Francisco promoveu ciclo de encontros com comunidades indígenas, pedindo perdão pelo envolvimento de católicos na gestão de escolas residenciais

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 13 mai 2022 (Ecclesia) – O Papa vai visitar o Canadá de 24 a 30 de julho, “acolhendo o convite das autoridades civis e religiosas” e das “comunidades indígenas”, anunciou hoje o Vaticano.

A viagem, primeira de Francisco ao país, tem passagens previstas por Edmonton, Quebeque e Iqaluit (território Inuit), devendo o programa completo ser divulgado “nas próximas semanas”, segundo nota da sala de imprensa da Santa Sé.

A intenção de visitar o Canadá tinha sido assumida pelo Papa a 1 de abril, no Vaticano, num encontro em que pediu “perdão” pelo envolvimento dos católicos na gestão de escolas residenciais para povos indígenas do Canadá, perante representantes destas comunidades, confessando “indignação e vergonha”.

“Pela deplorável conduta de alguns católicos, peço perdão a Deus. Quero dizer-vos de todo o coração: estou muito entristecido. Uno-me aos bispos canadianos, para pedir-vos perdão”, referiu Francisco, no final de uma série de encontros com delegações das Primeiras Nações, Métis e Inuit.

32 anciãos indígenas, sobreviventes de escolas residenciais e jovens deslocaram-se ao Vaticano para uma “viagem histórica”, segundo a Conferência Episcopal do Canadá (CCCB, sigla em inglês).

Já a 22 de abril, o Papa recebeu uma delegação de indígenas Métis Manitoba, do Canadá, composta por cerca de 50 membros, para continuar “o processo de reconciliação com a Igreja”, informou o Vaticano.

Em outubro de 2021, a Santa Sé tinha anunciado que o Papa aceitara o convite da Conferência Episcopal do Canadá para uma visita ao país, inserida no processo de “reconciliação” com os povos indígenas.

Nesse ano foram descobertas centenas de sepulturas anónimas junto de antigas escolas residenciais indígenas; várias destas instituições pertenciam à rede de escolas administrada pela Igreja Católica, destinadas à “reeducação” de crianças indígenas, com o apoio do Governo canadiano.

A 6 de junho, o Papa reagiu no Vaticano à descoberta de restos mortais de 215 crianças numa instituição católica.

“As autoridades políticas e religiosas do Canadá devem continuar a colaborar com determinação para fazer luz sobre este triste acontecimento, empenhando-se humildemente num caminho de reconciliação e cura”, apelou.

Em 2015, após sete anos de pesquisa, a Comissão de Verdade e Reconciliação do Canadá divulgou um relatório sobre escolas residenciais, revelando que entre 1890 e 1996 mais de 3 mil crianças morreram por causa de doenças, fome, frio e outros motivos.

O Papa fez, desde o início do seu pontificado, em 2013, 36 viagens internacionais, nas quais visitou 54 países, passando pelo Brasil, Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba, Estados Unidos da América, Quénia, Uganda, República Centro-Africana, México, Arménia, Polónia, Geórgia, Azerbaijão, Suécia, Egito, Portugal, Colômbia, Mianmar, Bangladesh, Chile, Perú, Bélgica, Irlanda, Lituânia, Estónia, Letónia, Panamá, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bulgária, Macedónia do Norte, Roménia, Moçambique, Madagáscar, Maurícia, Tailândia, Japão, Iraque, Eslováquia, Chipre, Grécia (após ter estado anteriormente em Lesbos) e Malta; as cidades de Estrasburgo (França), onde esteve no Parlamento Europeu e o Conselho da Europa; Tirana (Albânia), Sarajevo (Bósnia-Herzegovina) e Budapeste (Hungria), para o encerramento do Congresso Eucarístico e Internacional.

Apesar das dificuldades que tem sentido num joelho, as quais limitam a sua mobilidade e têm levado ao adiamento de alguns compromissos, Francisco continua a viajar e deve visitar a República Democrática do Congo (RDC) e o Sudão do Sul, de 2 a 7 de julho.

OC

 

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