«É preciso fazer silêncio no nosso coração e interrogar-nos» – D. Manuel Quintas

Foto: Folha do Domingo/Samuel Mendonça

Faro, 03 nov 2020 (Ecclesia) – O bispo do Algarve disse que “é preciso fazer silêncio no coração” para que um possa tirar “lições” da pandemia Covid-19, falando na celebração da memória litúrgica dos Fiéis Defuntos a que presidiu esta segunda-feira, na Sé de Faro.

“É preciso fazer silêncio no nosso coração e interrogar-nos: o que é que Deus nos pede, o que é que Deus quer de nós, o que é que Deus quer da humanidade com esta pandemia? Quais são as lições que, a nível pessoal, a nível eclesial também, a nível familiar, a nível social, devemos tirar desta situação?”, explicou D. Manuel Quintas, citado pelo jornal diocesano ‘Folha de Domingo’.

O responsável sublinhou que os últimos meses “não têm sido fáceis”, “não estão a ser fáceis e tudo indica que não vão continuar fáceis para ninguém”.

“É como se toda a humanidade se sentisse ameaçada por uma arma invisível e insidiosa que a todo o momento, e quando menos se espera, pode implacavelmente atingir indistintamente, sem olhar a nada nem à condição de ninguém”, observou.

Segundo D. Manuel Quintas, a atual situação “é geradora de sentimentos de incerteza e insegurança, de medos que desestabilizam, de sofrimento e desconforto generalizado”, presente no “silêncio inusitado” das ruas desertas, na solidão, nas ausências, “na falta de afetos daqueles que são mais queridos”.

“Jesus na cruz assume a oração da humanidade de todos os tempos que se sente abandonada, sem rumo e tantas vezes perdida”, acrescentou.

O bispo do Algarve referiu que “não é fácil” conduzir os destinos de uma cidade, da sociedade em geral ou de um país no seu todo “nestas condições” e exemplificou que nem se sabe “muito bem como agir ou reagir a nível pessoal, a nível familiar, a nível social”.

“Nunca foi escrito um guião sobre o modo como agir, como governar, em tempos semelhantes a este”, salientou.

Neste contexto, D. Manuel Quintas assinalou que o mesmo se aplica ao modo como se deve “animar a pastoral diocesana” em tempo de pandemia.

Foto: Folha do Domingo/Samuel Mendonça

“Só a abertura à criatividade e à ação do Espírito pode levar a discernir e a entender o que Ele hoje nos diz com este tempo de pandemia e quais as opções que dele devemos tirar”, explicou, indicando que deverão passar a uma maior abertura à ação de Deus na vida de cada um e por “estar mais tempo com os outros”, particularmente aqueles quem se vive.

A ‘comemoração de todos os fiéis defuntos’, esta segunda-feira, 2 de novembro, foi também um dia de luto nacional e de homenagem a todos os falecidos, em especial às vítimas da pandemia, a que se associou também a Diocese do Algarve.

“Não queremos esquecer inclusivamente os seus familiares e todos aqueles que sofrem toda a espécie de consequências devido a esta pandemia”, disse D. Manuel Quintas que recordou também quem faleceu “pelas dificuldades em lhes prestar o cuidado que a sua situação frágil e debilitada exigia”.

“Não esquecemos nesta Eucaristia igualmente os familiares de todos os falecidos que se viram impossibilitados de lhe prestar o luto, o afeto, a homenagem que o seu coração lhes ditava”, acrescentou.

Nesta Missa a Diocese do Algarve reza também pelos seus bispos falecidos e D. Manuel Quintas lembrou particularmente os últimos cinco, que serviram a diocese de 1920 a 1988.

No dia 14 de novembro, a Conferência Episcopal vai celebrar uma Eucaristia de sufrágio pelas vítimas da pandemia em Portugal, às 11h00, na Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima.

CB

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