Cardeal D. Américo Aguiar explicou que visita «não é uma inspeção», e convidou comunidade a «descobrir o rosto de Cristo vivo» nos outros

Almada, 22 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal está a realizar a Visita Pastoral ao Monte de Caparica, desde sábado, onde já presidiu à Eucaristia, e, nos dois primeiros dias, já esteve nos bairros sociais do 2º Torrão e do Raposo.
“Aquilo que nos torna diferentes não é um problema, é uma riqueza. E eu, nesta vigararia de Almada/Caparica, tenho constatado exatamente isso, uma diversidade de proveniências, uma diversidade de geografias que não devem ser problema, pelo contrário, devem ser uma riqueza”, disse D. Américo Aguiar, este domingo, na homilia da Missa de abertura da visita à Paróquia de Nossa Senhora do Monte, enviada à Agência ECCLESIA.
O bispo de Setúbal acrescentou que essa diversidade coloca “desafios novos”, mas está convencido que “as diferenças vão sendo entendidas, cada vez mais, como riqueza, como oportunidade, e não como ameaça”, com o tempo, com os anos, e, principalmente, na “teia” que é a comunidade cristã e na escola.
“Infelizmente alguns gostam de sussurrar nos corações, e mediaticamente, tantas vezes e permanentemente, a dizer que o meu irmão, por ser diferente, é um problema e é uma ameaça para mim. Não é, definitivamente não é, nem pode ser. E nós, comunidade cristã, temos que ser os primeiros a testemunhar essa alegria de nos descobrirmos e nos redescobrirmos verdadeiramente irmãos.”
Na igreja paroquial do Monte da Caparica, o cardeal destacou que tinham “peças belíssimas de arte” com interpretações diversas do rosto de Jesus, do rosto de Cristo, e desafiou a comunidade a fazer um exercício que faz “muitas vezes”, isto é, tentarem descobrir “qual é o rosto de Cristo vivo” para cada um, convidando “a olhar para quem está ao lado, para trás e para a frente”.
D. Américo Aguiar, que afirmou que “a visita pastoral não é uma inspeção”, a partir do Evangelho proclamado disse que era “oportunidade” de lembrar o primeiro bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, que “muitas vezes” disse uma coisa muito interessante: “Cada um de nós, cada um de vocês, todos e cada um de nós, todos, todos, todos, valemos nada mais, nada menos, que Deus. Cada um vale Deus. Ninguém vale mais e ninguém vale menos”.
O bispo de Setúbal convidou a comunidade da Paróquia de Nossa Senhora do Monte para uma oração, “que já é famosa em alguns sítios” da diocese, para “rezar durante a visita pastoral”, “uma oração muito antiga, criada em Santa Maria da Feira e o destinatário era São Sebastião”.
“E estou feliz e contente, já neste primeiro dia daquilo que vi, daquilo que testemunhei, e temos tantas, tantas coisas bonitas para ver, tantos homens e mulheres para encontrar, mas, acima de tudo, tantos rostos de Cristo vivo para que eu possa também receber o testemunho da alegria do Evangelho em cada homem e em cada mulher que vamos ao encontro”, desenvolveu.
Antes da celebração da Eucaristia tiveram um Adoração do Santíssimo dinamizado pelas crianças da Catequese, “protagonistas muito especiais” num exercício de “muita heroicidade”, segundo D. Américo Aguiar, foi a antecâmara “daquilo que são os sonhos, as alegrias, as tristezas, os sofrimentos de todos os meninos e meninas que aqui estiveram e que englobam toda a comunidade”.
A Diocese de Setúbal informa que a visita pastoral ao Monte de Caparica, a 12ª paróquia, continua esta terça e quarta-feira, dias 23 e 24 de junho, antes de uma interrupção para D. Américo Aguiar participar no Consistório convocado pelo Papa Leão XIV (de 25 a 30 de junho), e retoma no dia 1 de julho, terminando no dia 5.
Na homilia, o bispo sadino disse que ia levar “saudações para o Papa Leão XIV”, e dizer, “estou a faltar a uma visita pastoral para estar aqui”, e ver “o que é que ele vai responder de troca, certamente, para cada um”.
Numa mensagem aos paroquianos do Monte da Caparica, pelo início da visita pastoral paroquial, D. Américo Aguiar afirmou que ia “como pastor e irmão”, desejoso de os “encontrar, escutar, rezar e conhecer mais de perto a vida desta comunidade cristã”.
Segundo o bispo de Setúbal, a visita pastoral “é sempre uma oportunidade privilegiada” para fortalecer os laços de comunhão que os “unem como Igreja diocesana e para reconhecer a ação de Deus no meio do seu povo”, e salientou que nas 11 paróquias visitadas “em todas” encontrou “comunidades vivas, generosas, profundamente comprometidas com a missão da Igreja e desejosas de caminhar juntas”. |
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