Igreja/Missão: «O Evangelho tem uma proposta de sociedade que é assente na abertura a Deus e, ao mesmo tempo, na centralidade do ser humano» – D. Rui Valério

Neste Dia Mundial das Missões é nosso convidado o patriarca de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização

Entrevista conduzida por Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

 

Começamos, naturalmente, pela atualidade no Vaticano: como é que está a acompanhar a situação de saúde do Papa?

Em relação à atitude que assumimos para com o Santo Padre, neste momento de alguma vulnerabilidade e fragilidade, antes de mais é necessário referir que o fazemos com um profundo, enorme e intenso sentido de comunhão. Ou seja, estamos com o Santo Padre, temo-lo presente na nossa oração e estamos todos – para usar aqui uma palavra muito querida aos adeptos do futebol – a torcer para que ele rapidamente regresse ao seu quotidiano, à sua normalidade, à sua vida habitual; ao mesmo tempo, acompanhamos a situação com proximidade, com comunhão e com grande confiança e serenidade.

O Santo Padre, pelo facto de ser um homem com uma profunda e intensa vivência espiritual, logo aí vai encontrar aquelas forças interiores indispensáveis para superar e viver estes momentos, que certamente serão momentos com alguma dor. A vida espiritual permite-nos contemplar e vislumbrar horizontes sempre positivos, sempre melhores: para o cristão, o futuro, o amanhã, é exatamente preenchido pela plenitude de vida e pela bem-aventurança.

 

Temos visto também muitas iniciativas de oração – no Santuário de Fátima, a 13 de outubro, e aqui em Lisboa também, na noite de dia 14. É alguém “da família, como chegou a dizer?

Precisamente. Aliás, posso aqui testemunhar o que aconteceu nessa vigília de oração, onde repetidamente frisámos que não estávamos apenas a rezar pelo Santo Padre, mas estávamos a rezar com ele e por ele. Porquê? Porque, conhecendo um pouco a espiritualidade, a vida e a sensibilidade do Santo Padre, este momento de vulnerabilidade, de recuperação, de doença, de hospitalização, ele não o está a viver de uma forma individual ou individualista; está a vivê-lo com um sentimento profundo de comunhão ainda mais intensa com todos aqueles que vivem situações parecidas ou, porventura, ainda mais críticas. E, por isso, é maravilhoso que nós, como família que somos, a Igreja, possamos rezar uns pelos outros e uns com os outros.

 

Os convites formais para uma visita a Portugal sabemos que já foram feitos. Acredita que, se tudo correr bem neste processo clínico, o Papa virá a Fátima no próximo ano, pelos 110 anos das Aparições?

Se eu até aqui tinha um pressentimento positivo relativamente à vinda do Santo Padre, em virtude deste acontecimento essa convicção saiu reforçada, porque façamos memória de que São João Paulo II, um ano depois do fatídico atentado na Praça de São Pedro, veio a Portugal para agradecer a Nossa Senhora a recuperação [13 de maio de 1982].

Um ano depois – ou, se não for exatamente nos 12 meses, pelo menos a posteriori –, o Papa Leão XIV virá a Portugal para agradecer a Nossa Senhora de Fátima a recuperação – que foi maravilhosa, em que correu tudo bem e que lhe restituiu a saúde normal –, mas também para agradecer a toda a comunidade cristã por esta proximidade e pela comunhão que manifestou para com ele.

 

E também deu entrada na clínica no dia 13 de outubro…

Há aqui diversas coincidências; quem acredita sabe que nada é por acaso. Eu recordo-me, e tenho ainda muito vivo, o nosso sentimento no passado dia 13 de outubro, quando a Igreja, no Santuário de Fátima precisamente, estava unida ao Santo Padre para elevar ao alto orações de súplica, orações de petição: sentíamos que esta circunstância temporal encerrava em si uma mensagem positiva e de esperança. E, portanto, sim, nada é por acaso, tudo tem um significado.

 

Celebramos o 100.º Dia Mundial das Missões, uma data muito significativa para esta dimensão constitutiva das comunidades católicas. Na mensagem em vídeo que gravou previamente para este domingo, Leão XIV recorda o tempo em que ele próprio foi missionário no Peru. Este apelo que o Papa faz à unidade na evangelização ganha um peso maior vindo de alguém que tem grande conhecimento do terreno?

Ganha um peso acrescido, sai reforçado, porque ele fala não de cátedra, mas a partir de uma experiência vivida no terreno. Esse apelo à união, que o Santo Padre, aliás, até colocou no lema e no título da mensagem, pede-nos e desafia-nos a refletir sobre a nossa casa comum, sobre o facto de que o ser humano é uma família única, em que, independentemente das tradições, do país e das nações, e da identidade própria de cada nacionalidade e de cada pessoa, a verdade é que há um momento, há uma essência em que todos nós somos um.

E o Santo Padre remete para a figura de Cristo exatamente a força desta unidade. Mas, se me permite acrescentar um ponto que acho que não é irrelevante, o Santo Padre é fascinado pela unidade: não só pela unidade entre os povos, entre as pessoas, mas também pela unidade entre as diversas dimensões da vida.

E é por isso que, na senda, aliás, do Papa Francisco, de Bento XVI, de São João Paulo II, de São Paulo VI, ele considera que a própria missão é inclusiva de diversas dimensões. A evangelização, para o Papa Leão XIV, significa o anúncio explícito de Jesus Cristo, a sua apresentação, levar o Evangelho, mas, ao mesmo tempo e paralelamente, a promoção da justiça, a acérrima defesa da paz, e assim sucessivamente.

 

Durante décadas, falar de missão era quase sempre – e pensamos assim ainda hoje – falar em partir para terras distantes, mas os bispos afirmam que hoje Portugal também é terra de missão. A vida mudou muito, podemos dizer que Portugal está a colher frutos também daquilo que semeou pelo mundo?

Um dado histórico: nos anos 30 do século XX surgiu em França um livro que na época criou algum burburinho e algumas observações menos positivas, cujo título era França, terra de missão. A sociedade estava habituada a dizer “França, terra de missionários”. Dito isto e esclarecida esta premissa, o mundo mudou de tal maneira que hoje o mundo inteiro está em cada cidade, em cada vila e em cada aldeia. Está ali presente o mundo inteiro.

 

Sim, Lisboa é um excelente exemplo disso…

Todo o território nacional. Conheço, por exemplo, instituições, nomeadamente empresas, que, de um mês para o outro, ou de um dia para o outro, começaram a ser frequentadas e a contar com a presença de várias nacionalidades, às vezes até chegando à dezena. Pessoas oriundas de dez países diferentes que estão a trabalhar em empresas, em instituições onde tradicionalmente estavam apenas as pessoas ali da terra. Mas Portugal, concretamente, tornou-se terra de missão antes de mais por este motivo e por esta razão.

Ou seja, nós, internamente, estamos a ser habitados por pessoas oriundas de diversas geografias – repito, de diversas proveniências –, cada uma com a sua riqueza, com a sua identidade própria, e aqui a evangelização tem de começar por ser uma atitude: uma atitude de acolhimento, de escuta, de disponibilidade, uma atitude hospitaleira. Sem esta etapa, tudo o resto é um edifício que não se ergue.

Em segundo lugar, importa que desta atitude de acolhimento, de relação e de diálogo venha a surgir qualquer coisa de novo; e este algo de novo é reafirmar o que desde sempre foi válido, ou seja, esta centralidade do ser humano e da sua dignidade. E, porque estamos a falar de missão num sentido religioso do termo, esta reafirmação em relação à dignidade do ser humano deve contemplar, logo na base, em primeiro lugar, a sua abertura à transcendência. Creio que um dos passos decisivos e importantes que será dado por esta relação missionária ao nível de cada localidade, ao nível de cada país, é reafirmar esta vocação à transcendência do próprio ser humano.

 

É dar atenção a quem chega, mas a própria Igreja também vai integrando missionários de outras nacionalidades…

E há muito tempo. E trazem um valor acrescido, na medida em que vêm ao encontro daquele outro significado de “Portugal, terra de missão”, que é exatamente o facto de, pela nossa história, pela nossa tradição, por vezes temos a sensação de que em nós o cristianismo está um bocadinho adormecido. É muito belo verificar como os missionários que chegam de outros países, onde porventura as expressões e as vivências da fé são mais acutilantes, mais pujantes, mais fortes, vêm exatamente para despertar aquela fé que às vezes parece estar adormecida. E também nesse sentido Portugal é terra de missão.

 

Falava de pessoas que chegam de fora, de imigrantes a quem não chegou qualquer anúncio cristão prévio, mas também há muitas pessoas que crescem em Portugal e que não têm esse anúncio prévio. Temos, na mensagem que os bispos escrevem para este dia, a certeza de que a missão “não pertence a especialistas”, e o próprio Papa Leão XIV fala na necessidade de uma “nova era missionária”. Isto, na prática, o que é que implica na vida das comunidades católicas?

Antes de mais, implica recentrarmo-nos naquilo que é o essencial, que é a pessoa e a figura de Jesus Cristo e as propostas que Ele faz para a sociedade dentro, a partir e através do Evangelho. O Evangelho tem uma proposta de sociedade, que é assente na abertura a Deus e, ao mesmo tempo, na centralidade do ser humano. Ora, os novos tempos desta era missionária não podem separar de maneira nenhuma estes dois, chamemos-lhes assim, binários, que depois se vão fundir num único só: o da nossa abertura para com Deus e, ao mesmo tempo, o da reafirmação, que é sempre necessário fazer, sobre a centralidade crucial do ser humano e da sua dignidade.

 

Na recente jornada de estudo “A Igreja de Lisboa em Missão”, falava que o anúncio do Evangelho exige esta capacidade da comunidade de escutar, acolher e acompanhar cada pessoa….

Não tenho comentários a fazer, de tal maneira estas palavras são compreensíveis logo à partida. Eu diria só que o desafio perante elas, perante esse enunciado, é o de passarmos das palavras à realização, à prática, ao facto, ao acontecer.

 

A atualidade passa nesta altura também pelo Orçamento do Estado e pela situação económica no país. Nesta altura em que falamos, há um estudo da DECO, por exemplo, que indica que mais de 50% dos portugueses perderam poder de compra no último ano. Sobre o orçamento, tendo em conta que D. Rui Valério naturalmente não é especialista, como é que avalia as principais medidas anunciadas e que são do conhecimento público, nomeadamente a atualização dos escalões do IRS e dos apoios sociais, o reforço do complemento solidário para idosos e o facto de o chamado mínimo de existência acompanhar o salário mínimo? Podemos dizer, numa avaliação global e geral, que é um orçamento amigo das famílias?

Quero fazer aqui uma premissa, dizendo que, de facto, o orçamento é um instrumento de trabalho que tem em vista um ano inteiro de vida, de ação, numa determinada nação, que no caso concreto é Portugal. Também estou de acordo que o orçamento, sendo portanto um instrumentum laboris, não é absoluto – alguém diria que há mais vida para além do Orçamento. No entanto, tenho lido, embora não ainda na sua totalidade, o Orçamento para 2027, e há apenas dois comentários que afloram depois da sua leitura. Em primeiro lugar, é a constatação de que, neste momento, em Portugal, o custo de vida e o custo de tudo aquilo que é necessário para a vida está num patamar de preço muito elevado.

Estamos a falar dos combustíveis, estamos a falar dos bens essenciais alimentares, estamos a falar da habitação, estamos a falar de tudo. E eu quero crer que o Orçamento encontrará a forma e o modo de ter em conta e ter presente esta situação.

Falámos das famílias: realmente, as famílias estão, digamos, sob uma pressão estonteante para fazer face ao dia a dia. Mas, ao mesmo tempo, temos de ter em conta aquelas instituições cujo carisma e vocação é ajudar os mais débeis, os mais fragilizados. E, por isso, quando olhamos para uma instituição como uma IPSS – que todos os dias tem de colocar uma determinada quantidade de combustível, e o combustível está caríssimo, e que depois tem de fazer face a tantas despesas com a alimentação, com a energia, com os custos do pessoal –, ficamos um bocadinho na dúvida sobre se estas instituições, ou seja, estas entidades, sejam elas singulares ou coletivas, têm realmente capacidade para estabelecer aqui um equilíbrio.

 

Tivemos recentemente aqui, aliás, o presidente da CNIS, que chamou a atenção para isso. O orçamento prevê acordos de cooperação e o financiamento estrutural do setor solidário, mas, por aquilo que se conhece e para quem está no terreno – como D. Rui Valério, que visita muitas destas instituições –, há realmente preocupação com o futuro, com a sustentabilidade destas instituições?

A preocupação já nem é para o futuro, é para o presente. Eu não vou ser pessimista e, portanto, não vou usar aqui expressões porventura mais bélicas ou mais agressivas, mas, de facto, as nossas instituições sentem-se sufocadas pela contingência e pela circunstância do presente. Por isso, mais do que estar – não se espera isso da minha parte – a fazer aqui grandes declarações acerca do orçamento enquanto tal, ele suscita-me interrogações; é isto que quero dizer.

Mas, para além deste aspeto, há um outro que acho que um orçamento deveria abraçar. Até porque é sempre uma coisa de futuro, um orçamento deveria ser um instrumento capaz de gerar esperança – mas não uma esperança vazia, retórica, poética, passe a expressão ou passe a imagem, mas uma esperança, no sentido cristão da palavra, assente na realidade, no facto, no concreto. Então, o que é que o orçamento deveria veicular?

Era a capacidade de olharmos para o futuro e dizermos assim: “Bom, o presente está difícil, temos desafios pela frente com algum grau de exigência, com algum grau de sacrifício, mas, no entanto, este Orçamento vai promover, vai ativar, vai relançar uma mudança, uma transformação de vida, mais investimento, melhores condições” – não de uma forma direta, mas para que os trabalhadores tenham melhores salários, para que as famílias tenham mais desafogo. E, ficando eu nessa base, sem fazer declarações absolutas, interrogo-me se este Orçamento é capaz de fazer isso.

 

Por exemplo, o aumento do salário mínimo para 970 euros mensais no próximo ano…

Creio que tudo aquilo que seja para resgatar os trabalhadores da prateleira da pobreza camuflada é positivo. Porque, se é triste, se é uma dor de alma encontrar um pobre – como dizia aquele famoso angolano que estava cá em Portugal já há algum tempo, que não tinha Segurança Social, não tinha documentos, não tinha trabalho, não tinha casa, não tinha sequer quem o ouvisse, e assim sucessivamente –, agora imaginem quando nos cruzamos com uma pessoa que tem trabalho, em que a esposa tem trabalho, e que, no entanto, vive uma vida com alguma penúria.

 

Há, aliás, um relatório da Rede Europeia Anti-Pobreza, divulgado também esta semana, que indica que metade dos adultos em situação de pobreza, de facto, têm trabalho, mas as despesas com a habitação agravam muito as dificuldades. A habitação é uma preocupação sua. Como é que olha para as medidas que também foram anunciadas? Serão suficientes?

Antes de mais, é necessário refletir sobre o significado da habitação.

 

É um direito?

A habitação é um direito, e é um dever proporcionar a habitação, porque ela não serve só, em primeiro lugar, para nos resguardar do frio ou para nos proteger da chuva: a habitação é o lugar da realização da nossa identidade. A habitação está para nós como o espaço da nossa liberdade, em que nós, efetivamente, ali nos reencontramos com a integralidade do nosso ser. É dentro de uma casa que temos a possibilidade de revisitar o que de mais profundo e íntimo temos no pensamento, na alma, no coração.

Repare que, quando uma família ou uma pessoa fica privada deste bem essencial – que é, como dizia, um direito –, estamos a negar ou a dificultar a essa pessoa o acesso não só a determinados outros bens, a determinadas realidades que contribuem para a sua realização, como estamos a impedir a pessoa de ser ela própria. É importante termos isto presente. Quando uma pessoa não tem este espaço, que é seu, onde não necessita de máscaras, onde pode ser ela própria, a dificuldade na habitação significa que a própria pessoa, em si mesma, está cada vez mais distante.

É por isso que não podemos deixar de ter em conta que a casa é tão fulcral na nossa vida, na tradição bíblica, no cristianismo e na nossa cultura ocidental. Por exemplo, nas culturas passadas, o castigo mais atroz que era incutido às pessoas que eram excluídas da sociedade, como os leprosos, era impedir que continuassem na sua casa. Porque negar a uma pessoa o direito à casa significava que se lhe estavam a negar todos os direitos.

E, por isso, é tão fulcral olhar para o problema da habitação como uma questão civilizacional, como uma questão de humanização. Está associada a esses valores fundantes daquilo que é a vida da sociedade e a vida do ser humano.

 

Ainda a esse respeito, o Patriarcado de Lisboa e a Cáritas Diocesana estão a mobilizar-se para reabilitar património e disponibilizá-lo para arrendamento acessível. Tem alguma expectativa em relação a datas, já é possível fazer alguma projeção do que é que vai estar efetivamente no mercado?

Neste momento estamos num ponto que é importante – não vou dizer que é o ponto crucial, mas um ponto importante –, que é o de, juntamente com a Cáritas, irmos a todas as paróquias. Através das nossas reuniões de Vigararias, vamos a todas as paróquias para dar conta aos primeiros responsáveis de cada paróquia, que são os párocos, exatamente deste projeto e desta intenção. Relativamente à expectativa que eu pessoalmente tenho, por aquilo que conheço do nosso Patriarcado, da nossa diocese, estou muito otimista, estou muito esperançoso.

Porque, de facto, as paróquias e outras instituições da Igreja por vezes têm edifícios cuja reabilitação, exatamente pela dificuldade de os recuperar, pelos custos e, às vezes até – temos de o dizer –, pelas burocracias que isto implica, nem sempre é fácil. É que aqui há um ganho, digamos assim, em dois sentidos: antes de mais, para as pessoas, porque vai fazer com que estas habitações, depois, sejam de renda acessível; mas, ao mesmo tempo, é uma forma de valorizar o próprio património, a paisagem, a própria vida urbana. E, por isso, estou muito otimista por aquilo que conheço da nossa realidade diocesana.

 

Há um protocolo que foi assinado, está encaminhado, o processo está a correr. É um exemplo que a Igreja dá também ao próprio Estado, que igualmente tem muito património abandonado?

Antes de falar desse ponto, gostaria de dizer qual tem sido a reação que os sacerdotes têm assumido perante este protocolo, esta iniciativa: é extraordinária. É interesse, é dedicação e é vontade de cooperar nele.

Porque há uma consciência, de facto, em nós, cristãos, e particularmente nos pastores das comunidades, de que proporcionar habitação é proporcionar todos aqueles valores a que já fizemos aqui alusão. Não é nossa intenção, com este gesto, estarmos a enviar mensagens ou ensinamentos para fora. Aquilo que para nós é prioritário é oferecer às pessoas, ao ser humano, um lugar, uma casa. Oferecer uma casa às pessoas. E, falo por mim, se eu conseguisse fazer isso, podem acreditar que era o milagre que eu realizava.

 

O Estado e a autarquia reagiram?

As reações estão a ser muito positivas e também a eles estamos a fazer chegar exatamente este protocolo. Aliás, atenção, o Estado está presente.

 

Através do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas…

Exatamente, com quem foi feito o protocolo. E uma iniciativa desta natureza e desta amplitude não pode ser feita sem esta cooperação. Até porque, já agora, quero aproveitar para dizer que, conhecendo eu – superficialmente, é verdade – a realidade de outras cidades europeias onde estive por razões de trabalho ou de estudo, como Roma, na Bélgica ou em Paris, estou cada vez mais convencido de que estes grandes desafios problemáticos da sociedade só podem ser resolvidos com a cooperação.

Hoje em dia, uma entidade única querer responder a estes desafios enormes é como querer tapar o sol com a peneira. É muito difícil. E, por isso, este protocolo é feito na senda da cooperação, e isso é belo.

 

Muito bem, D. Rui Valério, muito obrigada por ter vindo conversar com a Renascença e com a Agência ECCLESIA, e um bom Dia Mundial das Missões.

Permitam-me que daqui eu saúde todo o nosso auditório, aqueles que nos acompanham através da Rádio Renascença, para desejar um santo domingo e um santo Dia Mundial das Missões.

Partilhar:
Scroll to Top