«Inclusive Community Fórum», da Nova SBE, desenvolve projetos que aproximam mundos e desconstroem preconceitos

Foto: ICF

Lisboa, 03 dez 2021 (Ecclesia) – O ‘Inclusive Community Fórum’ (ICF), criado em 2017 na Nova School of Business and Economics (Nova SBE), está a desenvolver projetos para aproximar pessoas com dificuldades de desenvolvimento cognitivo do mercado de trabalho, nomeadamente na empregabilidade e educação.

“Junto das pessoas com deficiência nós identificamos desafios relacionados com a falta de motivação para o mercado de trabalho – ou porque os pais não os educam para o mercado de trabalho, ou porque acham que o mercado de trabalho é difícil, ou porque as pessoas com deficiência fizeram muitos estágios que não oferecem uma solução duradoura para a sua vida”, explica à Agência ECCLESIA, Maria Castro e Almeida, consultora do ICF.

“Do lado das empresas, a maioria das empresas não tinha este tema na agenda e quando fazíamos a pergunta ‘Poria a possibilidade de contratar alguém com estas características?’, a resposta era ‘Sim, mas não faço a mínima ideia como é que isso se faz’”, acrescenta.

Os alunos de mestrado da Nova SBE foram desafiados a criar projetos que pudessem responder a estes desafios e, posteriormente “pilotámos” a sua implementação.

O projeto ‘Peer 2 Peer’, iniciado em 2018, conhece agora uma expansão para cinco Universidades, e pretende juntar alunos com jovens com dificuldades de desenvolvimento cognitivo que se encontram ambos a preparar para concorrer ao mercado de trabalho.

“Muitos entram a achar que é voluntariado, em que ao aluno vai ajudar a pessoa com deficiência a integrar o mercado de trabalho e arranjar trabalho. Não é isso, mas sim um caminho em conjunto que ambos percorrem”, indica à Agência ECCLESIA, Francisco Lamy, coordenador nacional do ‘Peer 2 Peer’ e estudante de mestrado.

Destinado a jovens, o ‘Peer 2 Peer’ ganha maior relevância uma vez que coloca em interação jovens “futuros líderes” e intervenientes ativos na sociedade, valoriza o responsável.

“Este projeto é o que é preciso para que a mudança para a inclusão de pessoas com deficiência aconteça. Mostra que somos muito mais do que as nossas incapacidades. O facto de nós, supostamente os líderes do futuro em qualquer circunstância da vida, ganharmos esta mentalidade, mais cedo percebemos que a diversidade e a inclusão é o que torna sociedade mais ricas”, assinala.

Foto: ICF

O ICF desenvolveu uma Jornada para a inclusão dirigido a empresas, onde apresenta recursos que ajudam a desenvolver o recrutamento inclusivo, resultando num compromisso já assinado por 44 empresas.

A lei nº 4/2019 estabelece o sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência, com um grau de incapacidade igual ou superior a 60 %.

Maria Castro e Almeida assume que a lei veio dar “um empurrão” ao trabalho de recrutamento inclusivo mas destaca o “valor social económico” que as empresas começaram a reconhecer junto dos trabalhadores com dificuldades cognitivas que empregam.

José Luís Carvalho, diretor de Recursos Humanos da CUF, explica à Agência ECCLESIA que, num universo de 10 mil trabalhadores, empregam 74 pessoas dentro destas características, ainda maioritariamente para funções administrativas e de suporte, mas com o sonho de contratação de pessoas para o atendimento ao público.

“Aqueles que passam a etapa da estranheza veem que a pessoa tem grandes vantagens: isto é uma missão de vida. Estão ali completamente empenhadas e motivadas. Também perante a equipa são pessoas que passam por muitas dificuldades e os nossos problemazinhos do dia-a-dia são desvalorizados, criando impacto nas equipas e o valor acrescentado”, reconhece.

Vasco Salgueiro, Executive manager Michael Page Portugal, uma empresa de recrutamento, dá conta da necessidade de mercado empresarial, Estado e IPSS investirem conjuntamente neste processo inclusivo e pede que as instituições sociais disponibilizem dados sobre os seus utentes motivados para o mercado de trabalho.

“Tem de haver um esforço conjunto de todos os agentes económicos, porque é sem dúvida, um desperdício ter estas pessoas que estão disponíveis para os projetos profissionais, com competências e valências importantes, que certamente podem contribuir para acrescentar valor nas organizações”, indica.

Maria Castro e Almeida explica que o importante é “colocar o tema na agenda” e explicar aos intervenientes que o processo “não é complicado”, e que com mimetismo social “a mudança de mentalidades” acontece.

A reportagem sobre o ICF vai ser emitida no programa ’70×7′, este domingo, na RTP2, às 07h30, numa emissão dedicada à inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

LS

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