Uganda: Missionários salesianos estão há nove anos no campo de refugiados de Palabek com «97 mil cristãos»

Padre José Ubaldino de Andrade explica que refugiados têm a consciência que perderam «muitas coisas», mas «não conseguem tirar-lhe a fé cristã»

Foto: Padre José Ubaldino de Andrade

Lisboa, 18 ago 2026 (Ecclesia) – Os refugiados da guerra no campo de Palabek, no Uganda, país africano que vive uma crise migratória há vários anos, vão recuperando a sua dignidade e vivem a fé com o apoio dos missionários, destaca a Fundação AIS.

“O refugiado tem geralmente, no coração e na mente, a consciência de que perdeu muitas coisas: casa, bens, móveis, roupa, comida… mas há uma coisa que não conseguem tirar-lhe, que permanece sempre e lhe pertence: a fé cristã”, disse o padre José Ubaldino de Andrade, à AIS – Ajuda à Igreja que Sofre, em declarações enviadas esta terça-feira à Agência ECCLESIA.

A Arquidiocese de Gulu confiou aos Salesianos o cuidado pastoral dos refugiados e das pessoas que vivem na zona de Palabek, a este campo – assentamento –, no norte do Uganda, chegam milhares de pessoas que, fogem da guerra no Sudão do Sul, e recebem um teto, alimentação, formação e acompanhamento espiritual.

“Há nove anos que estamos presentes numa área muito extensa, de 20 km por 20 km, com uma população de 97 mil cristãos que participam na Eucaristia e na Liturgia da Palavra em 17 capelas, algumas das quais ainda estão em construção”, explicou o missionário venezuelano, destacando que celebram encontros sob as árvores, “sentados nos ramos, por vezes, reúnem-se até 400 pessoas”.

Segundo o padre José Ubaldino de Andrade, um dos iniciadores da missão no campo de refugiados de Palabek, a fé ajuda, “no meio de tantas situações difíceis e onde há tanta escuridão”, a abrir uma janela, “uma porta por onde entra a luz no meio de tanta escuridão”, a experiência de fé é “muito profunda em geral, não apenas dos refugiados, mas também de todo o povo do Uganda”.

O religioso salesiano destaca momentos de esperança, que se refletem através da fé, no campo de Palabek, como os “muitos momentos de profundo encontro”, por exemplo, para a oração do terço “reúnem-se as mulheres, as crianças, os jovens”; e quando entram nessa casa deixam os sapatos à porta, porque a imagem ou do terço “é uma presença santa”.

Para o entrevistado, outra “experiência bonita” é o grupo missionário de 120 jovens de diferentes tribos que, “no Sudão do Sul, seria impossível juntar”, mas ali “unem-se e rezam”, realizam “um belo trabalho de evangelização”, e ajudam quem mais precisa: “ler a Bíblia às pessoas, ajudar os necessitados, idosos que vivem sozinhos, mulheres que precisam de transportar água, lavar roupa ou trabalhar nas culturas, visitar um irmão pertence a um grupo cultural diferente”.

A Fundação pontifícia AIS apoia os cristãos do Uganda, através de diversos projetos, para padre José Ubaldino de Andrade  trata-se sobretudo de ajudar a que a Igreja “esteja presente junto das pessoas, sejam cristãs ou não cristãs, ricas ou pobres, de uma tribo ou de outra”, e é o grupo que “estará sempre presente”.

“Quando o dinheiro acaba, surge um problema noutro lugar, há uma epidemia, as agências abandonam os refugiados por razões de segurança e deixam-nos sozinhos. A Igreja permanece, as pessoas apreciam muito que, através da Igreja, Cristo Se faça presente no meio delas”, explicou o missionário venezuelano.

Aos benfeitores da AIS, o padre José Ubaldino de Andrade, que esteve recentemente no seu país a prestar auxílio às populações após o sismo de 24 de junho, agradeceu e incentivou “a dar o contributo para construir um mundo melhor, mais cristão, mais solidário, mais forte na fé”, e que “continuem a rezar, a oração tem um poder enorme”.

CB

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