«As crises não são pecados, são caminho», afirmou o bispo emérito de Leiria-Fátima no Mosteiro de Einsiedeln

Einsiedeln, Suíça, 24 mai 2026 (Ecclesia) – O cardeal D. António Marto presidiu este domingo à peregrinação nacional das comunidades portuguesas na Suíça ao Mosteiro de Einsiedeln e afirmou que Maria é uma “porta aberta” para o “abraço terno” de Deus e para acolher os necessitados.
“Maria porta aberta para entrar e nos introduzir na casa do Pai e conduzir-nos ao abraço terno, paterno e materno do amor de Deus. Mas também é porta aberta para sair ao encontro dos filhos sobretudo mais afastados, necessitados ou extraviados”, afirmou o bispo emérito da Diocese de Leira-Fátima.
Na homilia da Missa no Mosteiro de Einsiedeln, D. António Marto referiu o exemplo de Nossa Senhora, que convida a rejeitar o “egoísmo” e o “individualismo”.
“Convida-nos a ir ao encontro dos outros com as portas abertas do nosso coração e não com as portas fechadas do nosso egoísmo para com quem caminha ao nosso lado cada dia; do nosso individualismo para com quem vive só, na solidão da indiferença para com os que sofrem e vivem na pobreza; ou da exclusão das nossas comunidades daqueles que andam afastados ou não têm a vida em regra”, afirmou.
Organizada pela Coordenação Nacional da Pastoral das Migrações em Língua Portuguesa na Suíça, a peregrinação ao Mosteiro de Einsiedeln realizou-se este ano, após ter sido cancelada desde o Covid, e com a presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima no país, em visita às missões católicas.
Na homilia da Missa, D. António Marto apelou ao acolhimento de todos, na Igreja, a quem deseje “experimentar a beleza do amor, da fraternidade e do perdão do Senhor”.
“Ela conhece-nos bem. É mãe. Sabe bem quais são as nossas alegrias e dificuldades, as nossas esperanças e as nossas desilusões. Quando sentimos o peso das nossas fraquezas, dos nossos fracassos e pecados olhemos para Maria que diz ao nosso coração: levante-te, vai junto do meu Filho Jesus e n’Ele encontrarás acolhimento, misericórdia, perdão, paz, novo alento e nova força para te levantares e continuares o caminho”, afirmou.
Maria convida-nos a descobrir hoje o gosto e o gozo e o encanto de Deus e da beleza do seu amor, a proclamar como Deus é grande. Hoje, num mundo plural e pluralista como o nosso, se não vivermos uma experiência de relação pessoal e íntima com Deus, não há fé cristã que se aguente e seja fonte de alegria e de esperança”.
D. António Marto lembrou que a fé não é vivida “numa redoma de vidro nem numa estufa de plantas sempre à mesma temperatura”, distante do “vírus das crises”, antes “no meio do mundo com problemas e dificuldades do dia a dia. Por isso, a aventura da fé é feita de luzes e sombras. Conhecemos momentos de consolação e de entusiasmo, mas também de cansaços, perplexidades, dúvidas e noites escuras”.
O bispo emérito de Leiria-Fátima disse que Maria é a “Nossa Senhora das interrogações que fez e confiou a Deus” e “encontrou luz na Palavra meditada no coração e na força do Espírito Santo”.
“Caros irmãos e irmãs, as crises não são pecados; são caminho. Muitas vezes tornam-nos humildes para não pensarmos que somos melhores do que os outros. Outras vezes ajudam-nos a reconhecer a necessidade e de Deus e permitem-nos voltar ao Senhor, fazer novamente experiência do seu amor como da primeira vez. Ajudam-nos a amadurecer a fé e o amor”, afirmou.
A peregrinação nacional das comunidades portuguesas ao Mosteiro de Einsiedeln, na Suíça, acontece durante a presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima no país, quando se assinalam 50 anos da Missão Católica de Língua Portuguesa no Cantão de Zurique.
PR




