“Morreu no lugar onde gostava de jogar a vida”, disse D. Jorge Ortiga

Foto: LUSA

Braga, 25 jan 2020 (Ecclesia) – D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, presidiu esta sexta-feira às cerimónias fúnebres do piloto Paulo Gonçalves, que faleceu durante uma prova de motociclismo, exaltou as suas atitudes de fair play e convidou a levar o seu “testamento para a vida”.

“Sabemos que existe um código de honra entre os pilotos do Dakar que é nunca deixar um companheiro em dificuldades para trás. O Paulo cumpriu-o. Ficou conhecido pelas muitas atitudes de grande fair play ao ajudar colegas em dificuldades”, referiu o arcebispo na sua homilia divulgada no site da arquidiocese.

D. Jorge Ortiga recordou uma ajuda que o piloto prestou em 2016 e das suas palavras percebeu “uma espécie de testamento”.

“Em 2016 assistiu um piloto austríaco. Depois numa entrevista confidenciou. “No Dakar o risco está sempre à espreita. Não sou um herói, sou um ser humano com respeito pelos outros. A nossa vida vale mais do que qualquer vitória, sem ela não vencemos. O espirito do Dakar é isso mesmo. Passamos muitas horas sozinhos, muitas vezes no deserto. Umas vezes ajudamos, noutras somos ajudados. Encontro nestas palavras uma espécie de testamento. A nossa verdadeira homenagem consiste em o acolher, transportando-o para a vida”, apontou.

O arcebispo de Braga falava perante vários dirigentes e desportistas que marcaram presença na cerimónia daquele que, “tendo-o conhecido pessoalmente ou não”, se identificavam com o sentimentos de alguém que terminou a “corrida da vida ainda muito jovem”.

“Convido a que levemos este testamento. Teremos de ajudar. Em casa, no emprego, no desporto, em qualquer lugar. Quando ajudamos, criamos as condições para merecermos ser ajudados”, sugeria.

D. Jorge Ortiga recordou ainda que Paulo Gonçalves chegou a receber “o Prémio da Ética no desporto”, que o “desporto necessita de ética, de valores e de princípios” e a “sociedade em geral também necessita de pessoas que, nas atitudes e palavras, digam que não vale tudo”.

Citou o piloto como “homem, como marido, pai, colega, amigo de profissão” como uma  “figura imersa no mundo do motociclismo a nível nacional e internacional”.

“A vida foi curta mas vivida com densidade e paixão. Morreu no lugar onde gostava de jogar a vida e esse lugar agora ficou vazio”, afirmou. 

Com palavras de conforto D. Jorge Ortiga disse ainda que a família adquiriu agora “um protector que a acompanhará em todos os momentos, de um modo particularíssimo para com os filhos que terão sempre a certeza de um pai que continuará a acompanhar, a aconselhar, a estimular”. 

SN

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