Encontro no Palácio Nacional de Mafra contou com uma mensagem do cardeal Pietro Parolin e a intervenção do núncio apostólico em Portugal

Mafra, 09 abr 2026 (Ecclesia) – A 6º edição dos Mafra Dialogues, conferência internacional realizada esta quarta-feira no Palácio Nacional deste lugar, destacou que o diálogo inter-religioso é fundamental enquanto ferramenta complementar à diplomacia.
“Uma conclusão consensual e partilhada durante toda a conferência, só trazendo as religiões para a negociação se conseguirá que as comunidades respeitem os termos dos acordos ao longo do tempo”, escrevem o Instituto para a Promoção da América Latina e das Caraíbas (IPDAL) e Centro Internacional de Diálogo – KAICIID, num comunicado conjunto.
Os organizadores do encontro realçam que a ideia de que “sem as lideranças religiosas, dificilmente se conseguem entendimentos perenes, união e paz” reuniu consenso entre os participantes.
“Assim, é fundamental reconhecer o diálogo inter-religioso como um instrumento estratégico para promover a coesão social, prevenir o extremismo e reforçar a confiança entre comunidades”, pode ler-se.
A 6ªedição dos Mafra Dialogues teve como tema “o multilateralismo sob pressão: caminhos para a paz e a estabilidade”, reunindo decisores políticos, especialistas e líderes religiosos.
O encontro contou com uma mensagem do cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, e uma intervenção do núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso.
De acordo com o comunicado, o responsável diplomático da Santa Sé abordou a escolha do nome do Papa pelo nome Leão XIV, lembrando Leão XIII que abordou primeiramente temas como a dignidade humana para todos e liberdade religiosa, tratando de forma igualitária e respeitando as diferenças.
De acordo com o IPDAL e o KAICIID, a conclusão em que convergiram os participantes do encontro é que o diálogo continua a ser a única via sustentável para prevenir conflitos.
“Consensual foi também a ideia que para obter resultados duradouros e estáveis, o diálogo exige um compromisso renovado com a escuta, a inclusão e a responsabilidade partilhada”, explicam.
Na abertura da conferência, o embaixador António de Almeida Ribeiro, secretário-geral interino do Centro Internacional de Diálogo – KAICIID, referiu que “o diálogo é por vezes entendido como uma discussão”, mas na realidade “é um método que garante as diferenças, evita a escalada de conflitos e identifica interesses comuns”.
“Quando institucionalizado, através de plataformas, redes e parcerias, torna-se parte da infraestrutura que sustenta a paz”, acrescentou.
Na 6º edição dos Mafra Dialogues foi também evidenciado que o atual sistema internacional enfrenta desafios estruturais profundos, exigindo respostas coordenadas que integrem dimensões políticas, tecnológicas e sociais.
“A paz deve ser construída por meio de um diálogo genuíno, e não imposta pelo poder — sendo este considerado o primeiro caminho concreto a seguir. O direito internacional humanitário, o desarmamento e o uso ético da tecnologia configuram prioridades políticas essenciais para a consolidação da paz”, indica o texto.
O IPDAL e o KAICIID mencionam ressaltam que, “nesse processo, todos os atores têm papel relevante e os meios de comunicação assumem a responsabilidade de contribuir de forma ativa, promovendo uma abordagem construtiva diante do atual ciclo de notícias negativas”.
“A discussão sobre o alargamento da União Europeia e o futuro da paz na Ucrânia sublinhou o papel central das relações transatlânticas, ainda que num contexto internacional cada vez mais multipolar e marcado por novas dinâmicas de poder”, descrevem.
O comunicado acrescenta que “foi igualmente destacada a necessidade de reforçar mecanismos de governação global e de prevenção de conflitos, incluindo propostas como a criação de um ‘Conselho da Paz’, com o objetivo de fortalecer a coordenação diplomática e a capacidade de resposta das democracias”.
O encontro sublinhou também “a importância de plataformas independentes de diálogo estratégico, como os Mafra Dialogues, que contribuem para aproximar perspetivas regionais, identificar áreas de convergência e promover soluções cooperativas para desafios globais”.
A conferência internacional ficou marcada pela assinatura de um Memorando de Entendimento entre o KAICIID e o IPDAL, que consolida o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos e aprofunda a colaboração entre as duas instituições.
Paulo Neves, presidente do IPDAL, salientou que o instituto tem pautado a sua ação “pela convicção de que os grandes desafios exigem respostas coletivas e concertadas”.
“Nesse contexto, os Mafra Dialogues emergem como um espaço privilegiado de reflexão sobre o papel do multilateralismo como fundamento para a paz sustentável.”
O Mafra Dialogues é uma iniciativa de diplomacia pública do Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas – IPDAL e visa, através da consistência das suas edições, a discussão de alguns dos mais urgentes e complexos desafios à paz e à segurança mundial.
LJ/OC
