Movimento Ação Ética sublinha questão fundamental para resolver desafios do país

Lisboa, 09 jun 2021 (Ecclesia) – António Bagão Félix, um dos fundadores do Movimento Ação Ética (MAE), considera que os desafios de “natureza técnica, económica” em Portugal só podem ser superados com uma transformação no campo dos valores.

“É fundamental aprofundar as questões éticas nas decisões e na vida e fazer uma reflexão porque a ética, em Portugal, está a transformar-se numa coisa relativamente secundária”, disse à Agência ECCLESIA, em entrevista a respeito das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O MAE foi fundado no início de 2021, tendo como promotores os docentes universitários António Bagão Félix, Paulo Otero, Pedro Afonso e Vítor Gil.

A iniciativa pretende lançar o debate sobre ideias, o pensamento ético e a ação dos cidadãos na sociedade.

“Queremos transformar a ética não numa pedra pomes, mas na ideia de uma pedra dura, sólida, duradoura e intemporal”, sublinhou António Bagão Félix.

Estimular a ideia de uma “ética pluralista” está nos fundamentos do MAE, porque esta “não se aprende nos manuais, mas resulta da convivialidade e da relação de uns com os outros”, acrescentou.

No âmbito do Direito, Paulo Otero considera que o “principal problema é a articulação entre o Direito e a ética”, dado que “muitas vezes se pensa que o facto de não ser ilícito torna algo permitido”.

“A ética está acima das normas de convivência e das normas jurídicas”, precisou o professor universitário, para quem a dimensão ética é o quadro “onde se deve mover uma ordem jurídica e o poder político”.

Paulo Otero considera que, em Portugal, “muitas vezes” existe o problema de governantes e decisores “não terem essa dimensão ética”.

Nós não queremos impor valores, mas lembrar que existem valores e convidar as pessoas a refletir sobre esses valores de dimensão ética”.

Para Paulo Otero, o Estado não pode definir “os padrões éticos na conduta dos cidadãos ou nas condutas profissionais”, recordando o exemplo da eutanásia onde o Estado tentou “definir critérios de deontologia médica”.

A dimensão da saúde está também presente no Movimento Ação Ética através dos professores Pedro Afonso e Vítor Gil.

“A pessoa que tem inteligência emocional tem, de alguma forma, sentir-se e vincular-se a uma ética, caso contrário não terá sucesso na sua vida e não terá reconhecimento dos pares”, realçou Pedro Afonso.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Quando existe uma desvinculação da ética, tanto nas profissões como na vida individual, familiar e de relação, as pessoas são “prejudicadas por isso”, prosseguiu.

Para o especialista, a ética “não obriga à perda da liberdade porque é perfeitamente conciliável”.

Vítor Gil fala da relação com os mais jovens e realça que o que é transmitido aos alunos “não pode ser desligado de uma dimensão ética”.

“Há princípios e valores” que o MAE considera fundamentais e “não negociáveis”, sublinhou, precisando que esta não é uma organização confessional, mas também se inspira na Doutrina Social da Igreja.

Em relação ao futuro, o economista António Bagão Félix gostaria que o MAE pudesse ter “alguma influência” e estimular “uma carta dos deveres das pessoas”.

“Denunciar e desmontar uma certa contracultura minoritária, mas que domina as redes sociais e os meios de comunicação social” é outro propósito, lançado pelo professor Paulo Otero.

Nos próximos meses vai ser lançado um livro pelo MAE, com vários capítulos dedicados aos jovens, com reflexões sobre temas como a ética no desporto e na comunicação social, anuncia.

PR/LFS/OC

 

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