Bispo de Viseu alertou para a necessidade de acompanhar padres «nos momentos de fraqueza e de fragilidade, seja no início do ministério, na maturidade ou na velhice»

Viseu, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Viseu disse hoje que a reorganização territorial e pastoral da diocese não pode ser adiada e que é necessário dar “à formação e preparação de leigos e ministérios”, partilhando a responsabilidade de uma “Igreja sinodal e missionária”.
“A falta de vocações na Igreja e também ao sacerdócio, com a diminuição do clero, o envelhecimento dos padres e as doenças e provações levam-nos a pensar seriamente no presente e no futuro das nossas comunidades e no modo como podemos servi-las no ministério. Não podemos adiar a reorganização territorial e pastoral, dando lugar às prioridades da formação e preparação de leigos e ministérios. Precisamos que todos assumam responsabilidades pastorais nas comunidades, promovendo a vocação ao sacerdócio, ao diaconado permanente e aos ministérios laicais”, afirmou D. António Luciano na homilia durante a celebração da Missa Crismal, na Sé de Viseu.
“Todos somos responsáveis por uma Igreja sinodal, missionária, em caminho de conversão e de renovação pastoral aberta à mudança”, acrescentou.
O responsável quis agradecer o trabalho dos padres na diocese de Viseu e alertou para a necessidade de acompanhar e apoiar, “sobretudo nos momentos de fraqueza e de fragilidade, seja no início do ministério, na maturidade ou na velhice”.
“A vida sacerdotal não se vive sozinha. Precisamos uns dos outros, de proximidade, de fraternidade sacerdotal que sustente, anime e nos ajude a caminhar. Reconhecer esta necessidade não é sinal de fraqueza, mas de verdade e de humildade”, indicou.
D. António Luciano falou do ministério sacerdotal como um “caminho exigente e belo de conversão contínua e de formação permanente”, indicou que não se trata “apenas de exercer um ministério, mas de viver uma entrega, de assumir um estilo de vida marcado pela doação, pela escuta e pela presença”.
“Somos chamados a cultivar com cuidado e perseverança as virtudes próprias da vocação sacerdotal: a fidelidade, a humildade, a caridade pastoral, a obediência, a disponibilidade e o espírito de serviço”, reconheceu.
“Num mundo marcado pela indiferença, pelo sofrimento e pela perda de esperança, que anseia por paz, somos enviados como sinais vivos da presença de Cristo, Sumo e eterno Sacerdote”, para anunciar “ a luz”, em “em proximidade, com coração misericordioso e disponível”.
“A nossa fidelidade não é estática nem fechada, mas fecunda e geradora. Uma fidelidade que abre caminhos, que inspira novas vocações e edifica esperança”, afirmou.
D. António Luciano anunciou ainda durante a celebração, a ordenação diaconal de Francisco Ferreira e de Tiago Rio, no dia 3 de maio, às 17h, na Sé de Viseu.
“Valorizemos a raiz da nossa vocação, o dom do nosso chamamento ao ministério ordenado, vivendo com autenticidade e transparência a nossa identidade sacerdotal”, pediu ainda.
A Missa Crismal reúne os sacerdotes na Sé de cada diocese e durante a celebração são benzidos os óleos destinados ao Crisma, aos doentes e à celebração do Batismo; é nesta Eucaristia que os padres renovam as promessas sacerdotais.
LS
