Algarve: D. Manuel Quintas despede-se da diocese, pedindo cristãos com «sabor a Evangelho»

Bispo emérito evoca percurso de 25 anos no sul do país, destacando dimensão multicultural da região

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Faro, 18 set 2026 (Ecclesia) – D. Manuel Quintas vai despedir-se da Diocese do Algarve, após de 25 anos de missão na região, sublinhando a necessidade de “corresponsabilidade” nas comunidades católicas e de diálogo, numa sociedade multicultural.

“Eu parto, mas levo comigo a diocese, particularmente aqueles colaboradores mais diretos, os padres, os diáconos e os leigos mais empenhados”, confessou o administrador apostólico em entrevista à Agência ECCLESIA.

O bispo emérito evocou o investimento feito no curso básico de Teologia, que procurou garantir que as comunidades não sejam formadas por “consumidores”, mas sim por crentes corresponsáveis que tenham um autêntico “sabor a Evangelho”.

“O crescimento desta corresponsabilidade na missão comum da Igreja toda, de cada diocese, cada comunidade, é um grande desafio. Que as pessoas sintam que o anúncio de Evangelho depende de cada uma delas”, precisou.

D. Manuel Quintas destacou o crescimento demográfico da região, que já ultrapassou os 500 mil habitantes, com novas realidades multiculturais.

“Isto é um enriquecimento muito grande, desde que saibamos integrar”, declarou.

Para o responsável católico, é importante que “ninguém se sinta excluído, saber que todos têm lugar, claro, cada um dentro do seu campo específico”.

A entrevista recordou a partilha de espaços de culto com as comunidades ortodoxas, que se revelaram vitais para a partilha de informações sobre “dificuldades de trabalho e de habitação”.

D. Manuel Quintas sublinhou igualmente a dimensão atingida pela imigração brasileira, garantindo que se esta comunidade abandonasse a região, “a restauração tinha de fechar, aqui no Algarve, a hotelaria tinha de fechar”.

O administrador apostólico disse que tentou ser um bispo de “proximidade”, que trabalhou para “quebrar fronteiras” e “protocolos”, privilegiando a proximidade com as populações.

Olhando para a transição em curso, admitiu que D. Vitorino Soares traz uma “calma” e uma “serenidade” próprias, deixando a recomendação que outrora recebeu de um missionário: “Vá e veja, porque só vendo e estando no lugar é que nos apercebemos da realidade”.

D. Manuel Quintas confirmou a viagem na próxima segunda-feira para Aveiro, regressando à sua congregação religiosa, os Dehonianos, para ser “um irmão entre eles”.

“Preciso da vossa ajuda para encontrar o sentido fraterno da vida em comunidade, porque já há 26 anos não vivo em comunidade”, revelou o bispo, antecipando o pedido de paciência que fará aos confrades.

Natural de Mazouco, o bispo emérito prometeu ainda regressar às suas origens transmontanas na “primeira oportunidade”, para recuperar o tempo perdido após uma recente intervenção cirúrgica o ter impedido de participar nas festas da terra natal, em agosto.

D. Manuel Quintas foi nomeado bispo auxiliar do Algarve no dia 30 de junho do ano 2000, por São João Paulo II, e sucedeu a D. Manuel Madureira Dias, como bispo diocesano, no dia 27 de junho de 2004, tendo renunciado ao cargo por ter atingido o limite de idade determinado pelo Direito Canónico.

O seu sucessor, D. Vitorino Soares, vai tomar posse este sábado como bispo da Diocese do Algarve, numa celebração agendada para a Catedral de Faro.

O responsável foi nomeado pelo Papa Leão XIV no dia 14 de julho.

O território da Diocese de Algarve abrange atualmente todos os concelhos do distrito de Faro e serve uma comunidade de quase 500 mil residentes habituais, apresentando raízes cristãs documentadas desde o século III na antiga cidade romana de Ossónoba.

LJ/OC

Algarve: D. Manuel Quintas saúda nomeação de sucessor e despede-se da diocese, após mais de 25 anos de missão episcopal

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