Vaticano: Plataforma «Laudato Si» soma 13 652 participantes registados em cinco anos

Iniciativas ecológicas vão do isolamento térmico dos vitrais da Catedral de Salford, em Inglaterra, até à gestão de uma floresta pelos jesuítas no Canadá

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 02 nov 2026 (Ecclesia) – O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral vai apresentar esta quarta-feira, no Vaticano, o quinto relatório anual da Plataforma de Ação ‘Laudato Si’’, que contabiliza 13 652 participantes registados.

“Uma plataforma pode ajudar-nos a encontrar-nos uns aos outros, mas o trabalho é levado a cabo pelas pessoas”, afirma o conselheiro sénior da iniciativa no dicastério da Santa Sé, monsenhor Robert J. Vitillo, numa nota de imprensa enviada hoje à Agência ECCLESIA.

Os dados recolhidos até 30 de setembro de 2026 indicam que, do total de contas ativas neste espaço digital de ecologia integral, 7414 pertencem a famílias e indivíduos e 6238 correspondem a instituições católicas.

Após o pico inicial de 3224 inscrições em 2021 e de 3468 em 2022, seguido de descidas sucessivas até aos 1341 registos em 2025, o projeto registou uma subida para 2081 novos participantes nos primeiros nove meses deste ano, impulsionada por campanhas digitais e melhorias no portal.

O balanço dos primeiros cinco anos revela que a vida consagrada lidera a adesão, abrangendo cerca de 53% das congregações religiosas mundiais, ao passo que a maioria das dioceses ainda não se encontra ligada à rede.

Para colmatar estas lacunas no roteiro traçado até 2031, a coordenação pretende formar embaixadores entre bispos, sacerdotes e seminaristas, reforçar o acompanhamento no Sul Global em mais línguas e alcançar a meta de 50 mil participantes, 20 mil instituições e mil dioceses representadas.

A conferência de imprensa agendada para as 12h00 de quarta-feira (11h00 em Lisboa), na Sala de Imprensa da Santa Sé, vai apresentar em direto um ‘Atlas Digital’ interativo que localiza no mapa as comunidades envolvidas e os planos partilhados.

Na sessão participam a irmã Alessandra Smerilli, prefeita do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, D. Allwyn D’Silva, bispo auxiliar emérito de Bombaim, a irmã Roxanne Schares, secretária executiva da União Internacional das Superioras Gerais, Lorna Gold, diretora executiva do Movimento Laudato Si’, e Alonso de Llanes, diretor do programa da plataforma.

Entre as ações práticas concluídas pelos membros desde maio de 2025 destacam-se a reciclagem, a compra de alimentos a produtores locais, a compostagem e a instalação de iluminação eficiente, num esforço em que, segundo a religiosa e técnica de saúde pública Comfort Arthur, “a sustentabilidade surge quando as pessoas sentem que o trabalho também lhes pertence”.

O documento reúne experiências concretas de vários continentes, desde o isolamento térmico dos vitrais da Catedral de Salford, em Inglaterra, com vista à neutralidade carbónica da diocese até 2038, até à gestão de uma floresta com um horizonte de 500 anos pelos jesuítas no Canadá e ao objetivo episcopal de plantar 20 mil árvores anuais por diocese na Nigéria.

O relatório destaca ainda a peregrinação das Irmãs de Notre Dame na Coreia do Sul, onde a irmã Marie Carmel aponta como maior mudança “a transformação de consciência entre as irmãs”, e o acompanhamento aos povos indígenas da Amazónia contra a mineração ilegal pelo frei Erick Marín Carballo, que encontrou no povo Yuhupdeh “uma esperança tenaz que não cede”.

A Plataforma de Ação ‘Laudato Si’ foi lançada em 2021, no culminar do ano especial convocado pelo Papa Francisco no quinto aniversário da sua encíclica ecológica e social, propondo a famílias, paróquias, escolas e instituições uma caminhada de sete anos em torno de sete objetivos de conversão ecológica.

OC

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