Educação: Igreja alerta para importância de renovação no quadro de professores de EMRC

Responsáveis diocesanos reuniram-se em Fátima

Foto: Educris

Fátima, 02 nov 2026 (Ecclesia) – Os responsáveis diocesanos da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) alertaram em Fátima para a necessidade de renovação do quadro de docentes, defendendo ainda a pedagogia relacional como uma dimensão fundamental, perante o avanço da inteligência artificial.

“Estamos a falar de professores com uma faixa etária bastante alta, com uma renovação que ainda é tímida”, afirmou à Agência ECCLESIA o coordenador do Departamento de EMRC do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) António Cordeiro, à margem da reunião que decorreu no último sábado.

O responsável advertiu que, se o corpo docente não for revigorado, a disciplina corre o risco de ficar comprometida na transmissão científica e pedagógica de “um horizonte de sentido de vida” nas escolas.

Também o diretor do SNEC, Fernando Moita, reconheceu a escassez de docentes em diversos agrupamentos escolares, associando o fenómeno ao fim do fluxo tradicional de antigos seminaristas formados em Teologia e ao desinteresse dos jovens que concluem o 12.º ano pela carreira docente.

Para o secretário da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, esta crise europeia reflete “uma certa menorização da função sociológica do professor” por parte da classe política e das famílias, o que levou o SNEC, há quase uma década, a apoiar financeiramente o pagamento de propinas na Faculdade de Teologia em articulação com os bispos e secretariados diocesanos.

Apesar das assimetrias territoriais no país, Fernando Moita sustentou que a EMRC vive “numa primavera” onde o docente apaixonado funciona como “o grande dinamizador da disciplina” ao estabelecer o encontro “face a face” com os alunos a partir da matriz inclusiva de Jesus Cristo.

Foto: Educris

Na adaptação às novas tecnologias, o diretor do SNEC destacou a reorganização dos manuais escolares físicos e o protocolo estabelecido com a plataforma digital da Porto Editora, que permite à disciplina comunicar na mesma linguagem informática utilizada em áreas como a Matemática, a História, a Física ou a Química.

Após uma sessão formativa orientada pelo físico Carlos Fiolhais durante o encontro nacional, António Cordeiro frisou que os recursos digitais são apenas instrumentos de trabalho e que o progresso científico e tecnológico, por si só, “não vai encontrar resposta para tudo”.

“A educação configura um rosto, configura um corpo”, declarou o coordenador da EMRC, sublinhando que, num tempo marcado pela inteligência artificial e pelo transumanismo, a dimensão relacional e afetiva aberta ao transcendente “nunca será substituível pela tecnologia”.

Para o ano letivo 2026/2027, nas escolas estatais, católicas e privadas, António Cordeiro apontou como bússola a defesa da dignidade humana e o desenho de novos mapas educativos orientados para o bem comum, em sintonia com o magistério do Papa Leão XIV e as reflexões do cardeal José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação (Santa Sé).

O professor Jorge Novo, membro da equipa nacional da EMRC e docente na Diocese de Bragança-Miranda, defendeu por sua vez que “a tecnologia avança, mas a escola tem de continuar a ser humana”, cabendo à disciplina ajudar os estudantes a diferenciar o bem do mal e o verdadeiro do falso na era dos dados.

Evocando a participação no Congresso Internacional sobre pastoral escolar e universitária realizado em Roma, nos dias 22 e 23 de outubro, o responsável observou que os educadores “não têm receitas” acabadas e devem procurar com os jovens “as perguntas essenciais da vida” para edificar uma “civilização do amor”.

Questionados pela Agência ECCLESIA sobre a recente divulgação dos ‘rankings’ das escolas, Fernando Moita e António Cordeiro atribuíram um valor “relativo” às listas elaboradas pelos órgãos de comunicação social, preferindo destacar o indicador de superação de cada estabelecimento face ao próprio contexto humano, solidário e comunitário.

A reunião dos responsáveis diocesanos da EMRC analisou ainda a revisão das Aprendizagens Essenciais, a formação docente em Cabo Verde e a preparação da Semana Nacional da disciplina, do XXV Encontro Nacional do 1.º Ciclo e do XV Encontro Nacional do Ensino Secundário, previsto para Évora.

LFS/OC

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