Encontro internacional, com representação portuguesa, vai decorrer na Roménia

Lisboa, 24 abr 2015 (Ecclesia) – O diretor-executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) lamentou que a informação sobre esta comunidade seja “muitas vezes” usada para “aumentar a discriminação”, um tema que vai ser debatido na reunião do Comité Católico Internacional.

“A comunicação é positiva, negativa ou ignora o problema dos ciganos. Muitas vezes é negativa. [A reunião] é sobre esse aspeto, a utilização dos meios modernos da comunicação social – as redes sociais – para denegrir e para aumentar a descriminação dos ciganos”, explica Francisco Monteiro à Agência ECCLESIA.

‘Comunicação: oportunidades e perigos dos novos meios de comunicação social’ é o tema da reunião anual do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIT), entre hoje e domingo, no Mosteiro dos Carmelitas em Snagov, na Roménia.

Para o responsável, Portugal é um exemplo positivo neste setor quando os canais de televisão apostaram em programas sobre a cultura cigana e “desmistificar os preconceitos” que muitas vezes as pessoas têm sobre “uma cultura que não conhecem”.

“O facto de não conhecer gera antinomias, antipatia e às vezes injustiça”, alerta o responsável da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos.

Ainda em contexto nacional, Francisco Monteiro adianta que a “grande preocupação” da pastoral dos ciganos é que as comunidades não sejam “objeto de estudos” mas “sujeitos do seu próprio desenvolvimento”.

“Para que nos projetos/estudos sejam ouvidos. A nível de futuro penso que será a solução para a inclusão dos ciganos na sociedade em geral. Eles são capazes de resolver os seus problemas. Vamos dar as oportunidades e fomentar essas oportunidades”, apela o entrevistado.

Nesta reunião, para além dos responsáveis nacionais pelo trabalho que a Igreja Católica desenvolve em cada país europeu também estão presentes elementos da própria comunidade roma.

“Revemos problemas, o aumento das perseguições e discriminações sobretudo nos países de leste e vamos sobretudo pensar nos aspetos positivos, aquilo que cada um vai descobrindo no seu dia-a-dia para ir resolvendo as situações e integradas na sociedade”, desenvolve Francisco Monteiro.

No Dia Internacional dos Roma, a 8 de abril, as Igrejas Cristãs europeias e conferências episcopais católicas emitiram uma mensagem onde alertam para o “anti ciganismo verbal e ativo em toda a Europa”.

Neste contexto, o diretor denuncia “certas posições políticas” que fomentam esses problemas e destaca positivamente a declaração ecuménica, porque é “impossível viver com o nível de miséria e discriminação” de que a comunidade cigana é alvo.

A ONPC existe há 43 anos e desenvolve um trabalho de “proximidade sobretudo e acima de tudo fé nos ciganos”, acrescentou Francisco Monteiro.

HM/CB/OC

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