Igreja/Portugal: Papa nomeia D. Vitorino Soares como bispo do Algarve

Em declarações à Agência ECCLESIA, novo responsável assume missão livre de «preconceitos» e confessa que já se sente «algarvio»

Porto, 14 jul 2026 (Ecclesia) –Leão XIV nomeou hoje D. Vitorino Soares, até agora auxiliar da Diocese do Porto, como bispo do Algarve, sucedendo a D. Manuel Quintas, informou a Nunciatura Apostólica em Portugal.

“Recebo a nomeação com muita alegria como uma boa notícia, ativado como uma boa nova, um Evangelho que chega à minha vida”, disse à Agência ECCLESIA o novo responsável, sublinhando a total disponibilidade para acolher a realidade local sem ideias preconcebidas.

“Estou livre, estou a zeros, não estou dependente de ninguém”, acrescentou D. Vitorino Soares.

A nomeação do Papa Leão XIV coincide com o 41.º aniversário da ordenação sacerdotal do responsável católico, de 65 anos de idade.

O sucessor de D. Manuel Quintas encara a necessidade de descobrir a diocese como uma vantagem para iniciar a missão episcopal.

“Nunca fui procurar números, nem de padres, nem de religiosas, nem de paróquias para dizer que eu estava sereno e recolhido no meu canto, à espera daquilo que pudesse surgir. A partir daqui, agora sim, vou fazer esse caminho de descoberta, mas nunca me preocupou porque eu nunca procurei nada e, portanto, não estava à espera de nada”, admitiu D. Vitorino Soares, até agora auxiliar da Diocese do Porto.

Para o novo bispo do Algarve, a ausência de amarras permite uma maior dedicação à nova realidade.

“Quem não tem preconceitos, quem não tem conhecimentos, quem não está ligado a nada nem a ninguém está também mais livre”, constatou.

Foto: Agência ECCLESIA

Natural da Diocese do Porto, D. Vitorino Soares nasceu em Penafiel, a 19 de outubro de 1960, foi ordenado sacerdote a 14 de julho de 1985 e é o mais velho de cinco irmãos, um dos quais também sacerdote.

A 17 de julho de 2019, o Papa Francisco nomeou-o bispo auxiliar do Porto, onde era também reitor do Seminário Maior; a ordenação episcopal, presidida por D. Manuel Linda, foi celebrada a 29 de setembro de 2019.

Na CEP, preside à Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios.

Como sacerdote da Diocese do Porto, D. Vitorino Soares trabalhou no Seminário do Bom Pastor, entre 1984 e 1987, e no Seminário Maior, entre 1989 e 1994; capelão militar de 1987 a 1989, o padre Vitorino dedicou 10 anos do seu trabalho pastoral aos jovens, sendo diretor do Secretariado Diocesano da Juventude entre 1989 1999.

Em 1994 assumiu a paróquia de Castelões de Cepeda, em Paredes, e em 1999 a de Madalena, na mesma vigararia.

A forte presença turística na região do Algarve foi classificada pelo responsável como um “privilégio”, capaz de enriquecer as comunidades católicas através da pluralidade de povos e culturas.

“A Igreja tem de ser à imagem de Jesus, que é ponto de encontro, que promove encontros com as pessoas, que vai ao encontro das pessoas ou então que se deixe encontrar por elas”, sustentou.

A promoção vocacional assume-se como outra das prioridades do novo bispo, para quem o tema deve deixar de ser “tabu” nas comunidades e escolas.

“Não temos tido capacidade para entusiasmar e acho que não é o Senhor que dorme, nós é que estamos adormecidos”, alertou o até agora reitor do Seminário Maior do Porto.

D. Vitorino Soares destaca ainda a importância de partilhar a “experiência” do seu antecessor, com mais de 20 anos de serviço à Diocese do Algarve.

Numa mensagem divulgada pela Diocese do Algarve e enviada à Agência ECCLESIA, o novo bispo destaca que este território “sempre se destacou pela pluralidade e pela comunhão. Manifesto a minha alegria em partilhar e gastar a vida convosco a partir de hoje, nos cansaços e nas energias, nos fracassos e nos sucessos, nos sonhos e nos projetos”.

“Convosco, sem vos conhecer .também já me sinto algarvio: ajudai-me a ser um dos vossos”, acrescenta D. Vitorino Soares.

Como aconteceu com Jesus Cristo, que nunca se sentou à secretária para escrever o guião da sua vida, vamos todos escutar o Pai e descobrir em conjunto, com a ação do Espírito Santo, a sua vontade a respeito da diocese do Algarve, da sua igreja e de muitos que não estando rotulados com esta linguagem, também levam por diante o mesmo programa ‘ser felizes e lutar pela felicidade dos outros’, a partir de uma humanidade saudável, que promove vínculos e laços que nos fazem sentir em família, onde nos sentimos amados, perdoados e irmãos em permanente crescimento.”

O Papa aceitou a renúncia apresentada por D. Manuel Quintas, que em 2024 tinha atingido o limite estabelecido pelo Direito Canónico (75 anos) para o exercício do cargo.

LS/OC

A presença cristã na região algarvia remonta ao período romano, encontrando-se documentada a existência de uma hierarquia episcopal na antiga cidade de Ossónoba, atual Faro, desde os primórdios do século IV.

A organização territorial sofreu várias reestruturações institucionais após a invasão muçulmana e a posterior reconquista, culminando na transferência definitiva da sede de Bispado de Silves para Faro no ano de 1577.

A atual Diocese do Algarve, inserida na província eclesiástica de Évora, abrange geograficamente todos os concelhos correspondentes ao distrito de Faro, servindo uma comunidade de aproximadamente 400 mil residentes habituais.

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