Migrações: Suíça vive «momento histórico» com visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, cuja receção está a «superar expectativas»

Assistente pastoral aborda passagem do ícone pelas comunidades portugueses, num percurso que se conclui a 30 de maio

Foto: Santuário de Fátima

Lisboa, 21 mai 2026 (Ecclesia) – O assistente pastoral nas Comunidades Católicas de Língua Portuguesa de Zurique, Miguel Serra, afirmou que a Suíça está a viver um “momento histórico com a visita pela primeira vez da imagem de Nossa Senhora de Fátima ao país.

“A Missão Católica de Língua Portuguesa no Cantão de Zurique fez 50 anos e, portanto, pensámos que poderia ser bom pedir ao Santuário de Fátima uma imagem peregrina”, afirma o responsável, em declarações ao programa ECCLESIA, sublinhando o simbolismo de esta ser a estreia do símbolo das aparições da Cova da Iria em território suíço.

A visita do ícone mariano ao país iniciou-se a 3 de maio, percorrendo várias comunidades portuguesas até dia 30, num programa que inclui a presença do cardeal D. António Marto.

Miguel Serra destaca que a receção dos portugueses ao ícone está a ser “enorme” e a “superar expectativas”: “Porque é a Mãe do Céu, Nossa Senhora de Fátima, é o símbolo nacional que muitas vezes nos une em Zurique”.

“Há muitas pessoas portuguesas que não são de prática de missa dominical, mas nas procissões das velas, quando nós organizamos, vão sempre. Portanto, Fátima acaba por ser um ponto de encontro e de convergência entre todos nós”, referiu.

O assistente pastoral das pastoral nas Comunidades Católicas de Língua Portuguesa de Zurique dá conta que a imagem peregrina tem percorrido todos os fins de semana as comunidades (5 ao todo), realçando que no próximo domingo, 24 de maio, se realiza a peregrinação nacional no Mosteiro de Einsiedeln.

“É uma comunidade de monges beneditinos, mas que tem um santuário de Nossa Senhora já por si e já é tradição os portugueses peregrinarem lá. Acontece que desde o Covid pôs-se em pausa esta peregrinação nacional. Já não se faz há muitos anos e passou a ser só cada comunidade vai lá uma vez por ano. Agora retomamos”, explica.

O cardeal D. António Marto vai presidir à celebração, pelas 11h30, e, no dia seguinte, pelas 15h00, profere uma conferência.

O entrevistado realça que a Suíça é um país que tem religiões oficiais e que todas elas têm direito a usufruir do espaço público, esclarecendo que quando se faz ou organiza uma procissão, é necessário pedir autorização à polícia, à Câmara Municipal, que, à partida, cede, uma vez que faz parte da constituição do país o direito a celebrar a fé.

Miguel Serra está, neste momento, em Portugal para acompanhar o cardeal D. António Marto à Suíça, onde vai estar uma semana, elucidando que um dos trabalhos que tem enquanto assistente pastoral nas Comunidades Católicas de Língua Portuguesa de Zurique é precisamente este.

O responsável tem a função de coordenar a catequese, os catequistas, as crianças, os grupos de jovens, além de dar também apoio aos ministros da comunhão e leitores.

“Para a preparação da vinda da imagem peregrina, constituímos um comité de pessoas […] e trabalhamos sempre em conjunto, e sem elas isto seria completamente impossível, porque é muitas coisas”, indica.

“O meu papel é movimentar as pessoas, não é fazer pelas pessoas. Aquilo que hoje cada vez mais se fala, a questão da sinodalidade, já a Suíça vive há muitos anos, e já se faz há muitos anos”, acrescenta.

O leigo evidencia que as pessoas que integram as comunidades na Igreja têm “um papel ativo” e que a equipa pastoral é constituída pelo próprio, dois padres, da Arquidiocese de Braga, e duas secretárias.

“Nós os cinco fazemos com que o motor da missão funcione. E depois pomos o resto a funcionar”, assinalou.

A nacionalidade portuguesa é a terceira com maior representação na Suíça, menciona Miguel Serra, referindo que os portugueses são muitos bem vistos no país, uma vez que são “um povo extremamente trabalhador”, que depressa entra na lógica daquela nação.

PR/LJ/OC

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