Vila do Conde: Centro para Pessoas com Deficiência da Santa Casa «é um embaixador da misericórdia»

Provedor Rui Maia, antes das últimas apresentações da Via Sacra ao vivo, esteve no lançamento de um novo centro social

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Vila do Conde, 27 mar 2026 (Ecclesia) – O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde afirmou que o centro para pessoas com deficiência “é um embaixador da misericórdia”, e que a Via Sacra ao vivo é importante para os utentes e para a cidade.

“Todos os anos a Via Sacra é diferente, trabalham muitas coisas através desta Via Sacra além da parte da fé e da religião, também trabalham o companheirismo, as atividades, as falas, as memórias. É uma atividade que eles gostam muito, e gostam de representar”, disse Rui Maia, em declarações à Agência ECCLESIA.

O Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência (CARPD), da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde (SCMVC), levou a cena as duas últimas apresentações da sua ‘Via Sacra ao Vivo’ 2026, que tem como atores/narradores os utentes e os colaboradores, no sábado, dia 21 de março, no teatro municipal.

Para o provedor da SCMVC “é maravilhoso ver a maneira como as pessoas aderem a esta Via Sacra”, como apreciam este trabalho coletivos do CARPD, e “saem mais leves, mais felizes, com um espírito renovado depois desta Via Sacra”.

“Para a cidade é muito importante. É uma maneira de aproximar as pessoas com as pessoas que têm deficiência para perceberem que, de facto, todos nós temos as nossas limitações e que estas diferenças, que aparentemente são visíveis, na prática, muitas vezes, não existem porque nós todos somos diferentes”, realçou Rui Maia.

O provedor da Santa Casa vila-condense assinala que esta encenação, que acontece desde 2005, ajuda também a quebrar preconceitos em relação às pessoas com deficiência e ao trabalho do próprio centro, e realça que, “felizmente”, hoje as pessoas já não “escondidas em casa” como acontecia “há muitos anos atrás, nem sequer saiam à rua” porque havia “vergonha de dizer que tinham alguém diferente na família”.

“As pessoas valorizam muito o esforço que muitos destes jovens e adultos fazem para conseguir aproximar-se daquilo que são os padrões normais da sociedade. É uma mais-valia perceber isso, e é uma mais-valia ver como a sociedade, em geral, aceita muito bem isto”, desenvolveu.

‘Dá-me de beber’ foi o tema da Via-Sacra 2026 do CARPD, inspirada no diálogo bíblico entre Jesus e a Samaritana, e, segundo o entrevistado, este centro, “um dos mais antigos” da IPSS, “é, “essencialmente, um embaixador da misericórdia”.

“É um centro que é um verdadeiro embaixador da instituição, vai a muitos lados, leva esta imagem e esta felicidade dos nossos utentes, que, apesar de tudo o que são, têm uma felicidade enorme em representar a instituição também”, acrescentou.

A Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) com mais de 500 anos de existência, apresentou o projeto do novo Centro Social de Guilhabreu, que vai integrar uma creche com capacidade para 128 crianças, soluções de apoio habitacional, uma unidade residencial e serviços de apoio domiciliário, no dia 21 de março.

“As áreas de intervenção são cada vez maiores, o Estado Social cada vez tem de ser maior e, portanto, a necessidade das Misericórdias estarem presentes e das IPSS na sociedade é essencial porque substitui muitas vezes a ação que deveria ser do Estado”, disse Rui Maia, à Agência ECCLESIA.

O provedor da SCMVC explicou que viram no PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) “uma grande oportunidade” para refazer uma série de coisas “ou ter novas respostas que eram necessárias no Concelho Vila do Conde”.

O centro social de Guilhabreu vai abrir “na freguesia mais distante de Vila do Conde”, o que faz com que exista uma “proximidade da instituição aos vários locais do território”, dando continuidade ao compromisso assumido há mais de cinco séculos “com os vila-condenses de prestar todo o apoio que fosse necessário” nas suas várias áreas de intervenção, “a saúde, a social, e a habitacional”.

“Todos nós desejássemos que todos vivessem bem e ninguém precisasse de apoio e prestação de serviços das IPSS, mas acho que é uma utopia pensar isso. Não temos cuidadores suficientes nas famílias para dar resposta, a própria sociedade vai gerando pessoas que precisam de apoio e, acho que isso nunca vai acontecer.”

O Programa ‘70×7’ deste domingo, dia 29 de março, é dedicado ao Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência, da SCMVC, e à sua Via Sacra ao Vivo 2026, a partir das 07h28, na RTP2.

CB/OC

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