Bispo do Funchal elogia dimensão social do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa

Foto: Lusa/EPA

Funchal, Madeira, 10 jun 2021 (Ecclesia) – O bispo do Funchal considerou que a celebração na Madeira das Comemorações do Dia de Portugal é um reconhecimento “devido”, que vem “fechar com chave de ouro” os 600 anos da descoberta da Madeira e Porto Santo.

D. Nuno Brás destacou o papel do arquipélago, que representa um marco no “início da expansão portuguesa”.

Em 2020, devido à pandemia da Covid-19, o presidente da República cancelou as comemorações do 10 de Junho que estavam previstas para a Madeira e a África do Sul e este ano retomou as comemorações no Funchal.

“Apesar da distância de Lisboa, há um todo nacional que a Madeira quer continuar a manter, nem se compreende a Madeira sem este todo que é Portugal. Faria todo o sentido que as comemorações do 10 de junho tivessem sido no ano passado, mas finalmente este ano fechamos com chave de ouro os 600 anos da descoberta da Madeira e Porto Santo”, referiu D. Nuno Brás à Agência ECCLESIA.

O responsável católico sublinhou a importância que o Arquipélago sempre teve, “por estar no meio do Atlântico”, enquanto “plataforma giratória”.

Um impacto que se fez sentir a todos os níveis – “da política, com a organização do território por capitanias que é reproduzida- da economia e da fé”, numa perspetiva missionária.

O bispo do Funchal elogiou o “excelente” discurso do presidente da República Portuguesa, proferido esta manhã, na capital madeirense.

D. Nuno Brás considerou que o chefe de Estado “indicou a perspetiva da reconstrução” social, depois da crise provocada pela Covid-19

“Devemos aproveitar toda esta situação de pandemia, não para esquecermos aquilo que somos, mas para dar à nossa sociedade um cariz mais social e de cuidado pelo outro”, indicou o responsável católico, citado pelo ‘JM’.

O bispo do Funchal registou com “muito agrado” as referências feitas por Marcelo Rebelo de Sousa aos migrantes e ao facto de o discurso ter sido voltado para o futuro “nesta dimensão de quem propõe um Portugal mais solidário e mais acolhedor”.

Marcelo Rebelo de Sousa evocou todos os portugueses que partiram em busca de uma vida melhor e dos imigrantes que garantem a Portugal a natalidade e os serviços básicos de que o país precisa.

“Ainda mais aposta no mar, ainda mais vontade de não desperdiçar um cêntimo que chegue à nossa terra, ainda mais sentido nacional lembrando e apoiando os nossos compatriotas que vivem no nosso território espiritual, na nossa alma que é muito maior que o nosso território físico; ainda mais sentido humano a receber os nossos irmãos de nacionalidade que nos chegam por uns tempos bem com os não portugueses, uns e outros tantas vezes esquecidos nesse mundo subterrâneo que serve à nossa vida”, apelou o presidente português.

Os navegadores portugueses João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegaram à Ilha do Porto Santo em 1418 e um ano depois descobriram a Madeira, sendo que a chegada aconteceu a 1 de julho de 1419 mas o desembarque, a primeira Missa e a exploração do território tiveram lugar no dia seguinte.

A 31 de janeiro de 1533, o Papa Clemente VII elevou a sede funchalense a arquidiocese, dando-lhe um território, o mais vasto atribuído até hoje a uma diocese, que incluía jurisdição sobre todas as terras “descobertas e por descobrir” pelos navegadores portugueses na África, Brasil e Ásia.

O período em causa representou o lançamento, a partir do Funchal, de uma estrutura de organização diocesana pluricontinental que ajudou a definir uma Igreja mais atenta ao acompanhamento das suas comunidades crentes.

A Diocese do Funchal acompanharia, do ponto de vista religioso e civilizacional, a transformação das relações económicas culturais entre os vários continentes, no qual alguns especialistas denominam como “protoglobalização”.

Esta dimensão foi reconhecida na carta escrita pelo Papa Francisco, em 2014, ao nomear um legado pontifício para presidir às comemorações dos 500 anos da diocese que se tornou “a maior de todas”.

O primeiro Papa da América Latina evocou, simbolicamente, os muitos pregadores do Evangelho que partiram da Madeira para levar o Evangelho a outros territórios, impelidos pelo “amor espiritual” a esses povos.

A 12 de maio de 1991, João Paulo II visitou o arquipélago, cuja diocese designou como “mãe” das comunidades cristãs que se iam construindo nos territórios aonde chegavam os missionários portugueses, na África, no Oriente e no Brasil.

Os dois Papas reconheceram assim o papel histórico desempenhado por esta Igreja, sediada num centro fulcral do processo de globalização comercial, cultural e religiosa, com a criação de poderes eclesiásticos específicos.

No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, liturgicamente celebra-se o Santo Anjo da Guarda de Portugal.

“Em Portugal a devoção ao Anjo da Guarda é muito antiga. Tomou, porém, um incremento especial com as Aparições do Anjo, em Fátima, aos Pastorinhos. Pio XII mandou inserir esta comemoração no nosso calendário”, informa o Secretariado Nacional da Liturgia.

HM/SN/OC

Notícia atualizada às 14h30

A 11 de junho, a Igreja Católica na Madeira assinala os 500 anos da escolha do Apóstolo São Tiago Menor como padroeiro da cidade e Diocese do Funchal.

“Vamos celebrar a sua escolha numa situação muito semelhante, com a peste e cordões sanitários, vimos que as medidas que tomaram não são muito diferentes do que tomamos hoje”, destaca o bispo local.

D. Nuno Brás destacou a continuidade da celebração do chamado “voto de São Tiago”, que se continua a celebrar a 1 de maio, com uma procissão na capital madeirense.

Esta sexta-feira, o Conservatório de Música da Madeira irá apresentar um concerto para comemorar os 500 Anos do Voto a São Tiago Menor, na Sé do Funchal, pelas 21h00.

 

Diocese do Funchal, uma janela da Igreja em Portugal sobre o mundo

 

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