçambique eram todos italianos, portugueses, espanhóis, brasileiros; Agora, graças a Deus, estamos a ver o sonho do nosso fundador que se está a cumprir, são todos provenientes do continente africano”, explicou o padre Máximo Robol, missionário em Nampula, no norte de Moçambique, à Agência ECCLESIA.
O padre Alberto Vieira realçou que “a maioria” dos seus colegas moçambicanos “tem menos de 37 anos”, isto é, já “nasceram depois de estar” neste país lusófono.
Henrique Matos afirma que “reconfiguração” é o termo para esta realidade da missão, o jornalista e o repórter de imagem Tiago Azevedo Mendes acompanharam o trabalho dos Combonianos em Moçambique, neste “momento de reconfiguração da missão”, e recorda que o fundador deste instituto missionário, São Daniel Comboni, queria “salvar a África com a África”, “uma máxima e um desejo que o orientou toda a vida.
Segundo Henrique Matos, esta situação de reconfiguração dá-se em “qualquer país africano”, e explica que nas comunidades missionárias não encontraram “apenas os moçambicanos, mas africanos”, originário do Benin, do Congo, do Quénia, que é também uma “marca, o modo de fazer missão hoje em dia”, e um trabalho “feito desde o período de formação, o saber estar com a diferença”.
Neste contexto, o jornalista assinala ainda que agruparem “dois, três, quatro países” numa só província religiosa, quando normalmente correspondiam a um país, “é transversal à quase totalidade das congregações religiosas”, o que traz desafios, como “desenhar um plano de ação comum a todos”.
A marca social da missão, que os europeus levaram para África, “permanece, é uma necessidade que subsiste”, salienta o jornalista da Ecclesia, que identificou “sensibilidades diferentes”, o atual clero “são agentes de pastoral que conhecem o povo”, mas “não terão tanta capacidade para serem construtores de infraestruturas”, até porque “os missionários europeus tinham bons contactos com financiadores, pessoas ajudavam as missões”.
O Programa ‘70*7’ deste domingo, 18 de outubro, quando a Igreja Católica celebra o centésimo Dia Mundial das Missões, parte da reportagem realizada com os Missionários Combonianos em Moçambique, a partir das 13h30, na RTP2
“Vai incidir no testemunho dos que pegam agora na missão, as suas esperanças e os seus receios, e a dificuldade de sair também a quem se gastou ali toda uma vida naquele meio de evangelização”, adiantou Henrique Matos.
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