Presidente da CEP, de regresso do Vaticano, desejou «restabelecimento rápido e total» de Leão XIV

Lisboa, 15 out 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) afirmou hoje que a Igreja Católica tem de “verdade” e “misericórdia, na pastoral familiar, assumindo o impacto da ausência do Papa no final do encontro mundial que este convocou.
“O facto de não estar na Missa [14 de outubro] e não estar naquela sessão de encerramento final deixou-nos uma sensação não só de vazio, mas de alguma tristeza, porque todos queremos, tanto aqueles que estavam ali, como a Igreja no mundo e a comunidade humana, que o Papa tenha saúde para levar por diante uma missão que ainda há tão pouco tempo começou”, disse D. Virgílio Antunes à Agência ECCLESIA e à Renascença, no regresso de uma cimeira no Vaticano dedicada aos 10.º aniversário da exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’.
O bispo de Coimbra representou o episcopado português no encontro ‘Dez anos após Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje’, que reuniu no Vaticano, de 7 a 14 de outubro, os chefes das Igrejas Orientais e os presidentes das conferências episcopais.
Sobre o impacto da cirurgia pulmonar de Leão XIV na agenda internacional e numa eventual visita a Fátima em 2027, o responsável católico defendeu que o foco atual deve ser o “restabelecimento rápido e total” do pontífice.
“Tudo o resto há de vir depois, não é preciso estarmos nem com pressões, nem a fazer prognósticos antecipados”, declarou o bispo de Coimbra, recordando que a presidência da CEP já reforçou o convite ao Papa e aos responsáveis da Secretaria de Estado numa audiência privada no final de agosto.
No balanço dos trabalhos sobre a exortação apostólica de Francisco, publicada em 2016, D. Virgílio Antunes assinalou que “há muito trabalho por fazer” nas dioceses e que a reflexão não se pode afunilar no oitavo capítulo do documento, relativo à integração dos divorciados recasados.
“Uma das expressões importantes é que a verdade acerca da família tem de compaginar-se com a misericórdia e com o acompanhamento de todas as famílias que precisam de algum suporte, de algum sustento, de algum amparo”, sublinhou o presidente da CEP.
O entrevistado apontou que a principal mudança introduzida pelo documento há uma década “foi deixar pura e simplesmente de fazer considerações genéricas, globais, e passar a olhar para as realidades que se vivem”, incluindo “aquelas que são mais dolorosas, dramáticas e até contrárias, podemos dizer, em alguns casos, à doutrina da Igreja”.
“A Igreja não mudou quanto à sua doutrina acerca de muitas realidades e também não mudou no que diz respeito à família, a família constituída por homem e mulher, a dimensão da indissolubilidade, a comunidade de vida e amor”, precisou o bispo de Coimbra, acrescentando que essa matriz “não pode impedir, pelo contrário, de se perceber o que se passa nas famílias” dos vários continentes.
D. Virgílio Antunes defendeu que “a Igreja tem de ser perita em misericórdia” e indicou que “o Evangelho sempre propõe caminhos, nunca diz às pessoas ‘tu estás aí, fica onde estás’”, puxando para cima “no sentido da esperança que as pessoas precisam”.
O responsável referiu ainda que a Comissão Episcopal do Laicado e Família, em Portugal, fez um levantamento sobre a receção da ‘Amoris Laetitia’, constatando um trabalho “às vezes um pouco ainda invisível, pouco conhecido”, em várias áreas.
O bispo de Coimbra apelou a que as famílias cristãs assumam “um papel ativo, não só na vida da Igreja, mas também na sociedade e também na relação com outras famílias, porventura, em situações mais complexas”.
Numa mensagem divulgada no fecho dos trabalhos, esta quarta-feira, Leão XIV prometeu apresentar reflexões sobre este encontro e pediu diretamente ao protagonismo das famílias nas dioceses.
OC
