Guarda: Estudo analisou rede de apoio domiciliário e sugere respostas para além das necessidades de higiene e alimentação

«GuardAfetos» envolveu pessoas idosas, cuidadores informais, familiares, profissionais, e instituições da área social e saúde

Foto: Município da Guarda

Guarda, 28 set 2026 (Ecclesia) – O estudo ‘GuardAfetos’ analisou a rede de Serviço de Apoio Domiciliário no concelho da Guarda, identificou 12 freguesias sem esta resposta em 43, e faz 10 recomendações, como a necessidade de repensar o próprio conceito de apoio domiciliário.

“Segundo os Censos Sénior de 2023, feitos pela nossa GNR, o distrito da Guarda é o distrito do país com mais pessoas idosas a viver sozinhas, isoladas ou em situação de vulnerabilidade: 5.477 pessoas”, disse o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, na sessão de apresentação do estudo ‘GuardAfetos’, informa o jornal diocesano ‘A Guarda’ em nota enviada à Agência ECCLESIA.

O estudo ‘GuardAfetos – Diagnóstico dos Serviços de Apoio Domiciliário do Município da Guarda’ foi desenvolvido pelo Centro de Administração e Políticas Públicas do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa), com o apoio da Federação das Instituições de Terceira Idade (FITI), e do Município da Guarda, que acolheu a sua apresentação na sexta-feira, 25 de setembro, nos Paços do Concelho.

A coordenadora do projeto, Carla Ribeirinho, explicou que este trabalho envolveu pessoas idosas, cuidadores informais, familiares, profissionais, e instituições das áreas social e da saúde; a metodologia participativa procurou identificar as necessidades no terreno, e conhecer as respostas que estão a funcionar.

Sérgio Costa anunciou que o município pretende avançar com as medidas do ‘GuardAfetos’, que faz 10 recomendações como a necessidade de repensar o próprio conceito de apoio domiciliário, e levar as suas conclusões à tutela governamental.

O estudo de ‘Diagnóstico dos Serviços de Apoio Domiciliário do Município da Guarda’ analisa a esta rede e os principais desafios associados ao envelhecimento da população num território de baixa densidade e com população dispersa, o ponto de partida foi a capacidade instalada de 1003 utentes, mas a resposta efetiva abrangia 632 pessoas.

Nas várias prioridades está a criação de um Pacto Local para os Cuidados Domiciliários, um protocolo dos SAD e a Unidade Local de Saúde, “com prioridade às altas hospitalares e aos casos mais complexos”, e a criação de um Programa Municipal de Apoio aos Cuidadores Informais

O ‘GuardAfetos’ propõe um sistema municipal de informação e monitorização, e projectos-piloto de inovação social adaptados aos territórios de baixa densidade, como a utilização de ferramentas de teleassistência, a digitalização e a inovação social, a gestão de rotas, e a sinalização precoce de situações de risco.

No ‘Diagnóstico dos Serviços de Apoio Domiciliário do Município da Guarda’ recomenda-se o reforço do trabalho em rede entre instituições e agentes locais, para identificar “zonas com maior concentração de respostas e territórios onde persistem carências”, e defende uma revisão dos “modelos de financiamento, com maior pressão junto da Segurança Social e do Estado e diferenciação para as instituições que alarguem e qualifiquem os serviços”.

O concelho da Guarda tem 43 freguesias e existe Serviço de Apoio Domiciliário em 31, através de 36 instituições, mas 12 freguesias não têm esta resposta às pessoas idosas que precisa de ir além da resposta às necessidades básicas de higiene e alimentação, e outros cuidados básicos.

O SAD que tem um papel na permanência das pessoas nas suas casas foi criado no final da década de 1970, um modelo orientado sobretudo para as necessidades básicas, mas o estudo de diagnóstico defende uma resposta mais abrangente, que inclua dimensões como pertença, reconhecimento, participação e acompanhamento.

“Os serviços encontram situações relacionadas com demência, múltiplas doenças, perda de mobilidade, sofrimento emocional e solidão. O estudo defende, por isso, uma adaptação da rede existente, mantendo a proximidade às pessoas”, informa o jornal da Diocese da Guarda, adiantando que as instituições têm com dificuldades no financiamento, no recrutamento e fixação de trabalhadores, a exigência física e emocional da atividade é um fator de desgaste.

CB/OC

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