«Será um grande trabalho do futuro», assume presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé

Aveiro, 09 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé assumiu hoje a urgência de renovar a iniciação cristã de adultos, nas dioceses do país.
“Queremos criar aqui novas respostas, novas propostas, para que também a iniciação destes adultos seja uma iniciação cristã profunda, robusta, sólida e este caminho seja um caminho de verdadeira descoberta da vida cristã e verdadeira inserção na comunidade”, disse D. António Augusto Azevedo, em declarações à Agência ECCLESIA e ao portal Educris, do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC).
O bispo de Vila Real falava durante o 63.º Encontro Nacional de Catequese, que reúne em Aveiro cerca de 100 responsáveis diocesanos do setor, até sexta-feira.
“Será um grande trabalho do futuro. Estamos agora empenhados em levar ao terreno com novos materiais, com novos recursos, catecismos, preparando catequistas para este novo itinerário de infância e adolescência. Certamente, temos já à nossa frente um novo trabalho, uma nova tarefa”, assumiu o responsável católico.

A importância da capacitação e formação oficial dos leigos foi destacada pelo bispo de Aveiro, D. António Moiteiro que revelou a recente instituição formal de quase três dezenas de catequistas na sua diocese.
“Na Diocese de Aveiro, depois de uma preparação de dois anos, nós instituímos quase 30, isso tem-nos ajudado a renovar a equipa diocesana e as equipas arciprestais”, indicou.
D. António Moiteiro perspetivou esta aposta formativa como uma resposta concreta à teologia da sinodalidade que marca o atual momento da Igreja Católica.
“Os ministérios laicais devem ser para os leigos e os leigos devem exercer a sua vocação batismal exercendo os vários ministérios laicais que a Igreja lhes propõe”, sustentou.

O encontro nacional debateu a centralidade da “mistagogia”, impulsionando a transição de um modelo de ensino teórico para uma experiência de acompanhamento direto e inserção comunitária.
O padre Juan Freitas, um dos oradores convidados, apresentou a necessidade de os catequistas se assumirem como intérpretes do mistério divino no quotidiano.
“O mistagogo é este cristão que viva sério em primeiro lugar e quer partilhar e quer introduzir a este mistério, que é o mistério de Cristo, que é o mistério da nossa fé”, observou.

A coordenadora do Departamento de Catequese do SNEC, irmã Arminda Faustino, registou a forte adesão das equipas a este paradigma.
“Nós já sentíamos isso também da parte dos catequistas como uma grande necessidade, sobretudo com os adolescentes que nos lançam tantos desafios e que precisamos também de olhar para eles”, assumiu.
Precisamos de perceber melhor quais as suas necessidades, as suas inquietações, as suas questões, para lhe respondermos e os acompanharmos naquilo que eles precisam, não naquilo que nós achamos que eles deveriam saber.”

No terreno, catequistas como Olímpia Mairos, da Diocese de Vila Real, testemunham o impacto dos novos materiais e abordagens.
“Numa primeira linha há esta dificuldade de abraçar este novo projeto, quer por parte dos catequistas, quer mesmo por parte dos pais, porque exige mais, mas depois são eles próprios que nos dizem que é positivo, que está a ser muito bom e acho que o caminho não pode ser outro senão este”, disse.
Marta Cansado, da Pastoral da Catequese de Arquidiocese de Évora, partilho o trabalho desenvolvido paraformar catequistas que sejam acompanhadores de crianças, adolescentes e jovens.

“Este ano iniciámos o ‘curso zero’ para catequistas, porque reparámos que temos novos catequistas, as gerações mais novas têm interesse em ser catequistas. É maioritariamente online, falámos sobre os temas fortes da liturgia, sobre a Bíblia”, relatou.
O 63.º Encontro Nacional de Catequese termina esta sexta-feira com a celebração da Eucaristia presidida por D. António Augusto Azevedo.
A iniciativa é promovida pelo SNEC, através do seu Departamento da Catequese, e conta com representantes de todos os secretariados diocesanos do país.
OC
