Solidariedade: «Os pedidos de ajuda continuam», assinala Associação Luso-Alemã, elogiando «utentes resilientes»

Inês Teixeira destaca a importância de «manter o acompanhamento e a proximidade» aos utentes, quando entregam os cabazes

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Cascais, 29 mai 2026 (Ecclesia) – O Gabinete de Ação Social da Associação de Beneficência Luso-Alemã (ABLA Portugal) onde “os pedidos de ajuda continuam” a chegar, em Carcavelos (Cascais), trabalha “com pessoas em vulnerabilidade”, e destaca que os seus utentes são “pessoas resilientes”.

“Nós não só acompanhamos pessoas que estão desempregadas, mas também idosos que têm reformas muito inferiores, e, por incrível que pareça, pessoas que estão a trabalhar, que até têm um ordenado mínimo, ou um pouco superior, mas, infelizmente, não dá para fazer face às despesas do mercado, da habitação”, explicou Inês Teixeira, do Gabinete de Ação Social da ABLA, em declarações à Agência ECCLESIA.

A assistente social salienta que o cabaz alimentar “está a ficar mais caro”, os produtos estão cada vez mais caros, e “infelizmente os salários não acompanham os preços do mercado”, por isso, na ação social da Associação de Beneficência Luso-Alemã, com sede em Carcavelos, tentam “apoiar o máximo possível” as pessoas, nomeadamente através de cabazes, com bens que recebem do Banco Alimentar Contra a Fome, um “apoio muito importante” porque permite à “família alocar o rendimento por exemplo a uma fatura de eletricidade ou de gás”.

“Há sempre um acontecimento que, infelizmente, vem a abalar a economia. Nós temos sentido mais a crise da habitação, as rendas estão muito altas, um quarto está a valores altíssimos, e o ordenado mínimo não chega para combater essas necessidades. Mas acho que é um assunto recorrente, veio a pandemia, as guerras, eu acho que não vai terminar.”

A ABLA apoia atualmente 66 famílias, ao todo “128 pessoas e 26 crianças”, “o público-alvo é um bocadinho sempre igual, vai rodando”, um estudo que foi publicado no dia 20 de maio aponta para alguma redução do número de pobres em Portugal, mas, Inês Teixeira não sabe “se a pobreza baixou”, porque “os pedidos de ajuda continuam a vir”, e lamenta que “existe uma desigualdade social muito grande”.

O Banco Alimentar (BA) Contra a Fome, um parceiro importante da ação social da Associação de Beneficência Luso-Alemã, vai realizar a primeira campanha de recolha de alimentos de 2026, este sábado e domingo, dias 30 e 31 de maio.

“É muito importante! O Banco Alimentar todas as segundas-feiras estamos dedicados a esse projeto, e todas as segundas-feiras as famílias levam um cabaz de fruta e de outros produtos, como iogurtes, pão, carne também, os secos das mercearias, na segunda e na quarta semana de cada mês. Lá está, a tentar alocar o dinheiro no que vai realmente fazer falta”, explicou a assistente social.

A entrevistada sublinha que este apoio do BA “é realmente muito importante”, sem o qual não sabem como é que iam “conseguir ajudar estas famílias”, quando os alimentos chegam, como no dia da reportagem, 25 de maio, descarregaram, separaram os alimentos e prepararam os cabazes, durante a manhã, concentrando a tarde à entrega, e ao acolhimento dos utentes, para “falar um bocadinho e não ser uma entrega só de dar o saco”.

Foto: Agência ECCLESIA/TAM

“Queremos manter o acompanhamento e a proximidade. Eu acho que é muito importante termos esses momentos com os utentes. No decorrer da semana, por vezes, nós não temos tempo disponível, então à segunda-feira, especificamente no Banco Alimentar, é um tempo que podemos falar com o utente, perceber como é que ele está, como é que correu a sua semana, as necessidades que eles tenham”, desenvolveu.

Também existem situações, assinala Inês Teixeira, que entregam os cabazes aos domicílio, quando as pessoas não “têm capacidade de sair de casa ou outra questão”, após avaliação do Gabinete de Ação Social, “para garantir que a pessoa não fique de mãos vazias, sem esse apoio que é muito importante”.

O próximo Programa ’70×7′ do próximo domingo, na RTP2, é dedicado à atividade solidária do Banco Alimentar Contra a Fome e das IPSS parceiras, com destaque para a ABLA e para o Centro Padre Alves Correia (CEPAC) dos Missionários Espiritanos.

CB/OC

A ABLA Portugal surgiu na década de 80, por iniciativa de um grupo de alemães “sensibilizados com o drama dos refugiados das ex-colónias portuguesas no Vale do Jamor”, e tem como missão servir a comunidade envolvente, local e internacionalmente.

“Tentamos sempre ir ao encontro das necessidades que estão a existir, e que no futuro também irão existir. Neste momento, a saúde mental é um grande problema, então, estamos a investir nos gabinetes de psicologia e de terapia”, assinalou Inês Teixeira.

A Associação de Beneficência Luso-Alemã tem seis áreas de atuação principais – educativa, sénior, recursos para a comunidade, ação social, cooperação para o desenvolvimento, e Guest House, “para sustentabilidade” da associação –, o Gabinete de Atendimento Social presta auxílio à comunidade das freguesias de Carcavelos-Parede e São Domingos de Rana, no Município de Cascais.

“Os nossos utentes são pessoas resilientes, que mesmo face aos problemas da atualidade, da habitação, da economia, não ficam quietas à espera que a ajuda venha. São pessoas que tentam lutar contra as adversidades, só que chegam a uma altura em que precisam também de ser ajudadas, é um público muito resiliente e trabalhador, não é um de ficar quieto à espera que caia tudo no colo.”

A Associação de Beneficência Luso-Alemã foi reconhecida como IPSS, em fevereiro de 1984, e recebeu o estatuto de ONGD – Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento, em setembro do mesmo ano, também trabalham na Guiné, e apoiam “missão no Brasil e na Bulgária.

No Município de Cascais têm uma escola em Carcavelos e na Parede, o Centro de Convívio – “mais a nível de idosos para combater o isolamento”, Serviço de Apoio Domiciliário, os Gabinetes de RSI e de Ação Social, de Psicologia, e também “um apartamento partilhado para pessoas em situação de sem-abrigo”.

“A Câmara de Cascais disponibiliza apoios para as instituições,  através do ‘Cascais Mais Solidário’ conseguimos, de vez em quando, apoios pecuniários para faturas ou até mesmo documentação. Depois, através das grandes doações, conseguimos roupa para as crianças ou fraldas, produtos de higiene, e em casos de necessidade conseguimos recorrer a apoio para móveis”, salientou ainda a assistente social Inês Teixeira, que também destacou a importância dos seus parceiros e do trabalho em rede com outras instituições.

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