Igreja/Portugal: «Vemos cada vez mais pessoas a precisar de apoio alimentar», alerta Centro Padre Alves Correia

Banco Contra a Fome realiza campanha de recolha de alimentos, e CEPAC é um canal de distribuição dessa solidariedade

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Lisboa, 28 mai 2026 (Ecclesia) – O Centro Padre Alves Correia (CEPAC), dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos), afirma que “cada vez mais pessoas” precisam de apoio alimentar em Portugal, a sua Mercearia social Sabura tem o Banco Alimentar Contra a Fome como “principal parceiro”.

“Vemos cada vez mais pessoas a precisar deste apoio alimentar, não só aqui no CEPAC, mas a nível nacional, o próprio efeito da inflação nos produtos alimentares, toda a situação socioeconómica, política do país, que vem trazer novas dificuldades aos agregados familiares, sejam nacionais, sejam estrangeiros, aqui não há diferenças. E, nós procuramos sensibilizar, consciencializar, para esta necessidade da solidariedade e de trabalharmos em conjunto”, disse a representante do Gabinete de Comunicação e Advocacy do CEPAC, à Agência ECCLESIA.

Mariana Hancock sublinha que “tem vindo a aumentar essa procura” por alimentos, e no Centro Padre Alves Correia – instituição sem fins lucrativos, com personalidade jurídica no foro canónico e civil, criada em 1992 – sentem que “há qualquer coisa que nos diz que ainda não é suficiente”, “apesar de todo o esforço e da diversidade” e dos “apoios fundamentais” como do Banco Alimentar Contra a Fome.

“Conseguimos suprir algumas necessidades, mas a situação mantém-se frágil”, acrescentou, a representante da instituição que tem sede em Lisboa, na Estrela, perto da Assembleia da República, mas a sua ação estende-se pela área metropolitana da capital portuguesa, a municípios como Amadora, o Barreiro, Loures, e Sintra.

“Qualquer pessoa, independentemente da sua situação socioeconómica, tem visto refletido no seu orçamento pessoal e familiar o aumento do custo de vida, obviamente, quem está em situações de maior vulnerabilidade sente isso a duplicar, a triplicar. E nós temos sentido que existem algumas pessoas que, às vezes, têm de ficar em lista de espera porque não temos a capacidade de integrar nesta resposta.”

O Banco Alimentar Contra a Fome, que é o “principal parceiro” da Mercearia social Sabura do CEPAC, realiza duas campanhas de recolha de alimentos no ano, habitualmente no último fim-de-semana dos meses de maio e de novembro; a primeira campanha de 2026 vai realizar-se este sábado e domingo, dias 30 e 31 de maio.

“Um dos nossos grandes objetivos são dar acesso a uma alimentação saudável e diversificada. Cada vez mais, nós procuramos outras parcerias complementares, mas podemos dizer que o nosso apoio fundamental vem do Banco Alimentar, todas as semanas, sem falhas, produtos frescos, que é essencial, e os bens não perecíveis, que também são a base da dieta alimentar”, indicou Mariana Hancock, do Gabinete de Comunicação e Advocacy.

O Centro Padre Alves Correia, dos Missionários Espiritanos, tem como missão apoiar a pessoa imigrante em situação de vulnerabilidade e, nesta “construção de um projeto de vida digna e feliz”, mudou a forma de atuação do apoio alimentar e criou a Mercearia social Sabura (Rua de Santo Amaro), onde os seus “clientes” vão uma vez por mês, num “dia fixo”, após o “primeiro atendimento com assistentes sociais” que fazem a pré-seleção “para ver se as pessoas estão dentro dos requisitos para receber banco alimentar”.

“A Mercearia Sabura, neste momento, é a forma como tentamos dar de uma forma mais digna o apoio alimentar aos nossos utentes. Dávamos cabazes pré-feitos, de forma a ser mais agradável para as pessoas, mais digno, criámos esta mercearia, em 2022, dentro dos créditos que têm disponíveis e pelo tamanho de família, nós dizemos quais são as disponibilidades que temos e as pessoas escolhem se querem levar ou não”, explicou a coordenadora desta resposta social.

O apoio alimentar do CEPAC quando recebe “produtos do Banco Alimentar”, como esta segunda-feira, dia 25, que receberam legumes e fruta fresca e congelados, faz “uma pequena triagem”, contam a mercadoria, e fazem “uma divisão pelo número de famílias” que vão ter no atendimento nessa semana.

“Nós temos quatro tipos de cabazes conforme o tamanho da família, temos famílias que é só uma pessoa e temos famílias que têm mais de cinco pessoas; o produto tem um número de pontos por cabaz, e depois dizemos que daquele produto pode levar até X unidades, e as pessoas decidem se querem levar ou não, e levam as unidades que querem até aquele limite”, desenvolveu Dina Gonçalves.

Na Mercearia Sabura, explica a coordenadora, os clientes – “200 agregados familiares, que se traduz à volta de 500 pessoas” – encontram “o normal de massa, arroz, leite, atum, salsicha, as bolachas”, produtos fixos que têm sempre, e, “todas as semanas”, recebem “frutas, iogurtes, os frescos”.

A campanha solidária da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome “tem hoje três modalidades” e, para além da recolha em saca de alimentos nos super e hipermercados, existe também “a campanha Ajuda Vale e a campanha online, através do site alimenteestaideia.pt”, que começam hoje, 28 de maio, e terminam no “domingo da semana seguinte”, dia 7 de junho.

“Mas é no fim de semana sábado e domingo, este ano 30 e 31 de maio, que estas recolhas têm mais expressão. Eu diria que as outras modalidades representam à volta de 15%, mas que são uns 15% muito importantes porque nos permitem fazer até uma previsão da entrada destes produtos, e tê-los um bocadinho mais tarde”, explicou Isabel Jonet, incentivando à solidariedade das pessoas que “não forem ao supermercado através dos vales ou através do canal online”.

O próximo Programa ’70×7′, na RTP2, é dedicado à atividade solidária do Banco Alimentar Contra a Fome e das suas IPSS parceiras, com destaque para o CEPAC e para a ABLA (Associação de Beneficência Luso-Alemã, em Carcavelos), este domingo, dia 31 de maio.

CB/OC

Solidariedade: Banco Alimentar Contra a Fome apela ao voluntariado e à doação de bens, na campanha de maio

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