Não queiras impressionar ninguém!

José Luís Nunes Martins

Foto de Kira Adam na Unsplash

Quase ninguém está a pensar em ti. Mesmo os que têm os olhos postos em ti, o mais certo é que não te estejam a ver, muito menos a pensar em ti. Os ausentes lembrar-se-ão por vezes de ti, mas apenas por alguns momentos.

Quem é que te impressiona mesmo? Quase ninguém! Contigo, em relação a eles, passa-se o mesmo. A diferença está no quanto de ti pões ao serviço dessa vontade de impressionar. Quanto mais a opinião do outro for importante para ti, mais prisioneiro dela serás.

As pessoas veem-se a si mesmas em quase tudo e em quase todos. O critério mais comum para avaliar os outros é o de quão semelhantes são a quem os avalia. Como não somos iguais e como julgamos quase sempre, de forma muito subtil, que isso é uma falha nossa, temos de escolher se ficamos prisioneiros dessa lógica ou se seguimos livres, comparando apenas o que somos com aquilo que queremos ser.

Todos precisamos de ser admirados, porque todos temos uma enorme necessidade de ser amados e de amar. As palavras de quem nos ama devem ser, para nós, muitíssimo mais valiosas do que as de todos os outros. Quem nos ama não procura impressionar-nos; procura o nosso bem. Os outros também dirão que querem o nosso bem, mas, muitas vezes, procuram sobretudo a nossa admiração.

Que importância devem ter para ti as palavras de quem não te dá importância? De quem não te ama nem, na maior parte das vezes, sabe sequer quem és?

Querer agradar a alguém que não nos ama é um caminho a pique para a desgraça.

Procura as palavras e a admiração de quem te ama. Talvez seja apenas um silêncio bom e a certeza de uma presença que ficará, faças tu o que fizeres.

 

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

 

 

 

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