Autor da obra «Deus e a Ciência – Diálogos para a Salvação do Mundo» esteve no encontro de responsáveis diocesanos da disciplina de EMRC

Fátima, 02 nov 2026 (Ecclesia) – O físico Carlos Fiolhais considera que a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) é “indispensável” no contexto escolar porque a escola não deve apenas “ministrar matérias de física e de química”, mas ensinar também valores.
“A educação moral ou, se quisermos, a ética é indispensável porque a escola não é apenas ministrar matérias de física, de química, a escola é também para aprendermos a viver em conjunto, e aí entra a moral ou a ética”, referiu o físico, em declarações à Agência ECCLESIA.
O entrevistado participou no encontro de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), que decorreu este sábado em Fátima, e disse que se considera “agnóstico”, apesar de ter crescido num “ambiente católico”.
“Eu não tenho uma relação direta com Deus, no sentido de ter sido iluminado pela graça da fé”, mas “não podemos perceber nada da cultura portuguesa sem este ambiente católico”, acrescentou.
Carlos Fiolhais vive “neste caldo de cultura religiosa” e afirma partilhar “com a Igreja muitos valores”, como “tratar bem o próximo”.
A humanidade “não é um indivíduo, mas um conjunto de indivíduos”, e para que isso aconteça é “preciso que haja essa consideração pelo outro, de tratar bem o outro”, observou.
No subtítulo da obra, Carlos Fiolhais escreveu ‘Diálogos para a Salvação do Mundo’, mas “não no sentido teológico, não na vida eterna”.
“Estou a falar da salvação do mundo aqui na Terra”, porque “o universo é muito grande e só conhecemos vida aqui na Terra”, salienta.
O físico considera-se “otimista” e afirma que se podia viver “melhor na Terra”.
“Há um progresso material, de certo modo também acredito que haja um progresso moral, apesar de nós continuarmos a ver guerras, desavenças e conflitos, parece que faz parte da natureza humana, mas, apesar de tudo, partilhamos valores no mundo, como o valor da vida e da paz”, apontou.
Para que a esperança se concretize e o mundo seja melhor, “temos de fazer todos alguma coisa, e o melhor é fazermos coisas em conjunto”, referiu o físico.

Ao falar dos desafios contemporâneos, Carlos Fiolhais apontou as alterações climáticas, a inteligência artificial e as biotecnologias.
“Temos de saber distinguir o bem do mal, e isso vai muito para além da ciência, para que o mundo possa ser salvo, no sentido de poder ser melhor”, sublinhou.
Ao abordar estes temas no livro ‘Deus e a Ciência – Diálogos para a Salvação do Mundo’, Carlos Fiolhais recorre ao magistério da Igreja, documentos que “dão uma grande ajuda” para perceber a realidade.
“É uma sorte para a humanidade, nesta altura, portanto, o final do século XX e início do século XXI, termos dois papas, como é o Papa Francisco e o Papa Leão XIV”, declarou.
Os magistérios destes papas sobre a relação entre a ciência e a religião “são muito fecundos” porque “eles têm alguma formação científica”, sustentou.
Para o autor, as encíclicas ‘Laudato Si’’ e ‘Magnifica Humanitas’ são dois documentos “magníficos”.
Numa altura em que o mundo “está tão confuso” e com “divisões de todo o tipo – políticas, ideológicas, também religiosas –, haver uma entidade como a Igreja Católica, com líderes clarividentes, acho que nos ensina a pensar e ajuda-nos a decidir”, afirmou.
Sendo crentes ou não crentes, “acho que são vozes que merecem ser ouvidas”, continuou.
Carlos Fiolhais considera que a religião e a ciência colidiram no passado e, “em certos sítios, infelizmente, ainda colidem”.
“Ainda há sítios em que o criacionismo, que é uma leitura literal da Bíblia, que não é ciência, quer fazer-se passar por ciência, portanto, há fundamentalistas religiosos”, lamenta.
“Esses são os inimigos das relações entre ciência e religião”, completa.
LFS/OC
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