Solidariedade: Banco Alimentar Contra a Fome apela ao voluntariado e à doação de bens, na campanha de maio

«Em Portugal ainda há famílias que têm vidas muito difíceis; nós estimamos que estão a ser apoiadas 370 mil pessoas», alerta Isabel Jonet

Lisboa, 27 mai 20216 (Ecclesia) – A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome apela à participação dos voluntários na campanha de 30 e 31 de maio, e à doação de alimentos porque “os produtos mais básicos só entram nas grandes campanhas de recolha”.

“Hoje em dia, há 21 Bancos Alimentares em todo o território nacional, continente, Açores e Madeira, e estes bancos alimentares vivem, basicamente, com recurso ao trabalho voluntário, temos equipas de colaboradores permanentes, mas na maioria aquilo que temos são voluntários. E o apelo que eu deixo é para que os voluntários continuem a querer participar nas campanhas do Banco Alimentar, não só nestas grandes ações de recolha, mas também no dia-a-dia ”, disse Isabel Jonet, esta segunda-feira, em declarações à Agência ECCLESIA.

A presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares (BA) Contra a Fome, “quase há 34 anos” na rede de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), explica que alguém é voluntário tem “um contato com realidades diferentes daquelas que são o dia-a-dia”.

“E ficamos mais sensíveis para o facto de haver pessoas que têm vidas muito difíceis. E em Portugal ainda há famílias que têm vidas muito difíceis”, realçou.

Os Bancos Alimentares Contra a Fome realizam duas campanhas de recolha de alimentos, habitualmente nos últimos fins-de-semana dos meses de maio e de novembro; a primeira campanha de 2026 vai ter lugar este sábado e domingo, dias 30 e 31 de maio, e é necessária a “ajuda de todos”, nos armazéns de recolha, a organizar as doações, ou nos supermercados a recolher os alimentos.

“Estas datas são importantes porque permitem repartir o ano em dois períodos, um no primeiro semestre e um no segundo semestre. São campanhas de recolha de alimentos, mas são também campanhas de sensibilização para a realidade da pobreza que afeta tanto dos nossos concidadãos, mas que está muito mais próxima do que por vezes imaginamos”, explicou a entrevistada.

Foto: Agência ECCLESIA/CB; Isabel Jonet

Segundo Isabel Jonet, quando se vê que “há tanta insegurança e há tanta incerteza, e falta de esperança”, o Banco Alimentar renova o “apelo à solidariedade”, nomeadamente de vizinhança, e faz estas campanhas que “são de recolha de alimentos, sobretudo de alimentos básicos, para quem tem carências alimentares”.

“Nas campanhas, aquilo que nós privilegiamos são os bens mais básicos, como o leite, o azeite, os enlatados, arroz, massas, cereais de pequeno almoço, bolachas, porque ao longo do ano vamos tendo diariamente doações de produtos que são excedentários, como a fruta, ou iogurtes, ou queijo, e que são produtos mais frescos. Mas os produtos mais básicos só entram aqueles que são doados nestas grandes campanhas de recolha”, desenvolveu.

“É esse o apelo que deixamos, que as pessoas quando forem às compras partilhem. A mensagem do Banco Alimentar é uma mensagem de partilha, dê ao Banco Alimentar aquilo que vai comprar para a sua casa. Não é preciso dar muito, é preciso serem muitas pessoas a deixarem-se tocar por este apelo à partilha.”

Esta segunda-feira, dia 25, a estimativa da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares antes da campanha de recolha de alimentos de maio de 2026, é que “estão a ser apoiadas 370.000 pessoas, através de uma parceria com 2400 instituições de solidariedade social”.

“São instituições muito diferentes, desde paróquias, a centros sociais paroquiais, associações, associações evangélicas e instituições de leigos que andam na rua, por exemplo, a dar de comer às pessoas sem-abrigo, Conferências de São Vicente Paulo. São instituições muito diferentes, com carismas muito diferentes, que têm em comum o facto de quererem ajudar a minorar o problema da pobreza e das carências alimentares”, acrescentou Isabel Jonet.

Foto: Agência ECCLESIA/CB; Miguel Oliveira Santos

O responsável da Logística e Inovação no Banco Alimentar de Lisboa explica que estas instituições, 380 na região da capital portuguesa, são “os grandes parceiros no terreno”, através das quais conseguem “criar mais impacto, distribuem cabazes às famílias, ou refeições confecionadas”.

“Através delas, como fazem o acompanhamento direto às famílias, às pessoas, conseguem não só levar os alimentos, como também mais esperança, acompanhamento, e assim achamos que vai ter mais impacto. Temos cerca de 80 instituições que vêm cá todos os dias, ou buscar produtos frescos, ou produtos secos”, explicou Miguel Oliveira Santos, no meio da organização e distribuição de produtos frescos às IPSS.

À Agência ECCLESIA, este responsável, que está no BA há um ano e alguns meses, revela que “é um desafio grande, é ter muita atividade todos os dias, e todos os dias são diferentes”, com novos voluntários, empresas, “muitos alimentos”, e o consequente “desafio de combater o máximo desperdício, dando este alimento a quem tem mais carências”.

“É um desafio grande, nunca podemos esquecer do que é que é o objetivo final, e acho que esse é o foco que todos temos aqui no Banco Alimentar, tentamos sempre dizer ‘sim’ o máximo que pudermos. É um ambiente muito dinâmico, com muita adaptação e flexibilidade, focando sempre no nosso objetivo que é combater o desperdício e atribuindo estes alimentos quem tem mais a quem tem menos”, acrescentou o responsável da Logística e Inovação no Banco Alimentar de Lisboa.

A campanha solidária da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome “tem hoje três modalidades”, e para além da recolha de alimentos nos super e hipermercados, este sábado e domingo, existe também “a campanha Ajuda Vale e a campanha online, através do site alimenteestaideia.pt”, que começam esta quinta-feira, 28 de maio, e terminam no “domingo da semana seguinte”, dia 7 de junho.

“Mas é no fim de semana sábado e domingo, este ano 30 e 31 de maio, que estas recolhas têm mais expressão. Eu diria que as outras modalidades representam à volta de 15%, mas que são uns 15% muito importantes porque nos permitem fazer até uma previsão da entrada destes produtos, e tê-los um bocadinho mais tarde”, explicou Isabel Jonet, incentivando à solidariedade das pessoas que “não forem ao supermercado através dos vales ou através do canal online”.

Esta campanha solidária dos 21 Bancos Alimentares mobiliza cerca de 40 mil voluntários,  presencialmente podem ser doados alimentos em mais de duas  mil superfícies comerciais por todo o país.

O próximo Programa ’70×7′ é dedicado à atividade solidária do Banco Alimentar Contra a Fome e das IPSS parceiras, com destaque para o CEPAC (Centro Padre Alves Correia dos Missionários Espiritanos) e a ABLA (Associação de Beneficência Luso-Alemã, em Cascais), este domingo, dia 31 de maio, na RTP2.

CB/OC

Partilhar:

Últimas AGENDA

NOTÍCIAS DO DIA

Junho 2026
D S T Q Q S S
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  
Scroll to Top