António Luciano, Bispo de Viseu

A urgência da paz no mundo sempre foi uma necessidade, mas nunca se falou tanto dela como hoje. Os conflitos no mundo escalam a uma velocidade enorme e tudo se altera em questão de segundos.
Vivemos a um ritmo acelerado e alucinante e a guerra acompanha essa realidade. São vários os esforços e apelos que se fazem para vivermos num mundo pacífico – que na Igreja Católica têm ecoado pela voz do nosso querido Papa Leão XIV – particularmente nos últimos tempos.
A Igreja guiada pelo Bom Pastor espera com confiança o maior cuidado de todos pelos mais pobres, marginalizados e esquecidos.
O testemunho do Papa Leão XIV, como Pastor da Igreja Universal, apela ao mundo o bom senso, num grito de clamor, que não podemos esquecer na oração, no diálogo fraterno e nos passos da diplomacia pela construção da paz. Para garantir este dom, é preciso educar para a paz, prevenir a guerra e construir, em cada dia, vidas sadias segundo os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja.
Mas afinal a questão que se coloca é: onde começa a paz? É nas famílias, nas escolas e na Igreja, com as crianças e com os adultos, sem deixar ninguém de fora, porque a paz constrói-se no presente para dar frutos num futuro novo, cheio de esperança e compromisso.
São as mulheres e homens do amanhã que temos de formar e consciencializar para a importância de vivermos num mundo pacífico, onde não existam guerras, tensões e incertezas, que causam tantas mortes, dor e sofrimento e fazem aumentar a pobreza social.
Quando falo de família, de comunidade e de um povo não é apenas no sentido restrito do lar, mas também na grande família humana, que hoje ultrapassa o espaço geográfico, político, intelectual e social, onde todos somos chamados a reconhecer-nos como irmãos e irmãs.
Na família humana e na Igreja, que tem o dever moral de condenar a guerra e todas as formas de violência, deve ser no nosso tempo a grande escola de referência para o crescimento global e equilibrado do mundo. É neste horizonte e neste contexto de busca de um mundo novo, que se constrói a paz: não como ausência de guerra ou de conflito, mas como fruto e serviço do amor, em relações reconciliadas e pacificadas, na valorização da responsabilidade e liberdade.
A família é o campo onde se semeiam as primeiras palavras de perdão, se reflete sobre a importância da comunicação, da paciência e do diálogo que devem assentar no verdadeiro amor.
Uma família onde se aprende a escutar, a acolher, a amar, a rezar e a servir é um lugar privilegiado onde se aprende a construir a paz. Por isso, a missão da família e da Igreja, numa relação com o mundo, não é apenas social, moral ou cultural. É profundamente espiritual e humana, com um horizonte de transcendência.
Ao falar da família, recordemos a missão de Maria, presente na vida de todas as mães. Ela que ama, cuida, ampara e nos auxilia, é destacada no próximo dia 3 de maio, em Portugal, por ser o Dia da Mãe. Celebrar o dom de uma mãe é agradecer a vida que brota, protege, acolhe e educa.
Num mundo fragmentado, em busca da paz e da liberdade, as famílias devem ser comunidades que crescem na comunhão, na unidade e na participação.
Como sonhar, em missão, para construir um mundo mais justo, mais fraterno, mais solidário e mais próximo de quem precisa?
Seguindo o ensinamento do Papa Leão, “Queremos dizer ao mundo, com humildade e alegria: Olhai para Cristo! Aproximai-vos Dele, acolhei a sua palavra, que ilumina e consola! Escutai a sua proposta de amor para vos tornardes a sua única família. No único Cristo somos um.”
Que cada família seja uma escola de vida, de comunhão e de paz, onde os valores da Igreja, como mãe e educadora, continuem a ser um modelo e um serviço, que acolhe os que a ela recorrem.
António Luciano, Bispo de Viseu
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