D. Andrés Carrascosa Coso esteve presente no debate promovido na Feira do Livro de Lisboa

Lisboa, 09 jun 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, afirmou que a primeira carta encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas” (a magnífica humanidade), ultrapassa o âmbito religioso, tendo um alcance universal.
“Eu acho que quem não ler, perde alguma coisa. É uma chance que o Papa nos está a dar. É um texto que não é para a Igreja, é um texto que é para a humanidade”, afirmou o embaixador da Santa Sé, em declarações à Agência ECCLESIA, esta segunda-feira.
O representante do Papa em Portugal marcou presença na apresentação da encíclica escrita por Leão XIV, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial (IA), na Feira do Livro de Lisboa, no Auditório Lusíadas Saúde, no Parque Eduardo VII.
D. Andrés Carrascosa Coso destaca que o Papa é um homem que conhece bem os algoritmos, lembrando que o pontífice obteve uma licenciatura em matemática, e ao mesmo estudou Filosofia e Teologia.

“É um agostiniano, é um homem de muita interioridade, que reza, que tem essa reflexão interior, profunda, esse discernimento, depois conhece bem o direito internacional”, destaca.
O núncio apostólico salienta que a experiência que Leão XIV tem de percorrer o mundo, leva-o a dizer os pontos positivos “enormes” que a inteligência artificial tem, mas, ao mesmo tempo, a alertar para os seus “perigos”.
“E faz isso a partir do conhecimento profundo que tem da Doutrina Social da Igreja”, acrescentou.
O embaixador da Santa Sé em Portugal entende que a IA deve se algo que os bispos em Portugal devem ter atenção.

“Tenho visto padres mais idosos que, quando alguém fala destas coisas, dizem ‘a inteligência artificial nunca vai ser como a inteligência natural’, ponto. Mas temos desafios que temos que enfrentar, não somente para nós, mas também para saber iluminar e saber ajudar este mundo ao qual temos que servir”, indicou.
Promovida pelo Patriarcado de Lisboa e a Paulina Editora, a apresentação da encíclica na Feira do Livro de Lisboa contou com as intervenções do ex-presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa; do patriarca de Lisboa, D. Rui Valério; do antigo vice-primeiro-ministro Paulo Portas; do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel; e do sociólogo António Barreto.
O documento foi divulgado a 25 de maio pelo Vaticano, convocando a sociedade para o “desarmamento” da inteligência artificial perante os cenários de automação militar e manipulação de dados.
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