D. Rui Valério destaca «coincidência quase profética», e caminhar com «as intuições e as sensibilidades» de Leão XIV

Lisboa, 09 jun 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirma que olha “com imensa alegria” para a primeira encíclica do Papa Leão XIV, ‘Magnifica Humanitas’, e realça “um sentimento de esperança” pela atração do mundo pelo documento “cujo centro é preenchido pelo ser humano”.
“Quando o mundo se sente mobilizado e atraído por uma encíclica cujo coração, cujo centro, é preenchido pelo ser humano, pelos seus problemas, pelos seus desafios, pelas suas debilidades, isso só nos pode dar uma atitude e um sentimento de esperança”, disse D. Rui Valério, em declarações à Agência ECCLESIA, esta segunda-feira, na Feira do livro de Lisboa.
‘Magnifica Humanitas’ (a magnífica humanidade), é o título da primeira encíclica de Leão XIV, o Papa escreve sobre ‘A salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial’, e foi apresentada pelo próprio pontífice, no dia 25 de maio, no Vaticano.
O patriarca de Lisboa afirmou que olha para esta encíclica “com imensa alegria”, na medida em que “faz eco” das palavras do Salmo 8, quando o salmista diz: ‘contemplando a maravilha do universo, das estrelas, do mar, mas o que é o homem para que vos lembreis dele?’.
“Esta encíclica ajuda-nos a admirar, a amar e a compreender melhor o homem e a sua grandeza e, como ele diz, a sua dimensão magnífica”, acrescentou, salientando que “o ponto de partida é sempre a centralidade do ser humano”.
Segundo D. Rui Valério, quando o mundo “se sente mobilizado e atraído” por uma encíclica – o grau máximo das cartas que um Papa escreve – “cujo coração, cujo centro é preenchido pelo ser humano”, pelos seus problemas, pelos seus desafios, pelas suas debilidades, “só pode dar uma atitude e um sentimento de esperança”.
O patriarca de Lisboa, o antigo presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, o comentador e antigo ministro Paulo Portas e o sociólogo António Barreto, apresentaram a encíclica de Leão XIV na Feira do Livro de Lisboa, esta segunda-feira, no Parque Eduardo VII, numa iniciativa promovida pelo Patriarcado de Lisboa, com a Paulinas Editora.
“O que hoje está a acontecer aqui é mais do que a apresentação de um livro. É um exercício de discernimento sobre o nosso tempo. Num mundo frequentemente marcado pela velocidade, pela fragmentação e pela dificuldade em pensar o futuro para além da próxima inovação tecnológica, a Igreja continua a oferecer aquilo que sempre procurou oferecer ao longo dos séculos: uma luz para compreender o homem e o seu destino, mas sobretudo para o admirar e amar”, disse D. Rui Valério, na apresentação da sessão, antes de evocar o Salmo 8, no Auditório Lusíadas Saúde.
Na conclusão, após as intervenções dos convidados, o patriarca de Lisboa explicou que “a grande questão colocada pela inteligência artificial não é apenas tecnológica”, mas “antropológica, espiritual”, e destacou que “um segundo contributo decisivo” da encíclica consiste em “mostrar a extraordinária atualidade da Doutrina Social da Igreja”.
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