José Carlos Batalha apresenta projeto GuardAfetos, que reforça trabalho de proximidade com atenção à saúde

Lisboa, 19 jul 2026 (Ecclesia) – O presidente da Federação das Instituições de Terceira Idade (FITI) defendeu que se tome medidas para responder aos números “esmagadores” da solidão em Portugal, um país cada vez mais envelhecido.
“Em Lisboa vivem pessoas sozinhas, este vírus da solidão é transversal ao país inteiro”, afirmou José Carlos Batalha, convidado da entrevista conjunta Ecclesia/Renascença, emitida e publicada este domingo.
“Todos somos poucos para olhar este problema de frente”, acrescentou.
O responsável convida o Governo a uma parceria efetiva com o setor solidário.
“O que precisamos do Estado é que reconheça o nosso papel, que não obstaculize a nossa ação, que colabore, porque nós estamos aqui porque nascemos da dinâmica das comunidades”, indicou José Carlos Batalha.
“Não tenham dúvidas que se não existíssemos nós [IPSS, perceberíamos quão mais acentuadas eram as desigualdades sociais”, alertou o presidente da Assembleia Geral do Centro de Dia e Lar de Santa Ana de Azinha, conhecido como Lar dos Afetos, “berço” da ideia do projeto GuardAfetos.
O projeto foi delineado a partir de um equipamento de acolhimento onde quotidianamente “se respira ternura”.
Manter a pessoa no seu espaço de afeto, porque a casa destas pessoas é o seu espaço de afeto, é um dos objetivos fundamentais.”
A iniciativa introduziu equipas clínicas nas rondas de apoio domiciliário, permitindo identificar atempadamente as situações de risco para evitar que os utentes descompensem e vão “parar à urgência do hospital”.
“É preciso que a sociedade pense que os nossos mais velhos, os nossos avós, são arquivos que ainda têm vida”, instou o entrevistado, convidando a “não esconder os idosos”.
O projeto pretende atrair universitários de diversas áreas científicas para as instituições sociais, com o intuito de “fazer nascer neles o bichinho da solidariedade”.
“Nós olhamos as pessoas nos olhos, isto faz toda a diferença. Estamos a falar de políticas públicas e se não tiverem esta matriz, este objetivo, duvido que tenham sucesso”, prosseguiu.
A entrevista foi divulgada a propósito do próximo Dia Mundial dos Avós e das Pessoas Idosas, assinalado pela Igreja Católica a 26 de julho, em 2026.
Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
