Diácono Tiago Fonseca, Diocese de Lamego
A Igreja ensina que a Liturgia é o meio «pela qual, especialmente no sacrifício eucarístico, se opera o fruto da nossa Redenção» (SC 2). Para Romano Guardini, «a liturgia propõe-se antes de tudo criar espírito cristão, (…) Ambiciona conduzir o homem à sua verdadeira relação, à relação essencial com Deus, de maneira que pelos meios da adoração, da homenagem prestada a Deus, da fé, do amor, da penitência e do sacrifício, conquiste a retidão interior» (O Espírito da Liturgia, 2017, pg. 98). E ainda Joseph Ratzinger incentiva a viver a liturgia com consciência para que os participantes se sintam chamados e entusiasmados a «servir a Deus». É na liturgia que a comunidade cristã deve aprofundar a tradição porque «a terra é oferecida para ser lugar de veneração de Deus verdadeiro», experimenta a presença de Deus através da sua vida segundo a vontade de Deus e do culto «que é a Liturgia no sentido próprio, faz parte dessa veneração» (Introdução ao Espírito da Liturgia, pg. 12).
Para uma melhor vivência da Liturgia, é importante respeitar e ter presente o mobiliário litúrgico, ou seja, o altar, o ambão e a sede presidencial. A natureza e função do altar é determinada pela Introdução Geral do Missal Romano como: «o altar, em que se torna presente sob sinais sacramentais o sacrifício da cruz, é também a mesa do Senhor, na qual o povo de Deus é chamado a participar quando é convocado para a Missa; o altar é também o centro da ação de graças celebrada na Eucaristia» (IGMR 296). Na liturgia, a Sagrada Escritura tem grande relevo como apresenta o Catecismo da Igreja Católica, «a dignidade da Palavra de Deus requer na Igreja um lugar próprio para a sua proclamação. Durante a liturgia da Palavra, é para lá que deve convergir espontaneamente a atenção dos fiéis» (CCE 1184). No ambão é proclamada a Palavra de Deus com solenidade, a intenção é comunicar a Palavra de Deus à comunidade que se encontra ali reunida para que seja escutada, meditada e transformada em ação. Está reservado, para além das Sagradas Escrituras ao «diácono e leitor que, por direito e dever, ali sobem para a proclamação da Palavra, e ao cantor para o canto do salmo responsorial» (Bernardino Ferreira da Costa, Espaço Celebrativo, pg. 44). De igual modo, também podem ser proclamadas «do ambão a homilia e proporem-se as intenções da oração universal» (IGMR 309) e o Precónio Pascal. A cadeira ou sede presidencial, atualmente, tem a função de se poder sentar durante a celebração: «o ato de se sentar está, para todos, em função da escuta da Palavra, da homilia e para favorecer as pausas de oração pessoal» (Costa, Espaço Celebrativo, pg. 83). Nesta gestão dos momentos de se sentar tem particular papel o sacerdote que preside «e o ato de ele próprio se sentar exprime também a função de presidência com os deveres que lhe competem» (Costa, Espaço Celebrativo, pg. 84). É também um «lugar simbólico: do assento, é o próprio Cristo que preside a assembleia na pessoa do ministro. A sede, portanto, deve ser tratada como um elemento “sacramental”, não como um mero lugar utilitário» (Pedro Farnés Scherer e José Aldazábal, El lugar de la celebración, 1985, pg. 42. A sede presidencial deve «aparecer clara e simbolicamente como o lugar onde Cristo congrega a sua Igreja, preside a Sua oração e atualiza para os fiéis reunidos o anúncio da salvação».
Concluímos assim, que estes três elementos são essenciais no espaço Litúrgico. São elementos que não se contradizem, muito pelo contrário completam-se. São essenciais para o culto cristão de modo muito especial para a celebração da Eucaristia. Todos estes elementos espelham beleza, lugar onde Deus se manifesta.
Diácono Tiago Fonseca
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