Venezuela: Padre Juan Freitas destaca «proximidade de ajuda» da Igreja, presença que acompanha, e «responde aos pedidos das pessoas»

Salesianos estão a dinamizar a campanha «Emergência na Venezuela», através da Missão Dom Bosco

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 02 jul 2026 (Ecclesia) – O padre Juan Freitas, natural da Venezuela, afirma que “é preciso viver com esperança”, uma semana depois dos sismos, e destaca a “proximidade” da Igreja Católica junto do povo venezuelano, não só neste momento, as campanhas de solidariedade.

“É preciso ajudar e as pessoas pedem realmente esta ajuda, e é interessante ver como a Igreja Católica tem sido esta presença também neste país que tem sofrido tanto, tantas situações difíceis, não só as questões políticas, mas depois ali mesmo naquela região, a grande tragédia de La Guaira com as inundações em 99”, disse o sacerdote salesiano, esta quinta-feira, 2 de julho, em entrevista à Agência ECCLESIA.

“A Igreja tem sido esta presença, esta proximidade de ajuda, de presença que acompanha, e que responde aos pedidos das pessoas, e é isto também o que a Igreja está a fazer nas diferentes situações e também os Salesianos, neste caso”, acrescentou.

A Missão Dom Bosco – Fundo Solidário Salesiano em Portugal lançou a campanha ‘Emergência na Venezuela’, para apoiar as comunidades afetadas pelos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, a 24 de junho, e foram seguidos por centenas de réplicas.

Os donativos angariados através da Missão Dom Bosco vão ser encaminhados para as presenças salesianas na Venezuela, de acordo com as necessidades identificadas localmente.

Para o padre Juan Freitas, a capacidade de reconstrução na Venezuela “só será possível com a ajuda externa, porque os meios são muito limitados” e foi “uma destruição muito grande”, mas “há sempre esperança”, mesmo com os “muitos desaparecidos, há milhares desaparecidos”.

O balanço oficial da tragédia, uma semana depois dos sismos, ascende a 2295 vítimas mortais e 11 267 feridos, num cenário de devastação que afetou gravemente a capital e a região costeira de La Guaira.

“Há pessoas a serem resgatadas, há situações de grande esperança, de grande procura de pessoas que estão desaparecidas, que não se tem essa noção. E as pessoas pedem esta oração, este apoio, esta ajuda, mas sobretudo vivem com o coração nas mãos. Diziam os meus primos, que saíram a ajudar, a procurar pessoas, que  vêm pedir ajuda porque estão desesperadas, não sabem o que fazer, e é realmente uma situação muito trágica”, desenvolveu o sacerdote salesiano.

O padre Juan Freitas nasceu na Venezuela, na localidade de La Guaira, uma das regiões mais afetadas, “onde a família também viveu”, e têm “muitos primos, familiares próximos”, o sacerdote que saiu do país sul-americano com oito anos de idade está a acompanhar esta “situação trágica” e, desde o primeiro momento, “o coração está com os familiares, com a preocupação do que se passou naquela zona”.

“Saí de lá com oito anos, mas depois as relações continuam porque a vida continua, as relações continuam. Já voltei também em férias uma vez, há muitas pessoas que também vêm a Portugal e há uma relação, uma rede muito grande, e vemos sobretudo a grande tragédia naquela região e que é realmente devastador”, acrescentou o coordenador da equipa nacional Solsal – Serviço Social Salesiano.

O entrevistado assinala que a comunidade portuguesa na região de La Guaira “é muito grande e é uma comunidade muito unida também”, e lembrou o movimento associativo, as comunidades portuguesas, o Centro Luso-Venezuelano.

“É um bocadinho esta rede que nos preocupa e que sentimos a vida de pessoas concretas, que os nossos pais dizem, ‘olha aquela senhora, aquela nossa vizinha, aquele senhor que falou na televisão…’”, acrescentou.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

O padre Juan Freitas referiu-se também aos edifícios que caíram “e mesmo os que não caíram estão gravemente danificados, e em risco a segurança”, há estradas bloqueadas, “a comunicação está intermitente, a luz, a água, os alimentos”.

“Há feridas grandes, as pessoas estão com medo, os meus primos diziam ‘não sabemos o que vai ser, não sabemos como é que devemos reagir’, sobretudo a impotência da própria situação, os hospitais também sofreram o terremoto, as ruas também, os centros comerciais também caíram. Isto é uma situação que atinge a todos e por isso a própria capacidade de resposta ou poder ajudar torna-se muito difícil e torna-se realmente uma situação de angústia”, acrescentou, o sacerdote salesiano no Programa ECCLESIA, desta quinta-feira, transmitido na RTP2.

As autoridades confirmam a morte de pelo menos 75 cidadãos portugueses ou lusodescendentes, contabilizando ainda 66 pessoas desaparecidas ou incontactáveis na sequência da catástrofe.

LS/CB/OC

A Missão Dom Bosco – Fundo Solidário Salesiano, que está a dinamizar a campanha ‘Emergência na Venezuela’ é a plataforma de recolha de fundos da Fundação Salesianos para projetos e ações que visam criar respostas sociais para as crianças e jovens vulneráveis e suas famílias, em Portugal e no resto do mundo.

Todos os donativos feitos à Missão Dom Bosco são utilizados, integralmente, nos projetos e fins para que foram recolhidos e beneficiam, efetivamente, as crianças e jovens a que se destinam. A Fundação Salesianos assume todos os custos de gestão com recursos humanos, materiais e operacionais.

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