D. Armando Esteves Domingues identificou vários «mares avermelhados de sangue» atuais, «a guerra, a injustiça, a pobreza, a solidão»

Angra do Heroísmo, Açores, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra afirmou que ‘Cristo Ressuscitou’ “é a grande, única e suficiente verdade” a dizer por todos e a todos, e incentivou que “brote de todas as gargantas este canto alegre e festivo”, na Sé.
“Cristo Ressuscitou. Esta é a grande, única e suficiente verdade a dizer por todos e a todos. Que brote de todas as bocas e gargantas este canto festivo do ‘aleluia’, este grito de esperança na noite”, disse D. Armando Esteves Domingues, na homilia da Vigília Pascal, este sábado, enviada à Agência ECCLESIA.
O bispo de Angra convidou a destruírem “as pedras que se tornaram muros a dividir os seres humanos”, a acabar com a separação “entre bons e maus, só Deus pode julgar, entre judeus e pagãos ou iranianos, ou o contrário, entre russos e ucranianos, entre ricos e poderosos”, e os que não produzem, “não contam, estão a mais”.
D. Armando Esteves Domingues explicou que a frase «quem nos vai tirar a pedra pesada do sepulcro?», do Evangelho, “não é apenas uma questão prática”, é a pergunta de toda a “busca de esperança quando parece que já não há mais nada a fazer”.
“Hoje, essa pergunta surge de toda a Terra Santa e lugares do mundo marcados pela busca de paz, de fraternidade, de perdão, de concórdia. De uma esperança que ilumine, e não arma, que elimine.”
O bispo diocesano explicou que Maria Madalena e a outra Maria, que encontraram um anjo, foram “as primeiras discípulas missionárias de Jesus”, que levaram a “verdade única e suficiente”: “Jesus Ressuscitou!”.
“Quero saudar todos os que se fazem companheiros de quem busca, sobretudo quem busca a esperança no Ressuscitado. E todos que são irmãos de partilha da fé que vivem e daquilo que sabem de Jesus Cristo: na ação catequética, caritativa ou litúrgica, nas comunidades paroquiais e outras. Saúdo com uma palavra amiga os profissionais de todas as áreas de ajuda à vida, à educação, à cultura e desporto, à saúde, à comunicação, à segurança, para que nunca lhes falte o entusiasmo e a alegria no serviço”, desenvolveu.
D. Armando Esteves Domingues identificou os “mares avermelhados de sangue” que existem atualmente, como “a guerra, a injustiça, o cansaço e desânimo interior, a pobreza que clama, a solidão dolorosa, a desesperança”, e alertou que “haverá sempre um faraó antigo ou moderno” que quer convencer de que “nada mudará se não for pela força, pela humilhação dos outros, para que tudo seja como eu quero”.
O bispo de Angra explicou que a Vigília Pascal está “toda orientada liturgicamente” para a Páscoa de Cristo, e para os sacramentos da Iniciação Cristã, salientando que se preveem “milhões de batismos” por todo o mundo, nesta noite de Sábado Santo, maioritariamente jovens adultos que “reencontram em Cristo o sentido para as suas vidas saturadas de promessas fáceis”, alguns seduzidos pela “beleza, a seriedade e o acolhimento” da comunidade cristã.
“O batismo não nos torna meros espectadores da Ressurreição; faz-nos participantes dela; o Batismo é o ponto de partida para uma Igreja em saída, sinodal e missionária”, realçou.
“A Galileia é o lugar da vida comum, do trabalho, das relações, da missão. É onde a fé precisa de se tornar visível na vida real. É preciso voltar à Galileia, isto é, à casa, ao emprego, à escola, à família, ao mar, à estrada, ao coração do povo.”
A Igreja Católica celebrou nas últimas horas de sábado e nas primeiras deste Domingo de Páscoa o principal e mais antigo momento do ano litúrgico, a Vigília Pascal, assinalando a ressurreição de Jesus, elemento central da fé cristã.
Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo, por fim, a liturgia Eucarística.
CB
Vigília Pascal: Noite mais importante do calendário católico celebra Ressurreição de Jesus
