Braga: Arcebispo rejeita individualismo e alerta para «ativismo» clerical

D. José Cordeiro presidiu à ordenação de três sacerdotes

Foto: Arquidiocese de Braga

Braga, 19 jul 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga presidiu hoje à Missa na Catedral local, com a ordenação de três padres, alertando os novos sacerdotes para os perigos do ativismo na Igreja.

“A cultura contemporânea tende a desfigurar o presbítero da sua essencial dimensão mistérico-sacramental, que faz cair nos perigos do ativismo, do funcionalismo, e da planificação mais empresarial do que pastoral”, disse D. José Cordeiro, na homilia da celebração.

“Dizei ‘não’ ao individualismo na vida e na ação pastoral. Não nos isolemos, porque perdemos o sentido do presbitério e o sentido eclesial”, acrescentou, dirigindo-se aos três ordinandos.

A vivência institucional ditada unicamente pelas “expetativas criadas” nas comunidades representa um “caminho fácil para a desilusão”, sublinhou o líder católico.

O arcebispo primaz destacou que o exercício da missão sacerdotal exige o conhecimento da “realidade concreta” das populações, sem que os padres tentem transformar as paróquias à sua “imagem”.

D. José Cordeiro recorreu a uma máxima do maestro Herbert von Karajan para sublinhar que o dever de “não atrapalhar a orquestra”, convidando ao “zelo e abnegação na missão pastoral”.

Não há vidas simples; não há vidas sem dificuldades; e as relações humanas serão sempre desafiantes, pelo que surgirão dificuldades, mas essas não vos podem fazer desanimar nem desistir.”

“Para ultrapassar as dificuldades é também importante que não descureis o descanso pessoal”, aconselhou D. José Cordeiro, exigindo uma vida regrada que garanta tempos de pausa.

O presidente da celebração apelou ainda ao compromisso contínuo com o estudo e a um trabalho realizado em “espírito sinodal e missionário”.

“Hoje, é dia de gratidão e de peculiar oração pelas vocações. A Igreja precisa de pastores e de fiéis leigos servidores criativos e credíveis do Evangelho”, declarou.

D. José Cordeiro evocou a memória de São Bartolomeu dos Mártires para ilustrar a dignidade do ministério através do testemunho histórico do antigo arcebispo.

“Tende cuidado para não viverdes o vosso sacerdócio em função das expectativas criadas quer por vós, quer em relação a vós, porque isso é caminho fácil para a desilusão”, assinalou.

Os novos padres são Bruno Pinto, Carlos Furtado e Diogo Antunes, que fizeram a sua formação no Seminário Maior de Braga.

OC

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