Leão XIV passou por Paris, Lourdes e Metz, enfrentando questões dos abusos sexuais, da laicidade e do futuro da Europa

Metz, França, 28 set 2026 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje a sua viagem a França, cruzando apelos urgentes contra o rearmamento global e a eutanásia com a condenação dos abusos sexuais.
“O que é legal não é necessariamente moral”, advertiu Leão XIV perante a ameaça da “morte programada”, criticando as correntes ideológicas que procuram “redefinir” o valor da vida humana.
A etapa final, na cidade de Metz, serviu para o pontífice denunciar a ameaça de uma “hemorragia da guerra”, exigindo o fim das lógicas de violência e de domínio, mensagem que repetiu na Missa conclusiva.
Emmanuel Macron, presidente francês, acompanhou a intervenção no Centro de Congressos Robert Schuman, alertando para uma “epidemia de desinformação” que corrói as democracias contemporâneas.
A cerimónia envolveu os líderes das várias confissões religiosas através da assinatura do ‘Apelo de Metz’, repudiando a invocação do nome de Deus para justificar o ódio e o totalitarismo.
A preocupação pela paz esteve no centro da passagem do Papa pelo Santuário de Lourdes, entre sábado e domingo, onde Leão XIV convocou uma oração mundial do Rosário e rezou pelo fim dos conflitos.
O local de devoção mariana, onde são acolhidas milhares de pessoas doentes e com deficiência, serviu de inspiração para mensagens em defesa da vida, com o Papa a lrejeitar a legalização da eutanásia e a deixar uma mensagem de esperança a quem sofre.
Ainda em Lourdes, o Papa promoveu uma reunião privada com vítimas de abusos sexuais, selando o compromisso institucional de impedir a repetição do sofrimento.
O encontro foi antecedido por um elogio de Leão XIV à capacidade de resposta da Conferência Episcopal Francesa, instando os bispos a manterem a máxima “vigilância” sobre estes casos.
A denúncia da “morte programada” marcou o primeiro discurso da visita, proferido no Palácio do Eliseu, durante o qual o pontífice defendeu ainda uma reflexão ética sobre a Inteligência Artificial.
No discurso de boas-vindas, Emmanuel Macron, presidente da República, distinguiu a laicidade do Estado de uma oposição à religião.
Este foi um tema abordado várias vezes pelo Papa, que destacou as “raízes cristãs” da França, com a sua história de muitos santos, e defendeu a presença católica no espaço público e na Educação, sublinhando a busca contemporânea de “sentido” para a vida.
A passagem por Paris integrou uma visita à ‘Maison Bakhita’, espaço diocesano onde o Papa repudiou as “novas formas de escravatura económica e cultural” que atingem as populações excluídas.
O programa na capital francesa destacou o restauro da Catedral de Notre-Dame e elogiou aumento dos batismos de adultos, culminando numa Missa ao ar livre, perante centenas de milhares de pessoas.
Esta foi a sexta deslocação internacional do pontificado.
Leão XIV, eleito a 8 de maio de 2025, tinha visitado a República de San Marino (22 de agosto); Espanha (06-12 de junho de 2026); Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial (13-23 de abril de 2026); Mónaco (28 de março de 2026); e a Turquia e o Líbano, com peregrinação a İznik por ocasião do 1700º aniversário do I Concílio de Niceia (27 de novembro-02 de dezembro de 2025).
Ainda em 2026, o Papa vai visitar o Uruguai, a Argentina e o Peru, de 6 a 17 de novembro, na sua primeira viagem pontifícia à América Latina, com regresso à diocese peruana de Chiclayo, onde foi bispo.
OC
