“A segurança não assenta na ameaça de destruição, mas sim na justiça, na dignidade humana e no bem comum”, realçam no final da assembleia geral deste ano
Lisboa, 28 set 2026 (Ecclesia) – As Comissões Justiça e Paz europeias estiveram reunidas em Glasgow, na Escócia, para aprender, refletir e agir face à necessidade premente de “promover o desarmamento nuclear”
A reunião, de 18 a 21 deste mês, aconteceu num momento de “tensão global acentuada, em que muitos Estados dotados de armas nucleares estão ativamente envolvidos, ou estiveram recentemente envolvidos, em conflitos militares diretos contra potências nucleares e não nucleares”, lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.
Inspirados pelas palavras do Papa Leão XIV na sua primeira Mensagem para o Dia Mundial da Paz, que encoraja a trabalhar em prol de uma «paz desarmada e desarmante», o encontro atribuiu uma “profunda urgência à necessidade de ir além das discussões abstratas para colocar a questão crucial: como alcançamos, na prática, o desarmamento?”, realça.
A Doutrina Social da Igreja tem-se mantido, desde há décadas, “firme” quanto à posição da Igreja sobre as armas nucleares.
Desde a Pacem in Terris (1963), que declara que «as armas nucleares devem ser proibidas» (112), até à Magnifica Humanitas (2026), a Igreja tem “desafiado consistentemente a retórica política contemporânea que domina as políticas de defesa internacionais”.
Enquanto cristãos “empenhados em tornar realidade os quadros morais da Doutrina Social da Igreja”, reconhecem que as armas nucleares “nunca podem ser consideradas «armas justas», e que a sua produção, posse e utilização, bem como a ameaça da sua utilização, continuam a ser moralmente erradas, salienta o comunicado final.
LFS
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APELOS DAS COMISSÕES – Reforçar os quadros de desarmamento: Exortamos os líderes políticos a reforçarem o direito internacional e o multilateralismo e a respeitarem os compromissos de desarmamento existentes. Isto requer um apoio inabalável ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), ao Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares (CTBT) e ao desenvolvimento de um Tratado de Proibição da Produção de Material Físsil (FMCT). Apelamos às nações europeias para que assinem e ratifiquem o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPNW) e instamos os Estados atualmente empenhados na dissuasão nuclear a envolverem-se nos seus processos, nomeadamente participando em reuniões na qualidade de observadores. – Exigir responsabilização dos governos e da indústria: As Comissões Justiça e Paz devem interagir continuamente com os seus representantes eleitos e exigir-lhes responsabilização, criticando os governos que aumentam as despesas com a defesa em detrimento da justiça social e económica. Devemos também contrariar os interesses económicos enraizados nas indústrias de armas nucleares e, de forma mais ampla, na indústria de armamento, e defender transições justas para os trabalhadores afetados. – Mobilizar a sociedade civil para o desarmamento nuclear multilateral: Encorajamos os cristãos e todas as pessoas de boa vontade a abraçarem a causa da não-violência e do desarmamento nuclear através de ações pacíficas. Isto pode incluir: oração, reflexão, defesa de causas e testemunho público, por exemplo, em locais onde se encontram armazenadas armas nucleares. – Investir na Educação para a Paz: Devemos dar prioridade à Educação para a Paz e à Educação para a Cidadania Global, a fim de mudar mentalidades em toda a Europa e a nível global, desafiando a normalização das armas nucleares e redefinindo a «segurança» para além da militarização e no sentido da segurança humana — nomeadamente nos âmbitos da proteção e da realização pessoais, da democracia, das comunidades e dos recursos. Reconhecemos que, para alcançar este objetivo, devemos também combater a desinformação, tanto na política e nos meios de comunicação social, como no seio das nossas próprias Igrejas. – Promover o diálogo e alternativas credíveis: comprometemo-nos a criar e a manter espaços de diálogo no seio da Igreja e da sociedade civil; devemos garantir que os receios genuínos e as preocupações em matéria de segurança sejam ouvidos, ao mesmo tempo que desenvolvemos e defendemos alternativas credíveis à dissuasão nuclear. |
