Fátima acolhe segunda edição de Curso de Integração Missionária

Fátima, 28 jul 2026 (Ecclesia) – O presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) defendeu hoje a urgência de preparar e acompanhar os agentes pastorais estrangeiros que chegam para servir a Igreja Católica em Portugal.
“Continuam a vir missionários para o nosso país e daí a necessidade e a urgência de a gente preparar e dar as ferramentas necessárias para que padres, irmãos, irmãs, leigos que chegam ao país possam compreender esta nação, a religiosidade e ser melhores missionários no meio deste povo”, disse à Agência ECCLESIA o padre Hugo Ventura.
O responsável falava durante a segunda edição do Curso de Integração Missionária (CIM), que decorre até ao próximo dia 31 de julho nas instalações do Centro Missionário Allamano, em Fátima.
A iniciativa formativa acolhe um total de 37 formandos em processo de transição, oriundos de 11 nacionalidades.
O presidente dos IMAG alertou para a dificuldade que estes novos elementos sentem ao tentar descodificar a “riqueza patrimonial histórica de fé” e as práticas locais das comunidades católicas em Portugal.
“Não deixa de ser interessante receber de novo aquilo que foi semeado há muitos séculos atrás”, assinalou o responsável, referindo-se aos agentes pastorais provenientes de Angola, Moçambique e do Brasil.



A reflexão sobre o choque cultural estendeu-se à intervenção do coordenador do ‘Relational Lab’, que alertou para o perigo das derivas institucionais e do esquecimento da fraternidade.
“Creio que muitas vezes a Igreja corre o risco, ao ver-se excessivamente como organização, ao pensar-se tantas vezes como estrutura de poder e de exercício de poder dentro e fora de portas, de perder o essencial da relação”, advertiu Rui Marques, em declarações à Agência ECCLESIA.
O formador apelou ao abandono de lógicas desenhadas “para impor respeito”, sublinhando que é imperativo “deixar para trás conceitos antigos, ultrapassados de modelos de liderança de comando e controlo”.
O especialista convidou ainda os presentes a encararem a diversidade como uma mais-valia, recordando que a natureza humana “não diverge consoante as culturas ou as tradições religiosas”.
PR/OC
